Meu humor



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SUZANO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Livros, Informática e Internet, Gastronomia



Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 Blog do Emir
 Revista Mirada Global
 Agência Carta Maior
 Blog do Gadelha
 Correio da Cidadania
 Blog do Sakamoto
 Amai-vos
 Pe. Zezinho
 ADITAL
 Outro Brasil
 A Casa de Rubem Alves
 Movimento Fé e Política
 Gazeta Esportiva.net - Noticias do Palmeiras
 Balaio do Kotscho
 Luis Nassif Online




Blog de Mauricio Pagotto
 


DA AGENCIA CARTA MAIOR

Um Banco Central peculiar

A todos, exceto os beneficiários de sempre, deve estar ocorrendo perguntar o que nos torna tão particulares a ponto de irmos na contra-mão das decisões dos principais bancos centrais do mundo, cuja atitude, diante da ameaça de uma crise de grande intensidade, tem sido a de reduzir suas taxas de juros básicas. A análise é de Ricardo Carneiro.

Os brasileiros, que por ofício ou necessidade, acompanham a evolução das economias internacional e brasileira devem estar dando tratos a bolas para entender a recente decisão do Banco Central do Brasil em manter a taxa de juros, no extravagante patamar de 13,75% ao ano. A todos, exceto os beneficiários de sempre, deve estar ocorrendo perguntar o que nos torna tão particulares a ponto de irmos na contra-mão das decisões dos principais bancos centrais do mundo, cuja atitude, diante da ameaça de uma crise de grande intensidade, tem sido a de reduzir suas taxas de juros básicas, algumas das quais já em níveis negativos, como no caso americano.

O caso é grave não só porque o Brasil trilha um caminho oposto ao das principais economias globais, mas, também, porque ao manter a taxa de juros realiza uma política contraditória com o conjunto das medidas postas em prática pelo Governo, após o agravamento da crise. Não custa aqui relembrar a oportunidade e intensidade dessas iniciativas – várias delas emanadas do próprio Banco Central - mormente na área monetária e creditícia: redução dos compulsórios; venda de divisas no mercado à vista e de proteção contra a variação cambial; alimentação das linhas de crédito ao comércio exterior com reservas internacionais; garantia de volume de crédito para várias atividades por meio dos bancos públicos.

O sentido da política é inequívoco: diante de uma manifestação aguda de aversão ao risco detonada pelo aprofundamento da crise, evitar que esta exacerbação da preferência pela liquidez dos agentes e, principalmente, dos bancos, se transforme numa severa contração do crédito. Ora, mas se é isto que se quer evitar, qual o sentido de manter a taxa de juros em patamar tão elevado? Não seria mais lógico e coerente reduzir a taxa de juros e desestimular a corrida dos agentes em direção aos títulos públicos – no caso do Brasil generosamente remunerados e sem riscos?

Custa a crer que o Banco Central a esta altura do campeonato esteja preocupado com o crescimento muito rápido da demanda agregada. Como todos os indicadores estão demonstrando, diante da trajetória do crédito a sua forte desaceleração será praticamente inevitável. O crédito tem ficado escasso e mais caro por conta da instabilidade macroeconômica e a postura dos bancos. No caso do crédito corporativo observa-se ademais uma clara contração acompanhada de desaceleração dos novos empréstimos às famílias.

Certamente também não deve ser objetivo do BC evitar ataques especulativos contra a nossa moeda. Dado o estado de aversão ao risco dos investidores internacionais a tentativa de segurá-los aqui por meio de maiores taxas de juros, será inócua. No caso brasileiro é preciso lembrar que uma parcela desses investidores tem perfil especulativo e foi atraída para cá exatamente por diferenciais elevados de taxas de juros, que agora não os satisfazem mais. Nesse caso, as medidas deveriam se restringir à regulação da volatilidade excessiva e a prevenção da formação de posições especulativas por parte dos investidores nacionais e estrangeiros com perfil de aplicadores de longo prazo.

Diante das evidências discutidas acima a preservação da taxa de juros pelo BC revela-se enigmática. Não é possível acreditar que num momento de crise tão grave, e de riscos de uma forte recessão global, o BC tenha apostado em uma redução ainda maior do crescimento para assegurar que no futuro longínquo a taxa de inflação se mantenha exatamente dentro da meta. Isto sem contar que outro efeito perverso da manutenção das taxas será a preservação dos juros pagos pelo setor público reduzindo a potência de uma eventual ação anticíclica. É necessário reafirmar que se a crise se agravar, a ampliação do gasto público será o nosso principal instrumento para minimizá-la. Logo, a quem interessa a postura do BC?

* Ricardo Carneiro é Professor Titular do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da UNICAMP.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15342



Escrito por mauricio às 22h18
[] [envie esta mensagem
] []





DO VERBO SOLTO

Votos, números e baionetas
 
 
 

Como é que se mede o desempenho dos partidos nas eleições para o governo de mais de 5.500 municípios?

Pelo critério mais óbvio, o do total de vitórias, o PMDB levou a palma, ao fazer 1.203 prefeitos. O PSDB ficou em segundo lugar, com 786 municípios. E o PT em terceiro, com 559.

O PMDB levou a palma também em votos recebidos: 18,4 milhões. O PT, segundo colocado, teve 16,5 milhões. O PSDB, 14,4 milhões.

Mas, sendo o que são as diferenças de população entre os municípios brasileiros, talvez fosse mais relevante considerar apenas os do chamado G-79 (as 26 capitais e as 53 cidades de 200 mil eleitores para cima, aquelas em que pode haver segundo turno). Nesse caso, o PT lidera, com 21 vitórias, seguido pelo PMDB (17) e o PSDB (13).

Outra resposta ainda vem da comparação dos resultados, em cada caso, com os da eleição anterior. De 2004 para cá, o PT ganhou 148 prefeituras. Cresceu, portanto, robustos 36%. O PMDB, 13,8%. Já o PSDB encolheu 20,6%, e o DEM (ex-PFL) 51%.

A esses cálculos, amplamente divulgados pela mídia, o Globo acrescentou na edição da quarta-feira (29/10) a modalidade chamada “taxa de sucesso”, que seria a mais reveladora. Trata-se da proporção de prefeitos eleitos sobre o total de candidatos.

Por esse critério, o PMDB e o PSDB foram os grandes vencedores – elegeram 47% e 46% dos respectivos candidatos. E o PT só elegeu 34%, o índice mais baixo entre as principais legendas.

O problema com a “taxa de sucesso” é que, embora proporcional, ela só seria um termômetro perfeito se todos os partidos lançassem candidatos em todos os municípios. Como isso não se coloca, numa situação-limite, só para raciocinar, o partido absolutamente vitorioso, com 100% de sucesso, seria aquele que lançasse um único candidato a prefeito – e ele se elegesse.

Outro argumento é que, em eleições competitivas num país heterogêneo como o Brasil, quanto maior o número de candidatos de um partido, menor, provavelmente, a sua proporção de vitoriosos. Um partido pode apresentar candidatos em pencas de municípios apenas para se fazer presente, sabendo que perderá em muitos deles.

Já dizia Bismarck que os números são como as baionetas: pode-se fazer tudo com elas, menos sentar em cima. O leitor devia saber disso.

por Luiz Weis

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=3



Escrito por mauricio às 23h16
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Como o GOE trataria do sequestro

Por Flávio Alessandro

Saiu na folha de domingo:

GOE usaria outra tática no resgate de Eloá

LAURA CAPRIGLIONE
ENVIADA ESPECIAL A SÃO JOAQUIM DA BARRA (SP)

(...) A experiência de grupos de elite dos principais países que mantêm forças táticas e antiterroristas, como a Swat americana, o GIPN (da França), o GSG 9 (da Alemanha), os Carabinieri (Itália) ou a polícia israelense, mostram que pelo menos dez procedimentos adotados pelo Gate (a força da PM usada no caso de Santo André) foram contrários aos protocolos internacionais.

Segundo Ravagnani, que participou de 60 cursos ministrados por instrutores desses grupos de elite, a condução do resgate das meninas Eloá e Nayara Rodrigues da Silva, 15, seria da seguinte forma:

1. "O GOE não deixaria o seqüestro durar mais do que 24 horas. Pela experiência internacional, a situação psicológica do agressor tende a se agravar com o estresse prolongado."

2. "O GOE não colocaria uma pessoa emocionalmente envolvida com o refém ou o seqüestrador na negociação [tal era a condição da menina Nayara]. A negociação seria conduzida por um policial especialista em resgate. (...) Um exemplo? Ele leva o criminoso para mais perto de uma janela, para se tornar visível à mira de um sniper [atirador de elite]. O negociador tem de ser um especialista em tática e também conhecer muito de psicologia para traçar um perfil do criminoso e usá-lo a seu favor."

3. "O GOE não deixaria que o seqüestrador desse entrevistas durante o cativeiro das jovens."

4. "Segundo os manuais do GOE, o "start da invasão" deveria ter sido acionado quando o seqüestrador começou a agredir as reféns. Nunca a partir de um suposto disparo contra as jovens [rojões e bombas de são João lançados por outros atores no cenário de operações, como traficantes do bairro, poderiam ser confundidos com disparos de armas do agressor]." A reportagem da Folha, no local dos acontecimentos, escutou vários estouros de fogos de artifício promovidos por moradores do local.

5. "O GOE não usaria escadas para a invasão do quarto -ainda mais uma escada sem altura suficiente para alçar o policial em segurança. Em vez disso, empregaria um especialista em rapel, que entraria "por cima" da janela, empunhando sua arma, e mais rapidamente."

6. "O GOE evitaria dar o "start da invasão" à tarde, como ocorreu. (...)  "De madrugada, o organismo ainda está em situação de repouso, [uma hora] muito mais adequada a uma abordagem de surpresa do que à tarde, após um dia inteiro de estresse, [com] a adrenalina a mil", diz.

7. "O GOE empregaria um cão treinado para atacar com mais agilidade o agressor durante a invasão."

8. "O GOE posicionaria um atirador especialista em rapel, de cabeça para baixo, logo acima da janela em que o agressor aparecia para um possível tiro de imobilização. Para que [ele] não visse a preparação da ação, cortaria, por exemplo, a luz."

9. "O GOE usaria um estetoscópio para auscultar, a partir de um apartamento vizinho, o que ocorria no local do seqüestro. Também empregaria microtransmissores, que faria chegar ao apartamento onde estava Eloá por intermédio dos condutores elétricos da casa. Jamais o GOE usaria um copo como foi feito na operação."

10. "O GOE usaria munição letal em vez dos projéteis de borracha empregados na ação de resgate. Balas de borracha são capazes de machucar, mas não impedem o agressor de reagir, inclusive atirando nas vítimas.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 22h56
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

O Fed contra o dólar valorizado

Nesse mundo virado de cabeça para baixo, apareceu alguém para ficar com o mico do real. E é nada menos do que o Federal Reserve.

O banco central americano vai trocar uma linha de US$ 30 bilhões por reais, sem condicionantes ou restrições de espécie alguma. Com isso, o BC brasileiro aumenta a bala já anunciada para enfrentar ataques ao real de US$ 50 bilhões para US$ 80 bilhões. O dinheiro ficará disponível até abril. México, Coréia do Sul e Cingapura também receberam do Fed linhas do mesmo valor, em troca de suas moedas.

A razão da “generosidade” do Fed não está sendo escamoteada. Trata-se de evitar uma valorização excessiva do dólar e, no mesmo pacote, do iene. As duas moedas-âncoras estão aspirando os recursos do desmonte global de posições alvancadas.

Como escrevi na segunda-feira (Real, de objeto de desejo a mico) o Brasil, com suas taxas de juros exorbitantes e sua moeda supervalorizada, atraiu enorme massa de capital de arbitragem, o real e papéis de empresas brasileiras, sobretudo os originários de lançamentos iniciais (IPO) recentes, passaram a figurar entre as vítimas preferenciais da queima de ativos. Daí a escalada do dólar no mercado cambial brasileiro. Agora, a tendência, pelo menos no curto prazo, é de que as cotações se acalmem e se acomodem nas vizinhanças dos R$ 2 por dólar.

Há diversos aspectos interessantes na nova intervenção do Fed, que conta com o apoio dos bancos centrais dos países desenvolvidos. Um deles é o ineditismo da medida. Intervenções nos mercados monetários são raras - no caso do Brasil, é inédita. A última vez que o Fed atuou desse modo, para socorrer o euro, ocorreu em 2000. Antes disso, houve outra, em 1998, na crise da Ásia.

Outro aspecto que chama a atenção é o contraste da atuação do Fed com a do BC brasileiro. Enquanto aqui a valorização do real foi tenazmente perseguida e alegremente louvada, lá a valorização do dólar é tratada com uma maldição a ser exorcizada com todos os instrumentos, inclusive a troca de dólares por moedas inconversíveis, como é o caso do real.

Várias conclusões estão à disposição. Uma, quase uma constatação, é que os ortodoxos de lá não são tão ortodoxos quanto os daqui. Outra, é que, vai ver, os nossos ortodoxos é que estão certos e os de lá, coitados, são, como arrotam nosos ortodoxos, tão desqualificados quantos os que aqui cansaram de criticar a valorização excessiva do real. 

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 22h52
[] [envie esta mensagem
] []





DO ENTRELINHAS

Aécio chama Serra para bailar

O PSDB é um partido engraçado. Foi fragorosamente derrotado nas urnas na eleição municipal deste ano – elegeu apenas 4 prefeitos em capitais de Estado –, perdeu eleitorado em relação a 2004 e elegeu menos prefeitos do que há quatro anos. Mesmo assim, os tucanos conseguem passar na grande imprensa a imagem de que foram bem eleitoralmente e de que quem perdeu foi o PT, que apesar das derrotas duras no segundo turno, conseguiu ampliar o eleitorado e o número de prefeitos eleitos em pouco mais de 40%, comparativamente a 2004. É verdade que o governador José Serra, de São Paulo, se deu bem com a vitória do seu candidato na capital, o democrata Gilberto Kassab. O grande trunfo de Serra, porém, já começa a ser ofuscado pelo desempenho midiático do correligionário e governador de Minas Aécio Neves, que nos últimos dias vem pautando a cobertura política de uma maneira simples e eficaz, qual seja a de dizer o que pensa em alto e bom som.

Serra é mesmo um político azarado. Quando tudo indicava que ele teria uma eleição tranquila em 2006, com Lula ferido pelo escândalo do Mensalão, veio Geraldo Alckmin e puxou-lhe o tapete, tirando o então prefeito de São Paulo da disputa presidencial. Agora é a vez de Aécio começar a sinalizar que se Serra pensa que já é o candidato do PSDB à presidência em 2010, é melhor tirar o cavalinho da chuva e colocar o seu nome para uma disputa interna, na forma de prévias, como fazem os americanos. Ora, isto é tudo que Serra não gosta. Tem que perder tempo debatendo, é preciso convecer os integrantes do partido com direito a voto, enfim, é preciso perder tempo em uma disputa democrática, coisa que todo mundo sabe que o governador de São Paulo não aceita bem. No fundo, José Serra gostaria de viver uma situação em que o partido implorasse para que ele assumisse a candidatura presidencial. Mas isto vai acontecer, pelo que se vê na ação de Aécio Neves ainda em 2008, dois anos antes do pleito.

No fundo, o maior eleitor de Serra hoje é a crise financeira. Para os tucanos, o "quanto pior, melhor" já virou um mote de sobrevivência política. Se o país chegar em 2010 de pé, com a economia em bom estado, o governador de São Paulo teria suas chances brutalmente diminuídas. Já se a crise pegar forte no bolso dos brasileiros, aí ele pode se colocar como o salvador da pátria, homem experiente e que conhece bem os fundamentos da economia. O problema todo é que pode haver um Aécio no caminho, dentro no PSDB ou fora dele – no PMDB, por exemplo. Que Aécio já demonstrou muito mais jogo de cintura e traquejo político do que Serra, não resta a menor sombra de dúvida. Mas é precisos esperar os próximos passos do governador mineiro para enfim perceber se ele também possui o arrojo dos grandes líderes, dos que avançam sem medo de olhar para trás e se arrepender. O jogo está só começando.


Escrito por mauricio às 22h49
[] [envie esta mensagem
] []





Da Série:

No mundo:
 
"FED reduz juro a 1% e dispara rodada global de cortes nas taxas. BCs tentam desencorajar a obsessão mórbida pela liquidez que gera fuga de ativos e retrai a produção."
(Carta Maior com agências 29/10/2008, 19:37)
 
No Brasil:
 

Copom mantém taxa de juros em 13,75% ao ano  (UOL)

Acredite se quiser..............



Escrito por mauricio às 21h08
[] [envie esta mensagem
] []





DE RUBEM ALVES

Sobre moluscos e homens

 

Piaget, antes de se dedicar aos estudos da psicologia da aprendizagem, fazia pesquisas sobre os moluscos dos lagos da Suíça. Os moluscos são animais fascinantes. Dotados de corpos moles, seriam petiscos deliciosos para os seres vorazes que habitam as profundezas das águas e há muito teriam desaparecido se não fossem dotados de uma inteligência extraordinária. Sua inteligência se revela no artifício que inventaram para não se tornarem comida dos gulosos: constróem conchas duras – e lindas! - que os protegem da fome dos predadores. Ignoro detalhes da biografia de Piaget e não sei o que o levou a abandonar seu interesse pelos moluscos e a se voltar para a psicologia da aprendizagem dos humanos. Não sabendo, tive de imaginar. E foi imaginando que pensei que Piaget não mudou o seu foco de interesse. Continuou interessado nos moluscos. Só que passou a concentrar sua atenção num tipo específico de molusco chamado “homem“. Se é que você não sabe, digo-lhe que muito nos parecemos com eles: nós, homens, somos animais de corpo mole, indefesos, soltos numa natureza cheia de predadores. Comparados com os outros animais nossos corpos são totalmente inadequados à luta pela vida. Vejam os animais. Eles dispõem apenas do seu corpo para viver. E o seu corpo lhes basta. Seus corpos são ferramentas maravilhosas: cavam, voam, correm, orientam-se, saltam, cortam, mordem, rasgam, tecem, constróem, nadam, disfarçam-se, comem, reproduzem-se. Nós, se abandonados na natureza apenas com o nosso corpo, teríamos vida muito curta. A natureza nos pregou uma peça: deixou-nos, como herança, um corpo molengão e inadequado que, sozinho, não é capaz de resolver os problemas vitais que temos de enfrentar. Mas, como diz o ditado, “é a necessidade que faz o sapo pular“. E digo: é a necessidade que faz o homem pensar. Da nossa fraqueza surgiu a nossa força, o pensamento. Parece-me, então, que Piaget, provocado pelos moluscos, concluiu que o conhecimento é a concha que construímos a fim de sobreviver. O desenvolvimento do pensamento, mais que um simples processo lógico, desenvolve-se em resposta a desafios vitais. Sem o desafio da vida o pensamento fica a dormir... O pensamento se desenvolve como ferramenta para construirmos as conchas que a natureza não nos deu.

O corpo aprende para viver. É isso que dá sentido ao conhecimento. O que se aprende são ferramentas, possibilidades de poder. O corpo não aprende por aprender. Aprender por aprender é estupidez. Somente os idiotas aprendem coisas para as quais eles não têm uso. Somente os idiotas armazenam na sua memória ferramentas para as quais não têm uso. É o desafio vital que excita o pensamento. E nisso o pensamento se parece com o pênis. Não é por acidente que os escritos bíblicos dão ao ato sexual o nome de “conhecimento“... Sem excitação a inteligência permanece pendente, flácida, inútil, boba, impotente. Alguns há que, diante dessa inteligência flácida, rotulam o aluno de “burrinho“... Não, ele não é burrinho. Ele é inteligente. E sua inteligência se revela precisamente no ato de recusar-se a ficar excitada por algo que não é vital. Ao contrário, quando o objeto a excita, a inteligência se ergue, desejosa de penetrar no objeto que ela deseja possuir.

Os ditos “programas“ escolares se baseiam no pressuposto de que os conhecimentos podem ser aprendidos numa ordem lógica predeterminada. Ou seja: ignoram que a aprendizagem só acontece em resposta aos desafios vitais que estão acontecendo no momento (insisto nessa expressão “no momento“ – a vida só acontece “no momento“) da vida do estudante. Isso explicaria o fracasso das nossas escolas. Explicaria também o sofrimento dos alunos. Explicaria a sua justa recusa em aprender. Explicaria sua alegria ao saber que a professora ficou doente e vai faltar... Recordo a denúncia de Bruno Bettelheim contra a escola: “Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido o que eu deveria aprender – e aprender à sua maneira...“ Não há pedagogia ou didática que seja capaz de dar vida a um conhecimento morto. Somente os necrófilos se excitam diante de cadáveres.

Acontece, então, o esquecimento: o supostamente aprendido é esquecido. Não por memória fraca. Esquecido porque a memória é inteligente. A memória não carrega conhecimentos que não fazem sentido e não podem ser usados. Ela funciona como um escorredor de macarrão. Um escorredor de macarrão tem a função de deixar passar o inútil e guardar o útil e prazeroso. Se foi esquecido é porque não fazia sentido. Por isso acho inúteis os exames oficiais (inclusive os vestibulares) que se fazem para avaliar a qualidade do ensino. Eles produzem resultados mentirosos por serem realizados no momento em que a água ainda não escorreu. Eles só diriam a verdade se fossem feitos muito tempo depois, depois do esquecimento haver feito o seu trabalho. O aprendido é aquilo que fica depois que tudo foi esquecido... Vestibulares: tanto esforço, tanto sofrimento, tanto dinheiro, tanta violência à inteligência... O que sobra no escorredor de macarrão, depois de transcorridos dois meses? O que restou no seu escorredor de macarrão de tudo o que você teve de aprender? Duvido que os professores de cursinhos passem nos vestibulares. Duvido que um professor especialista em português se saia bem em matemática, física, química e biologia... Eles também esqueceram. Duvido que os professores universitários passem nos vestibulares. Eu não passaria. Então, por que essa violência que se faz sobre os estudantes?

Ah! Piaget! Que fizeram com o seu saber? Que fizeram com a sua sabedoria? É preciso que os educadores voltem a aprender com os moluscos...
(Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 17/02/2002)

http://www.rubemalves.com.br/sobremoluscosehomens.htm

Escrito por mauricio às 22h01
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando

Forte Apache.

Era um brinquedo muito conhecido.

Quanto brincar com os indios e os soldadinhos. Existia um soldadinho montado num cavalo branco empinando...

 

Fotos do Mofolandia.



Escrito por mauricio às 21h57
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA ADITAL

A crise econômica e o ‘pós-neoliberalismo’

Jung Mo Sung *

Adital -
A atual crise, que já não é meramente financeira, mas já atingiu a dita "economia real", é de tal magnitude e profundidade que está obrigando até os mais convictos neoliberais a rever suas posições. Isso se tornou público em escala mundial quando o ex-presidente Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greespan, admitiu na Câmara dos Deputados que havia se equivocado na sua crença sobre a capacidade do mercado resolver os problemas econômicos sem intervenção ou regulação governamental.

É claro que ainda sobram neoliberais fundamentalistas que preferem negar a realidade em nome reafirmação dos seus dogmas. Mas, parece que a doutrina/ideologia neoliberal não será mais a hegemônica na globalização econômica, abrindo espaços para regulação e intervenção estatal ou de organismos internacionais multilaterais na economia e no mercado financeiro. Pelo menos por alguns anos.

Essa perspectiva nos levanta diversas questões, das quais quero tratar de duas.

Na época em que a ideologia neoliberal reinava quase que absolutamente, a grande discussão era (ou, ainda é em certos setores): mercado livre X intervenção e regulação estatal na economia. O declínio do neoliberalismo nos coloca uma nova questão. Não mais o dualismo "mercado livre X intervenção", mas que tipo de intervenção estatal/multilateral nas economias nacionais e global e em que direção?

No momento não há nenhuma perspectiva de uma intervenção ou dinâmicas sociais que altere de modo radical e profundo o sistema capitalista. Isto significa que a ordem econômica e social que resultará da "solução" da crise será algum tipo ou forma de capitalismo. Se ela será melhor ou pior, em termos humanos e sociais para a grande maioria da população mundial, dependerá das intervenções e o modo como a crise e a sua "solução" irão evoluir.

Uma intervenção que tenha como objetivo somente "salvar" o sistema financeiro e colocar a economia de volta aos "trilhos" do atual processo de globalização seria apenas substituir a ideologia neoliberal por uma outra, mantendo quase que inalterada a lógica da expansão imperial do atual sistema capitalista. Isto é, a lógica da expansão e exploração capitalista continuaria seguindo o seu rumo, substituindo somente a doutrina/ideologia a serviço da elite mundial.

Outra possibilidade seria aproveitar essa crise para repensar o papel do Estado e da sociedade civil na sua relação com o mercado. Ir além das intervenções do Estado na economia para salvaguardar o sistema econômico, em direção à construção de uma sociedade capaz de garantir de modo concreto os direitos sociais para todas as pessoas. Para isso, os movimentos sociais e os "intelectuais orgânicos" deveriam levantar as questões de fundo que estão por trás dessa crise e propor as grandes metas sociais que devem guiar as discussões sobre a economia, no atual momento da crise aguda e também nos momentos seguintes. Isto é, retomar a economia como economia política (nome original do que hoje se conhece como economia ou ciência econômica) e repensar o Estado e os governos como instâncias mediadoras e garantidoras dos direitos humanos e sociais de toda a população.

Nesta luta, surge uma tarefa urgente para intelectuais orgânicos, intelectuais acadêmicos ou não que fazem suas reflexões articuladas ou em favor das lutas populares e sociais: a elaboração de um novo pensamento e discurso crítico do capitalismo. Nos últimos 25 anos, o principal foco das críticas foi o neoliberalismo. Alguns teólogos da libertação contribuíram de modo decisivo com a formulação de categorias como "idolatria do mercado" para desvelar e critica a absolutização do mercado feito por neoliberalismo. Podemos dizer que uma boa parte da esquerda cristã na América Latina foi influenciada por este tipo de pensamento na sua luta. (Em alguns casos, até ocorreu quase uma identificação do neoliberalismo com o próprio capitalismo.)

As ações dos governos dos países capitalistas mais ricos e o rumo que está tomando o debate econômico sobre a atual crise mostram que novos discursos legitimadores (pós-neoliberais) do capitalismo estão sendo ou serão construídos. Novas realidades e novas formas de legitimação das dominações e injustiças do capitalismo exigem de nós a reformulação do nosso discurso crítico e também das propostas e ações sociais concretas. Uma tarefa importante para aqueles/as comprometidos com o cristianismo de libertação e com as propostas originais da teologia da libertação.


(Autor de "Cristianismo de Libertação: espiritualidade e luta social", Ed. Paulus).

* Professor de pós-grad. em Ciên

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35728



Escrito por mauricio às 20h10
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

O jornalismo de pegadinha

O subjornalismo tem diversas vertentes.

Há um tipo de jornalismo de intriga. Tome-se uma entrevista de alguém, selecione-se uma frase que possa passar a impressão de estar criticando outra pessoa, e dê destaque. Depois, repercuta com a pessoa supostamente criticada.

Há o jornalismo futebolista, que transforma qualquer evento, por mais insignificante que seja, em peleja, com um vencedor e um derrotado.

Ultimamente floresceu o jornalismo dicionário, preocupadíssimo em levantar erros de português em declarações de autoridades.

E há o jornalismo de “pegadinha”. Consiste em pegar uma entrevista de uma pessoa, separar uma palavra específica do contexto, dar-lhe a interpretação indevida. E, depois, tratar os esclarecimentos como se fossem “recuo” ou “desmentido”.

É o caso típico dessa discussão bizantina em torno da “ajuda” do BNDES às empresas que perderam com o subprime brasileiro.

O presidente do BNDES Luciano Coutinho disse que o banco estaria atento a esses problemas – especialmente de empresas com repercussão sobre cadeias produtivas.

Em nenhum momento falou em “ajuda”, em “operação hospital”, em “subsídios”. Pelo contrário: falou em capitalização das empresas pelo valor de mercado (isto é, depreciado). Significa adquirir ações – na baixa, se de empresas em dificuldades – para garantir o retorno ao banco quando a empresa se recuperar.

Falou mais. Que o banco aproveitaria essas capitalizações para induzir as empresas a saltos de governança corporativa e modernização de gestão.

Não adiantou. Uma ação não paternalista foi dividida em dois blocos opostos, ambos dando mote a críticas. O primeiro bloco foi o mote da “operação hospital”, ignorando-se que seria através de compra de ações depreciadas. O segundo bloco foi o da “estatização”, ignorando-se que compra de ações desmentia a tese da "operação hospital".

Aí vem o Ministro da Fazenda Guido Mantega reiterar que o governo não vai “ajudar” especuladores. Coutinho esclarece, mais uma vez, que o BNDES não é hospital e que as operações, se ocorrerem, seguirão estritamente procedimentos de mercado.

Agora, as manchetes falam em “desmentido”, “recuo”e coisas do gênero.

Esse tipo de jornalismo de “pegadinha” já cansou.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 19h54
[] [envie esta mensagem
] []





DO NONSENSE

Inocente até prova em contrário

A Polícia Militar afastou o coronel Eliseu Leite Moraes do comando do inquérito sobre a ação do Gate no seqüestro da adolescente Eloá, morta pelo namorado após ser mantida como refém por mais de 100 horas em sua casa, em Santo André. Tudo por conta de uma declaração do coronel, dada antes mesmo do inquérito ser instaurado.

- Não há nenhum indicador de que eles tenham cometido nenhuma ação grave, muito pelo contrário, eles estavam ali para proteger. Não houve erro. A finalidade do Gate é preservar a vida.

Afinal, para que inquérito se já se tem a resposta?


Publicado por Luiz Antonio Ryff

http://www.laryff.com.br/



Escrito por mauricio às 19h50
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO ALON

Do trágico ao ridículo (28/10)

De Kennedy Alencar hoje na Folha de S.Paulo:

Lula pede, mas banco não eleva crédito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com grandes banqueiros na semana passada para pressioná-los a abrir as torneiras do crédito. Ouviu respostas desanimadoras. Segundo a Folha apurou, os grandes bancos disseram que a prioridade, no momento, é construir um "muro de liquidez" -ação preventiva e de sobrevivência no médio e longo prazo em relação à crise econômica mundial, que estrangula o crédito e as empresas. Lula ficou contrariado, segundo relato de integrantes da equipe econômica. Os grandes bancos aumentaram muito o grau de seletividade para concessão de crédito. A maior parte do dinheiro que entra via redução do compulsório após medidas do Banco Central não retorna ao mercado sob a forma de empréstimo. Receosos em emprestar e preocupados em manter sua solidez num momento de grandes incertezas, os grandes bancos seguram em caixa os recursos e aplicam nos títulos do próprio governo, atraídos por uma taxa básica de juros (Selic) de 13,75% ao ano. A Folha apurou ainda que os maiores bancos privados do Brasil têm também procurado se capitalizar para, caso apareça uma oportunidade de compra estratégica de carteiras ou de instituição, terem recursos em caixa para a operação. Ou seja, a liberação condicionada de estimados R$ 50 bilhões do compulsório (parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a recolher no BC), deixando mais recursos livres para empréstimos, tem tido pouco efeito prático.


Leia a íntegra da reportagem. Bem, o compulsório agora liberado para os bancos não é dinheiro deles, é dinheiro dos clientes. E, em vez de emprestar para fazer a roda girar, os bancos preferem aplicar em títulos do governo e manter as arcas cheias para irem às compras e concentrar ainda mais o mercado. Quanto ao primeiro aspecto, calcule você mesmo quanto o banco ganha recebendo a Selic por uma grana que não lhe custou nada. É filé sem osso. Quanto ao segundo, note que o dinheiro das pessoas e das empresas está retido nos bancos para dar mais poder ainda aos próprios. É o caso de perguntar: além de uns telefonemas, o presidente da República vai fazer mais o quê?

Passemos a analisar a oposição. Do Painel de hoje, na mesma Folha:

Onde pega. PSDB e DEM reúnem suas bancadas hoje no Senado para propor ajustes na MP 443. No caso dos "demos", foi acertada a apresentação de emenda que impede a Caixa de comprar empresas -leia-se, construtoras- em crise. Os "liberais" preferem socorro do Tesouro.

A oposição gosta de elevar o tom de voz quando se trata de exigir contrapartidas do pobre que recebe um dinheirinho do Bolsa Família. São as tais "condicionalidades". Leia Ninguém é idiota por ser pobre. Leia também Foi mal na escola? Cuidado com o seu Bolsa Família. Já para os ricos, o certo é distribuir recursos do Tesouro sem que o Estado receba as necessárias garantias de que terá o dinheiro de volta. Se o Estado vai capitalizar uma empresa, é razoável que ele se torne acionista. Se o empresário não estiver satisfeito com as condições, que procure outras fontes de capitalização, talvez movidas pela benemerência, pela filantropia. Como visto acima, os bancos estão segurando o dinheiro. Que não é deles. Por isso, os empresários querem que o governo faça o que os bancos se recusam a fazer. Mas os empresários não aceitam oferecer garantias de que o governo vai ter de volta o dinheiro público usado para ajudá-los. De que lado estão o PSDB e o Democratas? Do lado das empresas. Recapitulando. O presidente da República dispara telefonemas suplicantes aos banqueiros, pedindo que emprestem ao público o dinheiro que é do público. Recebe como resposta um "não". Entrementes (essa você não ouvia há tempos), a oposição se mobiliza no Congresso Nacional e quer liberar dinheiro do Tesouro à vontade para as empresas, sem exigir contrapartidas ou garantias. Isso acontece enquanto os principais porta-vozes da oposição clamam na imprensa por reformas que reduzam os benefícios da Previdência Social e a remuneração dos funcionários públicos. Tudo em nome da "contenção de gastos".

Se não fosse trágico, seria apenas ridículo.

http://twitter.com/alonfe

por Alon Feuerwerker


Escrito por mauricio às 19h33
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA ADITAL

Crise de humanidade

Leonardo Boff *

Adital -
A crise econômico-financeira, previsível e inevitável, remete a uma crise mais profunda. Trata-se de uma crise de humanidade. Faltaram traços de humanidade mínimos no projeto neoliberal e na economia de mercado, sem os quais nenhuma instituição, a médio e longo prazo, se agüenta de pé: a confiança e a verdade. A economia pressupõe a confiança de que os impulsos eletrônicos que movem os papéis e os contratos tenham lastro e não sejam mera matéria virtual, portanto, fictícia. Pressupõe, outrossim, a verdade de que os procedimentos se façam segundo regras observadas por todos. Ocorre que no neoliberalismo e nos mercados, especialmente a partir da era Thatcher e Reagan, predominou a financeirização dos capitais. O capital financeiro-especulativo é da ordem de 167 trilhões de dólares, enquanto o capital real, empregado nos processos produtivos (por volta de 48 trilhões de dólares anuais). Aquele delirava na especulação das bolsas, dinheiro fazendo dinheiro, sem controle, apenas regido pela voracidade do mercado.  Por sua natureza, a especulação comporta sempre  alto risco e vem submetida a desvios sistêmicos: à ganância  de mais e mais ganhar, por todos os meios possíveis.

Os gigantes de Wall-Street eram tão poderosos que impediam qualquer controle, seguindo apenas suas próprias regulações. Eles contavam com as informação antecipadas (Insider Information), manipulavam-nas, divulgavam boatos  nos mercados, induziam-nos a falsas apostas e tiravam dai grandes lucros. Basta ler o livro do mega-especulador George Soros A crise do capitalismo para constatá-lo, pois ai conta em detalhes estas manobras que destroem a confiança e a verdade. Ambas eram sacrificadas sistematicamente em função da ganância dos especuladores. Tal sistema tinha que um dia ruir, por ser falso e perverso, o que de fato ocorreu.

A estratégia inicial norte-americana era injetar tanto dinheiro nos "ganhadores" (winner) para que a lógica continuasse a funcionar sem pagar nada por seus erros. Seria prolongar a agonia. Os europeus, recordando-se dos resquícios do humanismo das Luzes que ainda sobraram, tiveram mais sabedoria. Denunciaram a falsidade, puseram a campo o Estado como instância salvadora e reguladora e, em geral, como ator econômico direto na construção na infra-estrutura e nos campos sensíveis da economia. Agora não se trata de refundar o neoliberalismo, mas de inaugurar outra arquitetura econômica sobre bases não fictícias. Isto quer dizer, a economia deve ser capítulo da política (a tese clássica de Marx), não a serviço da especulação, mas da produção e da adequada acumulação. E a política se regerá por critérios éticos de transparência, de equidade, de justa media, de controle democrático e com especial cuidado para com as condições ecológicas que permitem a continuidade do projeto planetário humano.

Por que a crise atual é crise de humanidade? Porque nela subjaz um conceito empobrecido de ser humano que só considera um lado dele, seu lado de ego. O ser humano é habitado por duas forças cósmicas: uma de auto-afirmação sem a qual ele desaparece. Aqui predomina o ego e a competição. A outra é de integração num todo maior sem o qual também desaparece. Aqui prevalece o nós e a cooperação. A vida só se desenvolve saudavelmente na medida em que se equilibram o ego com o nós, a competição com a cooperação. Dando rédeas só à competição do ego, anulando a cooperação, nascem as distorções que assistimos, levando à crise atual. Contrariamente, dando espaço apenas ao nós sem o ego, gerou-se o socialismo despersonalizante e a ruína que provocou. Erros desta gravidade, nas condições atuais de interdependência de todos com todos, nos podem liquidar. Como nunca antes, temos que nos orientar por um conceito adequado e integrador do ser humano, por um lado individual-pessoal com direitos e por outro social-comunitário com limites e deveres. Caso contrário, nos atolaremos sempre nas crises que serão menos econômico-financeiras e mais crises de humanidade.

* Teólogo

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35694
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35694



Escrito por mauricio às 23h38
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

O mercado destravando?

Coluna Econômica - 27/10/2008

Para entender o imbroglio em torno das medidas de combate à crise financeira global:

1. A crise explodiu quando o mercado se deu conta de que bancos e empresas estavam com os chamados “ativos tóxicos” – títulos de baixo ou nenhum valor. O Secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson constatou que a saída seria o Tesouro adquirir esses títulos do mercado, limpando a área.

2. Só que para usar dinheiro público, teria que haver uma precificação (definição de preços) dos títulos. Fazendo isso, os bancos teriam que lançar os valores em balanço e grande parte deles se veria quebrado.

3. Para contornar esse problema, o Tesouro e o FED (o Banco Central norte-americano), assim como o Banco Central Europeu, decidiram recapitalizar os bancos – isto é, usar dinheiro público para comprar ações dos bancos – e prestar garantias para afastar o temor de quebra.

4. Completado o ciclo, os papéis tóxicos continuaram circulando no mercado. E, como ninguém sabe quem está com os papéis, houve um trancamento do crédito. Os bancos se capitalizaram, mas ninguém quer emprestar para ninguém.

***

E o Brasil nessa?

Até agora não foi feito o mapeamento completo das empresas que entraram no cassino dos derivativos – as operações que vitimaram centenas de empresas. Há um conjunto de operações registrada na CETIP (Balcão Organizado de Ativos e Derivativos) e no Banco Central. Mas um volume não conhecido aplicado em bancos estrangeiros.

Essa interrogação travou o mercado interno de crédito.

No caso das linhas internacionais, depois do leilão de US$ 1 bilhão do Banco Central, o Banco do Brasil começou a destravar os financiamentos. Na quinta-feira liberou US$ 300 milhões em ACCs pelo prazo de 180 dias, segundo me informou o presidente do BB, Lima Neto.

***

Outros bancos não entraram na operação, por não terem adquirido os dólares. A razão foi a exigência do Banco Central de exigir nos chamados “colaterais” (garantias) títulos de dívida externa brasileiros no dobro do valor dos dólares adquiridos.

Agora a idéia será substituir as garantias pelos próprios contratos de ACC, explica Nelson Barbosa, do Ministério da Fazenda. Com isso, cria-se um moto contínuo capaz de irrigar a economia.

***

Ainda não se resolveu o problema do financiamento agrícola no centro-oeste. Lá, as tradings recebiam os ACCs e repassavam para os agricultores. Essa fonte secou. Mas o governo planeja alternativas para a próxima semana.

A área econômica sabe que há ansiedade para que as medidas saiam rapidamente. Mas há um problema técnico e operacional que não é trivial. O mundo mudou, diz Barbosa, e todos os bancos centrais terão que se adaptar às novas práticas.

De qualquer modo, Barbosa sente que o mercado de crédito externo começa a destravar. Os bancos passaram a reemprestar, ainda que em ritmo lento. A queda das bolsas mundiais, nas sexta-feira, foi fruto muito mais das previsões de recessão mundial do que de travamento do mercado.

Mas um ponto fica claro: não haverá como o Brasil não sentir os efeitos da recessão mundial.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/6



Escrito por mauricio às 23h35
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Das críticas a Lula

Há tempos venho alertando que a eclosão da crise econômica mundial e seus reflexos sobre a economia brasileira mudaria o tom da campanha política.

O curioso na história é que os maiores erros de Lula, um dos quais a política monetária irresponsável do Banco Central, foram endossados pela oposição. O bordão cansativamente repetido era a de que a melhor parte do governo Lula era a política do Banco Central, herdada de FHC. Não era isso?

Por não poder criticar os erros essenciais - apoiados por ela e pela mídia aliada - foca nos erros periféricos ou em críticas erradas.

O que se tem, hoje, é a seguinte salada:

1. Lula está minimizando a crise.

CRÍTICA FALSA. Muito do que ocorrerá no próximo ano dependerá das expectativas empresariais formadas agora. O presidente ter um discurso otimista é fundamental para ajudar a segurar a peteca. Obviamente é erro falar em “marolinha”. Tem que se admitir o tamanho do tsunami e continuar otimista.

2. A vulnerabilidade externa provocada pelo Banco Central – com o respaldo de Lula – vai ter um impacto pesado na atividade econômica.

CRÍTICA CORRETA – em todos os momentos Lula endossou a política irresponsável do BC, de apreciação cambial, de commoditização das exportações e de criação de déficit em transações correntes.

3. O subprime brasileiro é uma criação de Lula.

CRÍTICA CORRETA – Para reduzir a grita das grandes exportadoras, o BC criou essa excrescência do swap reverso e permitiu essa loucura do exportador ganhar no financeiro com a apreciação do real, para compensar as perdas no econômico. Tudo bancado pelo Tesouro. Meses atrás foi alertado para o risco de um estouro, mas não agiu.

4. Lula vai criar uma operação-hospital para salvar especuladores, em vez de aplicar recursos em novos investimentos.

CRÍTICA FALSA – o que rende mais para o país: impedir que uma empresa já em operação quebre ou financiando uma nova empresa? É evidente que a primeira alternativa é a melhor do ponto de vista custo-benefício. Desde que se beneficie a empresa, mas não os seus acionistas e gestores.

5. Lula vai promover uma estatização no país, ao permitir a compra de ações de bancos e empresas por empresas públicas.

CRÍTICA FALSA – o governo poderia dar dinheiro a fundo perdido (seria a típica operação-hospital), poderia encampar as empresas (seria estatização) ou poderia ajudar em troca de ações da empresa, sem mexer no seu controle. É evidente que a terceira alternativa é a que melhor preserva os interesses do país, ao permitir ao BNDES (ou CEF) ajudar, adquirir ações a um preço barato para revendê-las, mais tarde, valorizadas.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 23h31
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

Real, de objeto de desejo a mico

O desmonte das posições alavancadas dos fundos de hedge (lá fora e aqui dentro) e de outras aplicações está em curso, mas ainda não terminou a queima de ativos sem lastro. Por conta da busca por liquidez e da fuga para o dólar (e para o iene), outras moedas estão começando a derreter. Deu no alto da primeira página do “The New York Times” do sábado que a lista inclui moedas de economias emergentes, como Brasil, Ucrânia e Coréia do Sul, e até mesmo de países industrializados, caso da Inglaterra (ver aqui, em inglês).

É grande a preocupação com esse movimento. Tão grande que já está sendo aguardada, para os próximos dias, mais uma intervenção do Fed e de bancos centrais de países desenvolvidos. Desta vez, o objetivo seria vender dólares (e ienes) para conter o avanço da moeda americana (e da japonesa) alta e estabelecer um piso para as moedas emergentes sob pressão.

Intervenções de bancos centrais dos países ricos em mercados de moeda são relativamente raras. A última vez que o Fed interveio no mercado de moedas foi em setembro de 2000, quando, em coordenação com o Banco Central Europeu e o Banco do Japão, socorreu o euro. Antes disso, houve uma intervenção em junho de 1998, durante a crise da Ásia.

A preocupação com as conseqüências do desmonte de posições, principalmente nos fundos de hegde, por natureza os mais alavancados,  atravessou o Atlântico. Na medida em que o Brasil, com suas taxas de juros exorbitantes e sua moeda supervalorizada, atraiu enorme massa de capital de arbitragem, o real e papéis de empresas brasileiras, sobretudo os originários de lançamentos iniciais (IPO) recentes, passaram a figurar entre as vítimas preferenciais da queima de ativos.

Não é à toa que tem gente em Brasília com o coração na mão. Tomara que suas expectativas não se confirmem.

* * *

Do ponto mais baixo de sua cotação frente o dólar, no comecinho de agosto, até o fechamento do mercado na sexta-feira, 24 de outubro, o real sofreu uma desvalorização de quase 50%. É algo semelhante, ainda que em proporções por enquanto apenas ligeiramente menores, ao ocorrido na mudança do regime cambial, nos primeiros meses de 1999.

Falar nisso, o que será que aconteceu com o investimento do lendário Warren Buffet no real, que ele tanto alardeou? Será que o guru dos investimentos se desfez da posição na moeda brasileira antes dessa maxidesvalorização? Ou será que ficou com o mico?

 

Atualizado às 16h50

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 23h29
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

Serra, Kassab & Cia. Ilimitada

Os pobres, ou ex-pobres, se tomarmos em conta os milhões de brasileiros que cruzaram o linha da pobreza para cima, estão cada vez mais cobrando voz na política. É a sua presença que vai definir o cenário futuro, é a força da sua maré que vai terminar de afundar a teoria da pedra no lago.

Visto de longe, o Brasil saiu mais petista e mais peemedebista desta eleição em dois turnos, e menos pessedebista e menos dem também.
Não fosse a vitória de Kassab, o DEM ficaria anêmico. Também não fora a vitória de Kassab, o PSDB também não teria grande coisa a festejar. A imprensa conservadora e seus analistas também.

A partir daí quer-se construir o discurso da vitória de Serra como o grande passo desta eleição. As premissas desse discurso são: só o que acontece nas maiores metrópoles é relevante; só o Brasil das grandes metrópoles é relevante; só o que acontece com Serra é relevante. Essas análises permanecem ainda aferradas ao modelo de pensamento da pedra no lago, dos círculos concêntricos que se espalham, que o eleitor dos grandes centros do sudeste vale mais do que o das outras regiões do país, etc.

Porque Serra precisa ser ungido como o moinho de vento diante do qual os quixotescos petistas, ou lulistas, ou o que forem, serão desapeados de seus Rocinantes. Pois assim essa leitura vê os eleitores que votam à esquerda, com Lula ou sem Lula: como Rocinantes montados por Quixotes.

Há várias considerações a fazer. O PMDB saiu muito fortalecido nas eleições, embora não tenha definido uma liderança nacional. Vai cobrar um possível apoio a um candidato lulista em 2010. O PT cresceu muito, talvez, proporcionalmente, entre os grandes partidos, tenha sido o que mais cresceu. Houve casos relevantes para a análise.

Por exemplo: tão importante quanto fazer a análise de por que Maria do Rosário perdeu em Porto Alegre, se possível sem dedos apontados para o linchamento, é fazer a análise de porque o PT ganhou em quase todo o cordão de cidades vizinhas que pertencem à grande Porto Alegre. Ao contrário de antes, quando era um bastião vermelho, a capital gaúcha agora está cercada por um anel rubro. Para além da questão dos acertos e erros de campanha, que são cruciais, é preciso chegar até a análise social do que está acontecendo no país e em suas diferentes regiões.

Outro exemplo: sim, Sérgio Cabral sai engrandecido com a vitória de Eduardo Paes e a derrota do neo-udenismo de Gabeira. Mas deve-se analisar qual o papel, nessa vitória, da crônica impossibilidade da esquerda carioca colocar uma plataforma e candidaturas viáveis, unindo-se em torno delas, e não apenas se concentrando na defesa de seus nichos.

No caso de S. Paulo, sim, de certo modo Serra venceu. Ou seja, derrotou Alckmin na disputa interna do PSDB, empurrou FHC mais para a sombra, e tornou-se o líder desse partido e, portanto, o cabeça-de-chave da direita nacional. Agora, atribuir a seco a vitória de Kassab ao empurrão de Serra é desconhecer pelo menos um fator preponderante nessa vitória: o próprio Kassab. Kassab obteve uma vitória contundente em S. Paulo capitalizando sim o anti-petismo que viceja na comarca paulistana, mas também porque sua administração avançou em alguns territórios que em outras eleições votaram em peso na ex-prefeita Marta Suplicy. E fez isto porque se afastou de balizas da gestão de Serra na prefeitura, fazendo uma administração mais “populista”, se me permitem tomar o jargão que a direita usualmente quer pendurar na esquerda.

Portanto, para se buscar uma visão que balize a discussão do resultado e da resultante, isto é, a eleição de 2010, é preciso ir além do tabuleiro político em sentido estrito, e se ver como estão se (re)alinhando as forças sociais que esse tabuleiro representa. Os pobres, ou os ex-pobres, se também tomarmos em conta os milhões de brasileiros que cruzaram o linha da pobreza para cima, estão cada vez mais cobrando voz na política. É a sua presença que vai definir o cenário futuro, é a força da sua maré que vai terminar de afundar a teoria da pedra no lago. Mas isso não significa, necessariamente, uma votação mais à esquerda. Se não houver trabalho de aproximação contínua com essa nova paisagem brasileira, periga ela tornar-se conservadora. A crise e seus efeitos vão dar a nota toante nos próximos tempos, junto com as propostas para enfrentar seus problemas, e o modo de explicitá-las.


Flávio Aguiar é editor-chefe da Carta Maior.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4017



Escrito por mauricio às 22h11
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

Eleição aponta reaglutinação do conservadorismo sob Serra

A disputa presidencial de 2010, que estava latente, agora invade o tabuleiro da política brasileira com uma clivagem de forças cada vez mais definida e agressiva. A velocidade dessa reaglutinação que antecipa a luta pelo poder será vitaminada pelo desenrolar da crise mundial nos próximos meses. O processo eleitoral de 2008 terminou com uma clara reaglutinação do conservadorismo sob as asas do tucano José Serra.

1. O processo eleitoral de 2008 termina com clara reaglutinação do conservadorismo brasileiro sob as asas do tucano José Serra.

2. A disputa presidencial de 2010, que estava latente, agora invade o tabuleiro da política brasileira com uma mistura de forças cada vez mais definida e agressiva. A velocidade dessa reaglutinação será vitaminada pelo desenrolar da crise mundial nos próximos meses.

3. O agravamento do quadro internacional, seus desdobramentos inevitáveis no país, apressará a identificação, no plano econômico, da clivagem de projetos que a partir de agora assume visibilidade incontestável no plano político. Estreitou, portanto, a arena dentro da qual o governo Lula conduzia sua liderança (e seu projeto econômico) de maneira quase incontestável, tanto no âmbito da sociedade quanto no manejo do leque parlamentar.

4. O conservadorismo nativo, que sempre bajulou José Serra mas tinha dúvidas sobre sua liderança no tucanato - contingenciada desde sempre por Fernando Henrique Cardoso, que se torna figura crepuscular no partido com a derrota de Alckmin e a vitória de Kassab em SP - tentará agora fazer da crise seu cabo eleitoral para extrair daí um projeto "mudancista" para 2010.

5. Empalmar o cetro da "mudança" não será tarefa fácil. A frente PSDB-DEM (PFL) desde sempre se posicionou como o patrono nativo e o ventríloco ideológico mais aguerrido da ressurreição do laissez-faire e o correspondente rebaixamento da dimensão pública da vida em todas as suas esferas, da economia à política, da cultura à subjetividade. Foi esse trator privatista que implodiu agora levando o sistema capitalista mundial a uma crise só equiparável a de 29 - ou pior, como diz o economista François Chesnais em palestra recente transcrita por Carta Maior.

6. O governo Lula que compreensivelmente tem procurado conduzir o enfrentamento da crise à frio, ou seja, sem evidenciar a disputa política que ela encerra, dificilmente manterá sua hegemonia no processo se a partir de agora não incorporar ao seu arsenal a derrota - e as conseqüências incontornáveis que ela traz - da plataforma abraçada até hoje pelo conservadorismo tucano/demo, a saber, o ideário do chamado Consenso de Washington.

7. A omissão do governo apenas facilitará a reanimação conservadora, que enfrentará por seu lado o mais duro teste de qualquer força política: realizar uma baldeação ideológica para se livrar, ao menos epidermicamente, da ruína que o seu ideário está produzindo e continuará a produzir no planeta nos próximos anos. Igual adversidade enfrentará sua nova liderança, o governador José Serra. Supostamente uma dissidência desenvolvimentista dentro do PSDB, Serra terá que exercitar inimagináveis malabarismos - claro que nisso terá o apoio obsequioso da mídia - para encontrar o ponto de amálgama entre a sua propalada visão econômica e os interesses da base composta por financistas, ruralista e de endinheirados da classe média vocalizados pelo bunker de direita, em nome do qual foi ungido o general-de-guerra da luta contra Lula, o PT e as forças de esquerda.

8. O cenário da semana que se inicia já será marcado pela movimentação submersa dessas variáveis. Com base nelas o governo terá que tomar decisões e assumir riscos políticos com densidade para montar uma estratégia capaz de:

a) destravar o crédito que continua paralisado;

b) forçar um acordo entre bancos e empresas que permita repartir prejuízos de até US$ 40 bi em operações especulativas com o dólar futuro;

c) estabilizar a taxa de câmbio, fator crucial para o cálculo econômico;

d) evitar nova alta dos juros no COPOM;

e) criar um consenso de forças políticas amplas (partidos, movimentos sociais e sindicatos) sobre a expansão do investimento público para evitar a recessão. Se fracassar nesses desafios uma safra de ações jurídicas, -com insolvências de bancos e empresas - afetará a vida econômica do país adicionando velocidade à luta pelo poder na sociedade.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15331



Escrito por mauricio às 22h07
[] [envie esta mensagem
] []





DO IHU

UM ÚNICO MANDAMENTO, UM ÚNICO AMOR.

O evangelho deste dia nos apresenta um confronto de Jesus com os fariseus. Uma vez mais precisamos nos situar no contexto da época para entender melhor a palavra de Jesus.

Existiam entre os rabinos diferentes tendências sobre o que era o eixo da Lei. A mesma que tinha surgido para “custodiar” a Aliança entre Deus e seu povo, convertera-se numa carga pesada para ele.

Constava de 613 mandamentos, 365 formulados negativamente: “não pode isso, não pode aquilo”, e 248 formulados de maneira positiva: “faça tal coisa... cumpra isso ou aquilo..”. Era um detalhismo sem fim.

Por isso, alguns rabinos consideravam que era necessário simplificar a Lei e procurar-lhe um princípio central, uma chave de interpretação.

Os que perguntam: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”, consideravam que o resumo da Lei era a observância do sábado, o qual se tinha convertido num dia lúgubre, cheio de prescrições que impediam as pessoas de se mobilizar, cozinhar, e até auxiliar ao necessitado.

Ao responder: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo,” Jesus dá como chave de interpretação da Lei, o amor a Deus e ao próximo, dando uma reviravolta na mentalidade da maioria dos judeus.

O que é para mim central na minha vida de fé? Se tivesse que resumi-la numa frase, qual escolheria?
 
Ao dizer que o segundo mandamento é semelhante ao primeiro, Jesus os unifica, não existe separação entre ao amor verdadeiro a Deus e ao próximo. O amor do evangelho tem como centro Deus e o ser humano, amores inseparáveis, que se fundem em um!

Diversos trechos do evangelho nos mostram essa unidade entre o amor a Deus e ao irmão/ã. O amor a Deus nos leva a amar o ser humano como Ele o ama.

Lembremos, por exemplo, do lava-pés. Ao terminar esse gesto supremo de amor e serviço, o Mestre disse: “assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros.” (Jo 13,34).

Assim como quando amamos ao ser humano, estamos amando a Deus, “todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos foi a mim que o fizeram.” (Mt 25,40).

Jesus levou à plenitude esse único amor ao Pai e seus filhos/as com sua vida, morte e Ressurreição.

Muitos discípulos e discípulas de Jesus têm vivido esse amor até as últimas conseqüências, manifestando sua fidelidade a Deus no seu compromisso com os homens e mulheres de seu tempo, doando generosamente sua vida para que todos/as possam viver a dignidade e liberdade de filhos/as de Deus.

Alguns foram assassinados porque sua opção pelos pobres e pela justiça incomodava interesses econômicos e políticos como foi o caso, de Dom Oscar Romero (bispo do Salvador), a da Ir. Dorothy. (Brasil).

Outros a entregaram até o fim como o Pe. Alberto Hurtado (Chile) ou a estão doando como Dom Luis Flavio, o bispo Desmond Tutu, premio prêmio Nobel da Paz e símbolo da luta contra o apartheid.

Estes são alguns nomes entre milhões, que fazem o reino de Deus crescer nesta terra, porque o eixo do reino de Deus é o amor filial a Deus e a solidariedade e justiça entre os homens e mulheres.

Assim como a vida de Jesus, a vida daqueles/as que vivem como ele são um convite a sacudir nossa passividade, a recuperar a indignação ética diante da situação injusta deste mundo chamado moderno e civilizado, e a voltar ao essencial da proposta de Jesus, do evangelho o mandamento ao Amor.
 

 
Oração

VENTO DE DEUS

Tu que sopras onde queres,
Vento de Deus dando vida,
sopra-me, sopro fecundo!
Sopra-me vida em teu sopro!
Faze-me todo janelas,
olhos abertos e abraço.
Leva-me em boa Notícia
sobre os telhados do medo.
Passa-me em torno das flores,
beijo de graça e ternura.
Joga-me contra a injustiça
em furação de verdade.
Deita-me em cima dos mortos,
boca-profeta a chamá-los.

Dom Pedro Casaldáliga

Referências

CNBB. Ele está no meio de nós! São Paulo: Paulinas, 1998.

KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da Liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia, 1981.

 

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_servicos&Itemid=38&task=detalhes&id=2



Escrito por mauricio às 12h46
[] [envie esta mensagem
] []





Domingo, 26 de outubro de 2008.

 

I Leitura (Êxodo 22, 20-26) 
 
 
 
Salmo de Resposta(18/17)
 
REFRÃO: Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.

 

II Leitura (1º Tessalonicenses 1, 5-10) 
 
  
 
Evangelho (Mateus 22, 34-40)
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus:

 - Naquele tempo, Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.

 - Palavra da salvação: Glória a vós Senhor! 



Escrito por mauricio às 12h45
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

A intransigência na greve

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MPT SOBRE A GREVE DOS POLICIAIS CIVIS

23-10-2008 15:28

Fonte: Assessoria de Comunicação

A Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região, por intermédio de sua Procuradora-Chefe, em decorrência das notícias veiculadas pela imprensa, nas últimas semanas, sobre a greve da Polícia Civil no Estado de São Paulo, vem esclarecer o que segue:

No início do mês de agosto do corrente ano, compareceram nesta Procuradoria representantes da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, que noticiaram a existência de organização das categorias vinculadas à Polícia Civil do Estado de São Paulo para a realização de greve, ainda naquele mês e solicitaram a atuação deste Órgão.
Tal fato confirmou-se com informações extraídas dos sítios na internet das entidades representativas da categorias.

Diante do risco iminente de paralisação, com graves prejuízos à população de São Paulo, o Ministério Público do Trabalho, por meio da Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região ajuizou Dissídio Coletivo de Greve, pleiteando a concessão de liminar para a manutenção de, ao menos, 80% (oitenta por cento) do efetivo trabalhando normalmente (Dissídio Coletivo TRT 2ª Região nº 20199.2008.000.02.00-7).

(...) Ocorre que o Estado de São Paulo, agindo com absoluta má-fé e sabendo da atuação desta Procuradoria na esfera Trabalhista, mesmo porque esta atuação foi por ele provocada, ajuizou ação versando sobre os mesmos fatos, no juízo cível (Processo TJ/SP nº 814.597.5/1-00), o qual declinou sua competência. Tão logo percebeu o Estado a pronta atuação da Justiça do Trabalho, prevendo decisão que lhe desfavorecia, levou o caso ao Supremo Tribunal Federal para que se pronunciasse sobre o aparente conflito de competência, já que os mesmos fatos estavam sendo conhecidos por dois Tribunais diferentes, o que não é verdade, tendo em vista a decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

O Supremo, nos autos da Reclamação 6568, houve por bem SUSPENDER a tramitação do Dissídio perante a Justiça do Trabalho, impedindo, consequentemente, qualquer atuação, tanto de esfera especializada, quanto desse MPT, provocando a greve.

Deflagrado o movimento, o Estado de São Paulo voltou a esse Órgão Ministerial para dar ciência do sucesso no STF e pediu a fiscalização do cumprimento da liminar obtida no Dissídio Coletivo de Greve, sob a alegação de que a liminar nele concedida foi nossa (MPT) e, apesar da alegada incompetência no STF, deveríamos fiscalizar seu cumprimento. Essa 2ª Procuradoria Regional do Trabalho manifestou-se, aduzindo que em processo suspenso qualquer atuação significaria descumprimento de ordem da Corte Suprema e que essa é que deveria indicar o caminho a ser seguido para a fiscalização, tendo em vista a suspensão da ação trabalhista.

A Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região esclarece, portanto, que não se considerou incompetente ou se recusou a atuar no caso da greve dos Policiais Civis do Estado de São Paulo. Ao contrário, atuou enquanto pôde, conseguindo, inclusive a decisão favorável, em sede de pedido liminar, para garantir a prestação de serviços à população. Posteriormente, porém, foi IMPEDIDA de atuar, pois o Dissídio por ela instaurado encontra-se suspenso, em decorrência de decisão do Supremo Tribunal Federal, movimentado pelo Estado de São Paulo.

Por Geraldo

Resposta ao artigo do Secretário Sidney Beraldo (clique aqui para ler o artigo).

Em relação ao item 4 do artigo, um dos projetos que o governo enviou a Assembléia Legislativa nesta semana trata da aposentadoria especial. O governo durante anos negou vigência a Lei Complementar Federal nº 51/85 (trata da aposentadoria especial dos policiais civis e federais) e alegava que não poderia legislar a respeito por lei estadual.

Agora que o STF está julgar um processo em que foi acatada a “questão de relevância” (Recurso Extraordinário 567110) e tudo indica vai dizer que a referida lei está em vigor, o governo estadual passa a entender que pode legislar sobre a matéria e envia o projeto.

No mesmo item 4, o secretário diz que houve no ano passado a incorporação do GAT (Gratificação por Atividade Policial). Ocorre que o GAT tinha valor fixo de R$ 100,00 e governo estava perdendo todas as ações (inclusive em segundo grau) em que se pleiteava seu pagamento aos aposentados.

Quanto ao adicional de local de exercício – ALE – o art. 4º do citado projeto de lei, assim dispõe: “Os policiais civis aposentados e os que vierem a se aposentar a partir da vigência desta lei complementar farão jus ao Adicional de Local de Exercício instituído pela Lei Complementar nº 696, de 18 de novembro de 1992, e alterações posteriores, na base de 50% (cinqüenta por cento) da média dos valores efetivamente percebidos nos 60 (sessenta) meses imediatamente anteriores de sua aposentadoria, a ser pago, em valor fixo, na razão de 1/10 (um décimo) por ano, até o limite de 10/10 (dez décimos)”. Este adicional é pago aos delegados de polícia em atividade da seguinte maneira: cidades até 200 mil habitantes – R$ 1.008,00; entre 200 até 500 mil – R$ 1.226,00; e acima de 500 mil – R$1.575,00.

Após um grande esforço interpretativo – pois a redação é tortuosa - depreende-se que um delegado de polícia ao se aposentar após 60 meses recebendo um ALE (Adicional de Local de Exercício) de, por exemplo, R$ 1.008,00 incorporará a sua aposentadoria aproximadamente R$ 50,00 a cada ano subseqüente a ela, até que após 10 anos como aposentado, totalize os 10/10, ou seja, R$ 500,00.

Cabe ressaltar que se o delegado de polícia da ativa, hoje entrar em licença médica ou morrer e a doença ou morte não ser fruto de lesão sofrida em serviço ou em razão do exercício da função ou doença profissional, ele ou seus familiares deixarão de receber o citado ALE, ou seja, não pode, por exemplo, contrair um câncer ou sofrer um acidente sem vínculo com o trabalho.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 16h11
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Estilo Folha

Por Pedro

Um tema para reflexão:

Tiitulo de matéria FSP página B4 (caderno Dinheiro)

Eleitores brasileiros crêem em retorno da inflação e economia pior, diz Datafolha.

Qdo se análisa os números da pesquisa sobre a situação econômica do pais:

30% acham que vai piorar
39% acham que vai ficar como está
26% acham que vai melhorar
5% não sabem

Ou não sei fazer conta, ou a soma de 39 e 26 (65) é maior que 30.

Estão querendo criar pânico? é jogada politica da FSP? ou interesses economicos escondidos?

Na capa tinha uma chamada com titulo semelhante e apresentando o número de 30%.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 16h05
[] [envie esta mensagem
] []





DO CORREIO DA CIDADANIA

Peço desculpas      

 

Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, de economias familiares, o capital de seus empreendimentos.

 

Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.

 

Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos – os economistas neoliberais – saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés.

 

Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade. Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.

 

Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização. Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me.

 

Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante.

 

Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.

 

Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos. Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período. Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação. Para contê-la, o governo subiu os juros e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.

 

Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou. Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro. Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.

 

Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado! Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores. Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão, portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e precisarão repensar suas políticas econômicas.

 

Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.

 

Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência. Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.

 

Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.

 

Frei Betto é escritor, autor de "Cartas da Prisão" (Agir), entre outros livros.

 

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2494/55/

Escrito por mauricio às 15h54
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO ALON

Dentro e fora do jogo (24/10)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

Até os móveis antigos do Palácio da Liberdade e os corredores sombrios do Bandeirantes sabem que FHC não mandaria nada num eventual governo tucano comandado por Serra ou Aécio

Por Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

Veremos se o fogo verbal do governador da Bahia, Jaques Wagner, contra o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o pupilo deste, o prefeito João Henrique, terá sido suficiente para virar o vento da eleição em Salvador. Se o PT conquistar a capital baiana, o duro discurso de Wagner quarta-feira no comício do candidato Walter Pinheiro ficará como um grande momento desta eleição.

É curioso que os melhores lances Brasil afora na atual disputa não tenham nascido dos candidatos, mas de seus padrinhos. Aconteceu também em São Paulo. Se Gilberto Kassab conseguir mais uma temporada na prefeitura, os analistas deverão avaliar como, e quão rapidamente, o governador José Serra debitou na conta do PT a responsabilidade pela confusão entre as polícias civil e militar. Com a manobra, Serra aplicou uma vacina: qualquer tentativa de explorar contra Kassab os lamentáveis fatos estaria previamente marcada pela suspeição, por partidarismo. 2 a 0 no placar para o tucano. O primeiro gol havia sido marcado pelo próprio PT, contra, no episódio do dossiê na véspera da eleição em 2006.


Serra, como bom paulista, bateu de frente. Já Aécio Neves, como bom mineiro, foi oblíquo. Terminado o primeiro turno em Belo Horizonte, o governador de Minas Gerais espalhou aos quatro ventos que a eventual vitória de Leonardo Quintão sobre Márcio Lacerda seria uma derrota pessoal dele, Aécio. Alguns interpretaram como a admissão antecipada do fracasso. Os mais conhecedores do modus operandi político nas Alterosas perceberam que se tratava do contrário: Minas não está interessada em derrotar Aécio, pois isso significaria abrir mão de um projeto nacional. Claro que Quintão ainda pode ganhar, o que esvaziaria o lance de alto risco do governador. Mas, se der Lacerda, Aécio estará de volta ao jogo com força.


Quem anda precisando voltar ao jogo é Luiz Inácio Lula da Silva. Lula foi a Natal e falou cobras e lagartos de Micarla de Sousa e do padrinho dela, senador José Agripino. Micarla ganhou no primeiro turno. Lula também foi a São Paulo, para acusar o paulistano de preconceito. Alguém deveria avisar a Lula e ao infeliz marketing de Marta Suplicy que esta eleição paulistana não é sobre preconceitos ou medos, mas sobre visões de futuro para a cidade e medidas práticas para melhorar a vida dos cidadãos. E o mais espantoso é que Marta, cujo currículo político e administrativo exibe belas garrafas para entregar nos dois quesitos, tenha aceitado escorregar para uma agenda tão equivocada.


Vamos ver o que sai das urnas. De qualquer jeito ficarão lições. Uma delas é que não há regra absoluta a respeito de campanhas negativas. Elas podem dar certo ou dar errado. Depende. Em 1998, Mário Covas demoliu Paulo Maluf no segundo turno da eleição a governador com uma propaganda de embrulhar o estômago, tal o grau de violência. Em 2006, Geraldo Alckmin naufragou feito Titanic quando cedeu aos apelos extremados e transformou sua comunicação em uma cruzada para destruir Lula e o PT.

Propositivas ou destrutivas, campanhas eleitorais precisam carregar relevância e verossimilhança. Precisam tratar de assuntos que as pessoas considerem relevantes. E a palavra, positiva ou negativa, bonitinha ou ordinária, deve ser verossímil, ter semelhança com a verdade. Por exemplo, dizer que Kassab na Prefeitura de São Paulo representa a volta de Celso Pitta não tem verossimilhança. Por um motivo simples: Pitta é carta fora do baralho. A tática de colar os dois já não havia funcionado em 2004. Voltou a falhar agora.

Sobra a dica para Dilma Rousseff, ou qualquer nome que conseguir a bênção de Lula em 2010. Será perda de tempo tentar associar Aécio ou Serra a Fernando Henrique Cardoso. Até os móveis antigos do Palácio da Liberdade e os corredores sombrios do Bandeirantes sabem que FHC não mandaria nada num eventual governo tucano comandado por Serra ou Aécio. O ex-presidente daria alguns palpites (que não seriam levados em conta) e receberia convites caprichados para certas cerimônias. E só. FHC também é carta fora do baralho. O jogo daqui a dois anos será outro.

http://twitter.com/alonfe



Escrito por mauricio às 15h39
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

A metáfora da desaceleração

Na ânsia de explorar o sentido pessimista da palavra “desaceleração”, muitos editores atropelaram os fatos. Como tantas manias do nosso jornalismo, esta também nasceu lá fora. Parece que tudo começou com uma declaração do presidente Bush ainda em março, meses antes do estouro dos bancos americanos. Adotada a tese, os jornais saíram a campo para descobrir desacelerações reais ou imaginárias.

De repente, a mídia se apaixonou pela palavra desaceleração. No mundo inteiro, tudo está se desacelerando. “China desacelera” , proclama o Estadão (21/10/08). “Arrecadação tributária já dá sinais de desaceleração”, anuncia a Agência Estado.”Mantega diz que Brasil sofrerá desaceleração moderada, mas sem recessão", é o título de um despacho da Reuters. “A crise internacional colocou um freio adicional a uma economia que já entrava em desaceleração, anuncia o jornal Valor na abertura de uma reportagem sobre o Brasil.

Na ânsia de explorar o sentido pessimista da palavra “desaceleração”, muitos editores atropelaram os fatos. Na manchete do Estadão , por exemplo, o fato principal foi colocado na segunda linha do título, como se fosse uma ironia: “E o PIB (da China) cresce 9%". Essa é uma taxa de crescimento de milagre econômico, que acontece raramente, só quando se combinam vários fatores no processo produtivo. O titulo correto seria do tipo: China mantém trajetória de crescimento acelerado.

Mas como a intenção é retratar a crise do capitalismo financeiro anglo-saxão, como se fosse um tsunami planetário, algo da esfera da natureza, e não da esfera política, algo que pega o mundo todo e todas as atividades econômicas, é preciso instilar a idéia de que a China já está entrando em crise. Daí o reforço do sentido negativo no título do box que acompanha a matéria principal: ”Outra empresa fecha e demite.” Assim não fica nenhuma dúvida de que "a China caminha para o desastre".

Mais notável é a forçada de barra na notícia da queda na arrecadação, da Agência Estado. Depois de mencionar o significativo aumento nas receitas do governo até agosto, o texto parte para o condicional: “Se o tomo dos lucros for tal que eles emparelhem com as demais fontes de renda, o governo pode perder R$ 52 bilhões", diz. A narrativa não se sustenta em nenhuma informação concreta, apenas na vaga menção, sem números nem atribuição da fonte de que “nos primeiros dez dias de outubro já foi constatada queda na arrecadação em relação às previsões da receita federal.” Em relação a previsões, não em comparação ao efetivamente arrecadado em algum período anterior. Na reportagem do Valor também só há especulações.

Como tantas manias do nosso jornalismo, esta também nasceu lá fora. Parece que tudo começou com uma declaração do presidente Bush ainda em março, meses antes do estouro dos bancos americanos. “Está claro que nossa economia desacelerou”. Depois do desastre, a tese da desaceleração pegou. Foi aplicada ao mundo todo por George Soros, entre outros financistas e economistas de renome, e finalmente sacramentada como prognóstico oficial pelo presidente do FMI, Olivier Blanchard: “A economia mundial está em fase de desaceleração...é tarde demais para evitar...” disse ele.

Adotada a tese, os jornais saíram a campo para descobrir desacelerações reais ou imaginárias. A paixão pela palavrinha, nem bonita nem tão jornalística, está na sua capacidade de construir o sentido a idéia de que a economia vai mal, mesmo quando vai bem. Não deixa de ser uma desonestidade semântica. No caso do Brasil, serve à torcida disfarçada para que os sucessos do governo Lula virem insucesso antes de 2010. O pior é que em economia, há o que se chama “profecia auto-realizada". De tanto falar em desaceleração, a mídia acaba contribuindo para que ela de fato ocorra.

No caso da China, o mote da desaceleração foi dado por extensa reportagem da edição asiática do Wall Street Journal. A China passou a crescer apenas 9%, depois de crescer 10% e até 12%, portanto está em “desaceleração”, argumenta o jornal. Essa reportagem , re-processada por grande numero de correspondentes na China, serviu como uma espécie de “derivativo” jornalístico” às más notícias da crise dos derivativos do capitalismo anglo-saxão.”Tá vendo, não é só nas economias de mercado, na China também...”

A Folha foi além dos demais jornais e cometeu a impropriedade de dizer que a desaceleração da China “já provoca impacto nos preços das matérias primas, como soja e ferro, que importa do Brasil. O preço do aço caiu 20% em três meses por causa da demanda menor.”

Ora, a demanda não é menor, continua crescendo, e muito, a taxas de milagre econômico. Mesmo a 9% ao ano, a demanda dobra em menos de dez anos. E mais: o acréscimo de demanda em 2008, provocado por um aumento de 9% do PIB, é praticamente igual ao acréscimo da demanda provocado no ano anterior por um crescimento do PIB de 10%, porque nesse ínterim a base sobre a qual se dá o crescimento é maior. A afirmação, portanto, é duplamente falsa. O preço do aço pode até ter caído, mas não por causa de uma queda na demanda. Talvez por que se esvaziou uma outra bolha especulativa, a das matérias primas.

Uma analise mais rigorosa da narrativa de desaceleração revela outras impropriedades. Ao transpor a noção distante de crescimento econômico para a noção familiar de um objeto em movimento, essa metáfora se faz falsa, como quase todas as metáforas. A analogia da produção econômica com a velocidade de um objeto não é boa. Ao estudar o movimento dos corpos, Galileu descobriu que se nenhuma força externa agir sobre um corpo em movimento, ele mantém sua velocidade. Notem bem: é preciso haver uma força externa para mudar a velocidade de um corpo, ou seja para acelerar ou desacelerar.

Na economia, embora uma decisão intempestiva das autoridades ou um tsunami financeiro possam dar um cavalo de pau na economia, isso não é automático e nem tão fácil. E mais: não é preciso haver forças externas para acelerar ou desacelerar o crescimento. Fases de expansão ou contração ocorrem por processos internos, endógenos, muitos deles oriundos das contradições entre decisões de investir e decisões de consumir, tomadas por atores sociais diferentes e em momentos diferentes.


Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4016



Escrito por mauricio às 15h32
[] [envie esta mensagem
] []





DO OBSERVATORIO DO RADIO - OI

Observatório no Rádio
Programa 895
Com medo do capeta vermelho
Um assunto polêmico
Postado por Luciano Martins Costa em 23/10/2008 às 10:55:36 AM
 
 

Com medo do capeta vermelho

A imprensa recebeu com um pé atrás – e repassou a desconfiança ao mercado – o anúncio de que o governo brasileiro ampliou os poderes dos bancos estatais para adquirir instituições financeiras privadas e comprar empresas sob risco de quebra.

A razão não tem nada a ver com a eficácia ou conveniência da medida, mas com a desconfiança geral de que o atual governo está sempre empenhado em ampliar a presença do Estado na economia.

A imprensa brasileira está com medo de que uma revolução socialista venha tocando tambores atrás da crise financeira. 

Interessante notar que a Medida Provisória anunciada ontem foi inspirada numa conversa do presidente Lula com o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, que o convenceu da necessidade de ampliar o poder de intervenção do Estado, como ação preventiva contra a quebradeira do mercado.

A mesma iniciativa, quando tomada na Inglaterra, provocou elogios gerais na imprensa internacional, repetidos pela mídia brasileira.

O primeiro-ministro Gordon Brown até ganhou o apelido de "Flash Gordon", pela rapidez com que ampliou os poderes do Estado para agir na crise.

A imprensa destacou sua liderança, comparando-o ao presidente George Bush, dos Estados Unidos, que se mostrou indeciso diante da emergência.

Por que, então, as edições de hoje dos jornais estão repletas de restrições à Medida Provisória que amplia a margem de negociação do Banco do Brasil e outras instituições públicas no setor?

Os jornalistas de economia sabem que, mesmo antes da crise, havia um processo de concentração no setor bancário, e que era esperada nova onda de fusões e aquisições.

Os editores também sabem que o Proer, ao reformar o sistema financeiro no Brasil, criou uma estrutura mais sólida mas não garantiu a criação de um sistema plenamente competitivo.

A sucessão de compras de pequenos bancos e o processo de oligopolização no setor compõem um retrato dessa realidade. 

A decisão do governo foi motivada pelo simples fato – noticiado pela imprensa – de que os grandes bancos, beneficiados com repasse de dinheiro pelo Banco Central, estavam retendo os recursos que deveriam ser usados para a oferta de crédito e fazendo caixa para uma nova ofensiva de aquisições.

O governo agiu rápido como "Flash" Gordon, mas a imprensa brasileira ainda vive assombrada com o fantasma do comunismo.

 

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=8&id={FEAA473C-4167-4558-A6F6-3BE9411FA41E}



Escrito por mauricio às 23h31
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Para prestar atenção

Pontos a se acompanhar na crise:

1. Revigoramento dos ACCs (Adiantamento dos Contratos de Câmbio). Parece que começam a fluir.

2. MP dos bancos: apesar do susto inicial no mercado, é um fator de melhoria do humor dos bancos para as operações interbancárias.

3. Bancos públicos: nesse momento, a existência da estrutura Banco do Brasil – Caixa Econômica Federal – BNDES é fator de tranquilidade.

Pontos de preocupação:

1. Fluxo cambial negativo ainda, com o não ingresso de divisas dos exportadores.

2. O tamanho do buraco do subprime brasileiro, que não foi devidamente mensurado.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 22h59
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

Tiros no alvo errado

A medida provisória que permite a estatização de bancos e outras instituições financeiras (e de empresas de outros setores, pela Caixa Econômica Federal) tem um objetivo e pelo menos um efeito colateral. O objetivo é evitar, de qualquer maneira, a quebra de alguma empresa e o efeito colateral é apressar a própria aplicação da MP.

Consultei gente do mercado, procurando opiniões diversificadas de profissionais qualificados, com trajetórias e especializações diferentes. Há convergência na conclusão, que é, resumidamente, a seguinte: 1) Não há qualquer problema com os grandes bancos comerciais e o alvo da MP são, com exceções pontuais, os pequenos bancos (ativos totais abaixo de R$ 5 bilhões), cujas fontes de financiamento secaram ou estão muito insuficientes; e 2) Ainda que possa contribuir para realizar a profecia que tenta evitar, o governo fez bem em editar a MP antes que alguma quebra acontecesse.

Mas o que se vê na mídia? Uma notável guerra de barragem contra as iniciativas do governo. A presunção de que tudo não passa de oportunismo ideológico preside as mais variadas – e, em alguns casos, inconsistentes – análises. O viés anti-estatizante caiu em exercício findo nas economias desenvolvidas, mas entre nós a luta contra o leviatâ estatal continua…

A partir da idéia de que o governo estaria se aproveitando, de forma solerte, da rara chance de embarcar no novo estatismo do “mundo civilizado”, para avançar em seus arreganhos anti-mercado, argumentos sem sentido, parciais ou invertidos estão sendo lançados ao ar. 

Pode ser o argumento de que o mercado não precisa disso, que não há risco de quebras, tanto no setor bancário quanto no da construção civil. Uma derivação desse lero-lero desinformado agrega um sub-ataque: “Não dá para entender, já que, como insiste o governo, está tudo bem”.

A argumentação pode ter também um viés provinciano. Embora em tudo semelhante ao que está sendo feito lá fora (não se exclui, é verdade, uma espécie de “efeito demonstração” nas medidas que o governo de Brasília anda adotando), lá tem responsabilidade e aqui, não. Aqui, essa versão “esperta” das medidas “corretas” do “mundo civilizado” pode desandar numa esbórnia com dinheiro público. Aqui – lá não? – o pessoal vai sair detonando o patrimônio das instituições, deliberadamente ou por sentirem que serão salvos na beira do precipício, para cair nos braços do governo.

Tem mais. Tem, por exemplo, uma comparação malandra com o Proer – aquele programa que “salvou os bancos, mas não os banqueiros” e que “propiciou a atual solidez do sistema nacional”. Comparação, claro, desfavorável ao governo atual: “o Proer, tão atacado pelo PT, era mais transparente”. 

 Além da falta de comprovação dessa suposta maior transparência, falta algo mais.  Nenhum dos que hoje louvam o Proer parece ter idoi às fontes para conferir o que aconteceu com os banqueiros “condenados” pelo programa, que evitou, com dinheiro público, a quebra de bancos, nos primeiros tempos do Plano Real. Se tivessem ido lá, verificariam que, por conta de liquidações defeituosas e advogados cheios de truques processuais – como, aliás, é a praxe geral e ocorre também nos casos cabeludos de crimes do colarinho branco –, não há um único – repetindo, um único – ex-banqueiro alcançado pelo Proer que não tenha ficado mais milionário do que já era, à custa de dinheiro público obtido em ações judiciais contra o Banco Central. 

O fato é que, independentemente da argumentação ideológica e meramente oposicionista, há, sim, problemas no setor de bancos e nas construtoras. E, sim, é correto estabelecer um arcabouço legal preventivo para evitar dores de cabeça posteriores.  Perguntem ao economista Gustavo Loyola, que presidia o Banco Central na época do Proer e até hoje se vê às voltas com processos, o que ele acha de deixar essas questões para depois.

 O que apurei a respeito está publicado desde ontem, na série de perguntas dos internautas que estou respondendo no IG (ver aqui). O que fica claro é que, digam o que disserem, à luz do que ocorre nas economias centrais e da própria história das crises de liquidez, seria, isto sim, imprudente demais não dispor, antecipadamente, de instrumentos legais para enfrentar as dificuldades do gênero.

Seria igualmente insensato, diante do padrão conhecido do desenrolar desse tipo de crise na economia, esperar a tramitação legislativa de um projeto de lei para armar a defesa institucional de um processo de intervenção.

É de duvidar, falando nisso, que os críticos da MP 443 não baixariam a lenha, se o governo primeiro interviesse e só depois providenciasse o instrumento legal da intervenção. Ou, nesse exato momento de turbulências, enviasse um projeto de lei sobre o assunto para o exame ordinário do Congresso.

Uma coisa é discutir a constitucionalidade e a aderência às leis do texto da MP 443. O Proer, por exemplo, criado por medida provisória, depois aprovada pelo Congresso, deu margem a inúmeros processos de contestação de suas imposições.  Outra coisa, porém, é considerar que, por aparecer na forma de MP, a medida do governo interdita a ação da sociedade na defesa da transparência e dos interesses do País. Ela terá de ser discutida no Congresso e poderá ser alterada antes de se transformar em lei.

Não se pode condenar um instrumento legal apenas por conta do seu histórico mau uso pelos governos. Se, realmente, muitas são as MPs que não deveriam sê-lo,  não parece ser o caso justamente dessa.

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 22h54
[] [envie esta mensagem
] []





DO CORREIO DA CIDADANIA

Guerra das polícias e a política de Serra      

 

Diante das cenas de guerra entre os grevistas da Polícia Civil e os soldados da Polícia Militar, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, o governador José Serra revelou a sua mentalidade autoritária numa entrevista ao jornalista Luiz Datena, da TV Bandeirantes. Ao vivo, ele afirmou que a greve dos policiais "é coisa de uma minoria"; garantiu que ela "é eleitoreira, é coisa do PT e da Força Sindical, que é do PDT"; e jurou que sempre esteve aberto às negociações com os sindicatos da categoria. Serra lembrou a retórica raivosa de alguns generais nos estertores da ditadura militar.

 

Em primeiro lugar, a greve da Polícia Civil não é coisa de uma minoria e nem uma aventura. Ela já dura um mês. Foi deflagrada em 16 de setembro após várias tentativas frustradas de diálogo com o governo José Serra. Segundo relatos da mídia, que nunca foi simpática ao movimento – as suas manchetes apelam sempre para os prejuízos à sociedade –, conseguiu adesão surpreendente, o que evidencia o grau de revolta da categoria. A Folha de S. Paulo chegou a noticiar a adesão de 80% nos distritos policiais da região metropolitana e de quase 100% nas delegacias do interior.

 

Intransigência e uso eleitoreiro

 

Em segundo lugar, a greve não tem vínculos orgânicos com qualquer central sindical ou partido político. Boa parte do comando do movimento, formado por delegados e investigadores, sempre esteve ligada ao partido governista, até por motivos óbvios de carreira. Não é para menos que os grevistas costumam cantarolar em suas manifestações o samba "você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão". Uma faixa sempre presente nos protestos diz: "PSDB, Pior Salário Do Brasil". As centrais sindicais apenas deram apoio à greve e vários parlamentares, inclusive tucanos, também estiveram presentes às manifestações para tentar evitar confrontos violentos.

 

Em terceiro lugar, o governo demonstrou total intransigência diante dos grevistas. Ciente de que o salário dos policiais está defasado, ele se recusou a atender a reivindicação de 15% de reajuste. Ofereceu apenas 6,2%, sem incorporar os adicionais, e fechou os canais de diálogo. Os grevistas até suspenderam o movimento por dois dias, numa tentativa de retomar as negociações, mas não amainaram a postura truculenta de Serra. "Não recebemos nenhuma proposta concreta", criticou, na ocasião, Sérgio Roque, presidente da Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo.

 

Até a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, presidida por um aliado do governador, Luiz D’Urso, emitiu nota criticando a intransigência. A OAB-SP havia se oferecido para mediar as negociações, mas o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, sequer deu retorno à proposta – "o que é uma desconsideração com a instituição e com a própria classe profissional". Agora, José Serra tenta encontrar bodes expiatórios e fazer uso eleitoreiro da greve para ajudar o seu candidato laranja à prefeitura da capital, o demo Gilberto Kassab.

 

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PC do B e autor do livro recém-lançado "Sindicalismo, resistência e alternativas" (Editora Anita Garibaldi).

 

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2477/9/

Escrito por mauricio às 22h50
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO ALON

Quase bolivariano (23/10)

Depois de desencadear a moda da estatização de bancos e outras empresas em resposta à crise, o Primeiro Mundo dá mais um passo. Do G1:

Conselho de Nova York abre caminho para terceiro mandato de Bloomberg

Lei que permite nova reeleição foi aprovada por 29 votos a 22. Prefeito quer ficar no cargo para ajudar cidade na crise financeira.

(Reuters) - O Conselho da cidade de Nova York votou a favor de um terceiro mandato para o atual prefeito, Michael Bloomberg, nesta quinta-feira (23), permitindo que ele concorra à reeleição. O Conselho municipal aprovou a norma por uma margem estreita (29 a 22), depois de um acalorado debate. Com a ratificação, Bloomberg, cujo segundo mandato termina no ano que vem, poderá concorrer a mais uma reeleição. Bloomberg havia anunciado em 2 de outubro a intenção de tentar a segunda reeleição. "Se o conselho municipal votar a emenda para as limitações de mandatos, acho que vou pedir aos nova-iorquinos que considerem meu desempenho como líder independente e votem em mim", afirmou na época. Bloomberg, de 66 anos, anunciou sua decisão argumentando que a crise financeira atual requer que alguém com sua experiência em termos econômicos permaneça no comando do governo da capital financeira do país.


Aguardam-se os protestos e as advertências sobre o crescente risco bolivariano nos Estados Unidos. Ou pelo menos na sempre perigosamente esquerdista Nova York.

http://twitter.com/alonfe

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog.

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.


Escrito por mauricio às 22h37
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES

"Entupiu o sistema circulatório do capitalismo. É preciso agir rápido, antes que ocorra a trombose"

Em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares fala sobre a crise. “As autoridades monetárias de todo o mundo têm que intervir rápido, antes que se forme a pior das bolhas, a de pânico, que é essa que está em curso", adverte. Para ela, o Brasil tem algumas vantagens importantes para enfrentar a crise, entre elas a existência de três fortes bancos estatais e pelo menos três grandes empresas públicas de peso, salvas do ciclo de privatizações desfechado pelo governo anterior. Isso dá ao governo instrumentos para intervir fortemente no mercado.

Decana dos economistas brasileiros, uma espécie de banco de reflexão de última instância ao qual se socorrem economistas quando o horizonte do mercado exibe mais interrogações que cifrões, a professora Maria da Conceição Tavares, 78 anos, quase não dormiu na noite de terça para quarta-feira. E voltou a fumar, muito, o que não deveria, por orientação médica. Motivo: os abalos seguidos nos alicerces do sistema capitalista norte-americano e seus efeitos sísmicos no mundo, inclusive no Brasil.

Conhecida pela rara capacidade de equilibrar razão e paixão – não necessariamente nessa ordem - , costuradas em frases contundentes e metáforas esmagadoras sobre os desafios da economia e do desenvolvimento, Conceição falou à Carta Maior sobre a crise em curso no sistema capitalista. A voz rouca e o cansaço de uma noite insone não impedirem que reafirmasse a reputação construída a partir de uma lucidez corajosa, que mesmo os adversários respeitam - e temem.

A seguir trechos de sua conversa com a Carta Maior:

“A questão central é que o crédito está congelado: entupiu o sistema circulatório do capitalismo. Sem crédito uma economia capitalista não funciona. Agora é torcer para que o entupimento não se transforme em trombose”.

“O Martin Wolf foi lento (NR: editor do Financial Times, conhecido pelas convicções neoliberais que, em artigo transcrito hoje pelos jornais brasileiros, pede um resgate estatal urgente, e amplo, do sistema bancário). Assim como ele, as autoridades norte-americanas também foram lentas. Demasiado lentas. Vão dizer que não sabiam o tamanho do estrago? Ignoravam a gravidade da bolha especulativa feita de hipotecas podres e derivativos, cuja soma vai além de US$ 6 trilhões, sem falar do resto? Como não sabiam? Eles são gente de Wall Street. São escolhidos entre os “piranhões” do mercado. Não podem dizer que não sabiam. O problema não é esse. O problema é que eles acreditam no mercado. Essa é a tragédia. Esperaram até o limite da irresponsabilidade para intervir. Aí perderam o controle e estão diante do pânico: ninguém empresta a ninguém, entupiu o sistema circulatório do capitalismo”.

“Agora tem de fazer isso mesmo, estatizar parcelas abrangentes do sistema financeiro; implantar safenas. Não é isso que estão fazendo? O FED já começou a descontar commercial papers direto no mercado. Tem que intervir largamente, e rápido. Eles são o centro da crise mundial. Mas um pânico financeiro não respeita fronteiras”.

“O problema do Brasil não são os fundamentos, que no geral são bons. Mas aqui também foram feitas operações especulativas por grandes empresas exportadoras. Ou será que a Sadia e a Aracruz agiram solitariamente? Não agiram. Não foram exceções. Foram irresponsáveis. Não se contentaram em contratar hedge (seguro) contra a variação cambial. Quiseram apostar quantias fantásticas na variação futura do câmbio e apostaram errado. Jogaram na valorização do Real o que é insólito, diga-se. Como exportadores deveriam engrossar as vozes que pediam maior competitividade da moeda brasileira. Mas apostaram. erraram e isso abriu rombos que a Sadia, felizmente, já reconheceu no seu balanço. Digo felizmente porque não pode pairar dúvidas no mercado sobre o tamanho e a abrangência desses prejuízos ou isso gera incerteza e a desconfiança bate nas taxas do dólar.”

“O Banco Central tem o registro, sabe quem fez operações de hedge, mas não sabe quem derivou daí a segunda operação, especulativa. Se soubesse deveria intervir, sanar rapidamente o problema para evitar essa incerteza. Mas o BC, infelizmente, não tem os controles de operações que são totalmente desreguladas. O jeito então é intervir direto no mercado. Impedir a disparada do câmbio que dificulta a vida dos exportadores e importadores. A volatilidade impede o fechamento de contratos de exportação e importação; isso desequilibra a oferta de dólares e empurra ainda mais as cotações. O BC deve intervir direto vendendo dólares (NR: foi o que ocorreu depois que Conceição falou a CM). Não adianta mais fazer swaps (contratos futuros), precisa vencer moeda mesmo. Moeda das nossas reservas – fazer o quê? Note que não há fuga de capitais, não é como no passado. Se fosse fuga de capitais, a simples existência de reservas de US$ 207 bilhões controlaria. O diabo não é fuga, nem inflação, nem recessão... É irresponsabilidade, exportadores- especuladores”.

“As autoridades monetárias de todo o mundo têm que intervir rápido, antes que se forme a pior das bolhas, a de pânico, que é essa que está em curso. É preciso entender, porém, que a crise atual não é semelhante a de 1929. Claro, há elementos comuns, como o derretimento das ações e a fuga de ativos podres. Mas o dramático que a distingue daquele episódio dos anos 30 é o congelamento do crédito, fruto da desconfiança generalizada sobre o que vale o quê numa economia papeleira. A aversão ao risco gera a fuga dos ativos, todos querem se desfazer deles ao mesmo tempo e os bancos não emprestam a ninguém. Entope o sistema circulatório capitalista. Na crise de 1929 o crédito também refluiu mas isso se deu na esteira da desaceleração da atividade econômica, que foi brutal, caiu mais de 25% nos EUA. A recessão então é que diminuiu a demanda por financiamento. Hoje não. A economia não está em recessão – exceto talvez no Japão e engatinha na Europa. Mas é justamente esse paradoxo que mata o sistema: não existe crédito para a atividade econômica em curso. Pára tudo –e de repente: daí o pânico”

“O Brasil tem algumas vantagens importantes em relação a outros emergentes. E o governo Lula deverá saber usá-las. Primeiro, nós não somos exportadores de petróleo e metais – nesse sentido a crise pega a Venezuela e o Chile de frente. Vão ter problemas sérios porque as cotações despencam. Nós vendemos comida e isso deve se manter em bom nível. Segundo: temos, graças a Deus, três fortes bancos estatais, o que dá ao governo instrumentos para intervir fortemente no mercado. Mais ainda, temos pelo menos três grandes empresas públicas de peso, um trunfo que conseguimos salvar do ciclo de privatizações desfechado pelo governo anterior”.

“O que é preciso, portanto, é agir com rapidez e contundência. Desentupir o sistema de crédito. Por exemplo? O Banco Central deve obrigar os bancos a repassarem de fato os recursos liberados do compulsório para irrigar a economia (NR: uma das medidas já tomadas foi a redução do percentual de recolhimento de depósitos à vista no BC) . Eles têm que emprestar a quem precisa. O governo fez a sua parte, deu a cenoura para os grandes bancos repassarem liquidez. Se eles insistirem em segurar recursos o governo deve impor uma penalização forte sobre o volume retido. Já demos a cenoura - se a mula empaca é hora do stick (o porrete)”.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15281



Escrito por mauricio às 20h52
[] [envie esta mensagem
] []





DO JORNAL DE DEBATES - OI

DRAMA DE SANTO ANDRÉ
A imprensa em cárcere privado

Por Luciano Martins Costa em 21/10/2008

A imprensa brasileira é refém de si mesma, de um modelo baseado nas ações rápidas e quase sempre rasteiras em busca de audiência e repercussão. Desde os blogueiros e comentadores de televisão que não resistem a frases de efeito, mesmo que suas construções representem a demolição do bom senso, até as decisões editoriais que priorizam o espetaculoso e o rumoroso. Tem sido assim na cobertura das campanhas eleitorais nas capitais mais importantes, e assim foi no acompanhamento da tragédia anunciada que culminou com a morte da jovem E.C.P.M.

O acompanhamento do noticiário online que seguiu o desenrolar dos acontecimentos no conjunto habitacional de Santo André revela que os jornais não tinham, ou desprezaram, um manual de Redação. Desde a necessidade de cuidado extremo com informações que possam colocar a segurança de pessoas em risco, citada no Manual de Redação da Folha de S.Paulo e nos de outros jornais, até a recomendação de evitar a morbidez e a "curiosidade malsã" do público nas notícias de catástrofe e violência – recomendação do livro Ética para Periodistas, de Maria Teresa Herrán e Javier Darío Restrepo – praticamente todas as boas medidas foram deixadas de lado na corrida pela visão mais espetaculosa e pela versão mais recente dos fatos.

Até mesmo de uma comentadora de fofocas de celebridades, caso da jornalista Sônia Abrão, que já teve melhores momentos quando trabalhou num dos diários do Grupo Folhas, era de se esperar que tivesse o bom senso de evitar ceder holofotes para o jovem desvairado. Àquela altura, quando a jornalista – sim, ela é jornalista com vasta experiência na imprensa escrita – colocou no ar, pela RedeTV!, a entrevista do rapaz, ele ainda ouvia ponderações dos negociadores da polícia. A partir dali, e com a seqüência de outras entrevistas, ele claramente se colocou numa atitude superior aos interlocutores, o que prejudicou o diálogo e ajudou a conduzir ao desfecho trágico.

Cenários de guerra

Não foi apenas isso. Como, claramente, o criminoso e suas vítimas tinham acesso às transmissões de rádio e televisão, tudo que foi dito – das especulações de repórteres à profusão de "análises" mais ou menos especializadas de psicólogos, sociólogos e astrólogos ávidos por publicidade – podia ser ouvido no interior do cativeiro. Nem o mais arguto conhecedor da natureza humana poderia assegurar o quanto essa exposição poderia afetar o estado do jovem, que já dava sinais de estar alucinando.

A imprensa interferiu dessa forma nos fatos, o que é absurdo e inaceitável, e também condicionou as decisões do comandante da operação de resgate. Uma das razões alegadas pelo coronel Eduardo José Félix para usar atiradores especializados para – no jargão policial – "neutralizar" o criminoso, foi a percepção de que a imprensa condenaria tal atitude. Assim, por mais controversa que viesse a ser, essa medida deixou de ser considerada, justamente por ser controversa.

Desde que a legislação transferiu para o tribunal do júri os casos de mortes em ocorrências policiais e passou a impor cursos de reciclagem para os agentes civis e militares envolvidos em tiroteios, a polícia paulista evita ações drásticas quando há testemunhas. De qualquer modo, pode-se afirmar que faltou autoridade à maior autoridade presente aos acontecimentos, porque o coronel da Polícia Militar estava condicionado às conseqüências políticas de suas decisões.

A cobertura não foi apenas invasiva, espetacularizada, amadora e irresponsável. A imprensa continua omissa, ao aceitar passivamente a versão oficial e ao deixar de colocar em discussão o tipo de operação que costuma ser mobilizada em ocasiões como essa.

Já está mais do que em tempo de se colocar em debate público as estratégias de segurança adotadas no Brasil, a maioria delas inspirada em cenários de guerra e nos procedimentos desenvolvidos pelas forças de segurança americanas e israelenses. Se a chamada "inteligência" da Polícia Militar deu sinais de desinteligência, a imprensa dita séria se tornou refém da mídia de entretenimento, colocando-se voluntariamente no cárcere privado da irresponsabilidade.

 

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=508JDB001



Escrito por mauricio às 23h23
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

O fantasma dos CDS

Coluna Econômica - 21/10/2008

Não há nada que, de tão ruim, não possa piorar. Esse é o temor em relação à crise mundial.

A extraordinária falta de controle das operações financeiras gerou um monstro – o subprime, carteiras de contratos hipotecários de alto risco. No rastro do subprime, um dragão que poderá ser maior: os CDS, ou “credit default swap”.

Trata-se de uma espécie de seguro para operações de crédito. Se o Banco A tivesse dúvidas sobre a capacidade de pagamento da Empresa B, contratava junto ao Banco D, um seguro, Pagava um prêmio. Se não houvesse inadimplência, o Banco D ficaria com o prêmio. Se houvesse, o Banco D se comprometeria a pagar a diferença entre o valor contratado e o recebido.

***

Esse modelo de operação disseminou-se nos últimos anos, período em que a inadimplência mundial foi baixíssima. E, aparentemente, estendeu-se até a operações de derivativos. Ou seja, o banco se segurava não apenas dos empréstimos convencionais, mas dos jogos de seu cliente no mercado de derivativos.

***

Não se trata de pouca coisa. Tome-se o caso Lehman Brothers.

Segundo o Guia Financeiro da Agência Dinheiro Vivo, “basicamente, o CDS permite aos bancos darem garantias sobre um fluxo de pagamentos. Por exemplo: uma companhia pede empréstimo para um banco, que concede o crédito e parcela os pagamentos. Como nenhum empréstimo é realmente seguro, o banco deve apresentar uma provisão para devedores duvidosos em seu balanço financeiro. Entretanto, instituições como o Lehman Brothers vendiam um seguro (o CDS) para tais recebimentos. Caso a empresa não honrasse seu compromisso, o banco o faria. Para isso, cobrava um determinado percentual da dívida ao ano (0,05%). Isso era bom para o banco credor, que poderia considerar o empréstimo totalmente seguro e também para a instituição que vendia o seguro, porque a empresa não deixaria de honrar o compromisso e ele ganha com a operação”.

***

O Lehman quebrou, deixando dívidas no valor de US$ 128 bilhões. Supondo que os créditos podres sejam vendidos por 10% do valor de face, significa que US$ 115,2 bilhões terão que ser cobertos pelos CDS.

Não apenas isso.

De acordo com dados divulgados pela IDSA (International Swaps and Derivatives Association), o montante de créditos derivativos liquidados no primeiro semestre do ano atingiu US$ 62,2 trilhões, sendo que houve um crescimento em termos anuais de 20%. Neste caso, o levantamento considera como derivativos de crédito os CDS (credit default swaps) referenciados por nomes, índices, cestas e portfólios.

***

Por enquanto, o mercado está sustentando os CDS. Se rrsolver quitá-los, haverá um enorme terremoto. Bancos e fundos terão que vender ativos para fazer frente aos compromissos. E, aí, haverá mais uma leva de queda nas bolsas internacionais.

Fique atento ao tema, porque deverá começar a ocupar o noticiário daqui em diante.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/6



Escrito por mauricio às 23h20
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

Pobre Keynes

Tudo indica que o crash de 2008 decretou o fim da atual etapa de predomínio conservador na história do pensamento econômico - pelo menos até que o pêndulo volte a oscilar. Foram cerca de quatro décadas de desregulamentações, de esforços no sentido da redução da presença dos governos na economia e de renovação da crença de que os mercados, livres de interferências dos governos, são os promotores superiores da eficiência, da estabilidade e, enfim, do desenvolvimento. 

Não surpreende que o longo período de estreita vigilância sobre a “a apropriação privada dos recursos públicos” – mote a que os neoliberais reduziam toda e qualquer tentativa de aplicação de políticas afirmativas, seja no campo produtivo, seja no campo social – esteja chegando ao fim com a maior apropriação privada de recursos públicos de que o mundo já teve notícia. E que a intervenção, de proporções inéditas, tenha sido decidida e executada por governos conservadores. A História, afinal, é um tecido costurado com a linha das ironias. Sinal da crise das idéias econômicas neoliberais, a velha e surrada expressão “agora somos todos keynesianos”, a que os conservadores lançam mão para legitimar a hipocrisia do recurso à intervenção salvadora, está de volta.

Aos adeptos das formulações liberais está sendo compreensivelmente duro largar o osso. Vai daí que ganham corpo as tentativas – algumas não mais do que patéticas – de transferir a “culpa” do acontecido a intervenções governamentais. O crash não teria sido causado pela ausência dos governos, que deixaram de lado os controles das boas práticas no setor financeiro e confiaram na lorota da auto-regulação dos mercados, mas, justamente ao contrário, pela sua presença excessiva. Com políticas monetárias frouxas, juros baixíssimos e leniência abusiva com déficits fiscais gigantes, os governos teriam levado o setor financeiro ao desastre e arrastado a economia real para a recessão. A conclusão desse risível contorcionismo mental é que, diferentemente do que dizem os “abutres anti-mercado”, a política econômica que levou ao desastre foi keynesiana.
 
Pobre Lord Keynes. Os velhos detratores estão aí, mais uma vez, usando seu nome em vão. Valem-se de um senso comum chinfrim para tentar esconder gritantes falhas de um sistema em que acreditam de um modo religioso. É um comportamento recorrente: sempre que seus dogmas são recusados pela realidade, reagem como feras feridas, procurando distorcer os fatos e transferir as culpas.

A questão verdadeira é outra. Como lembra, em artigo recente republicado pelo jornal “Valor” (leia aqui), o economista Robert Skidelsky, celebrado biógrafo de Keynes, o que realmente está em questão “é o dilema sem solução mais antigo da economia: os sistemas de mercado são “naturalmente” estáveis ou precisam ser estabilizados pela política?”.  

“Keynes enfatizava a fragilidade das expectativas sobre as quais se baseia a atividade econômica em mercados descentralizados. O futuro é intrinsecamente incerto e, portanto, a psicologia do investidor é volúvel”, escreve Skidelsky.

Em contraposição, as idéias neoclássicas, que, em meados do século passado foram adaptadas aos tempos de estagflação com maior brilho por Nobel de Economia Milton Friedman, advogam que os mercados são mais estáveis e racionais do que Keynes imaginava e que é possível prever os riscos inerentes às transações econômicas e, portanto, o comportamento dos agentes no mercado. Assim, os preços, se livremente expressos, levarão, “naturalmente”, ao pleno emprego.

A novidade que havia sido introduzida por Keynes – e, em paralelo, por outros economistas, como o polonês Michal Kalecki –, nos entornos dos anos 30, em ambiente de profunda depressão econômica, foi exatamente a de comprovar que o pleno emprego não era garantido, como até então estabelecido, pelo livre funcionamento do sistema de preços. Na formulação keynesiana, o que garante o pleno emprego é a demanda agregada. É aí que aparecem o governo e seus gastos como elementos ativos do desenvolvimento econômico. 

O fato é que, diferentemente do que querem fazer supor os conservadores, Keynes não defendia a “gastança”, o déficit fiscal e quetais em qualquer circunstância. Defendia a ação do governo e, eventualmente, os gastos públicos, nas circunstâncias de uma demanda agregada insuficiente. Nem todo déficit público, portanto, é keynesiano. 

Depois da transferência, que ainda não chegou ao fim, de alguns muitos trilhões de dólares dos cofres públicos para o setor privado, governantes europeus falam em “refundar” o capitalismo. Esta é uma expressão grandiloqüente e dramática demais para a idéia de rever a governança econômica mundial, depois da incapacidade revelada pelo sistema de Bretton Woods, para lidar com o problema das dimensões do que agora atingiu a economia global.

Espera-se que, também nesse outro sentido, o nome de Keynes não seja invocado em vão.

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 23h16
[] [envie esta mensagem
] []





Vida para Todos os Povos

Oração Missionária 2008

Senhor nosso Deus,/ Enviastes ao mundo Vosso Filho,/ Como luz para todos os povos./ Nós Vos bendizemos/ Pelos missionários e missionárias/ Que proclamam o Evangelho da Vida./ Derramai sobre eles Vosso Espírito de amor,
Para que permaneçam fiéis no ardor missionário,/ Até que em todas as nações se consolide/ "'Um novo céu e uma nova terra."/ Por Cristo, nosso Senhor./
Amém.



Escrito por mauricio às 21h07
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA ADITAL

Missão e abertura eclesial

Dom Demétrio Valentini *

Adital -
Este é o domingo das missões. Um dos sintomas mais positivos de renovação eclesial se encontra no despertar da consciência missionária. A missão leva a Igreja a superar seus limites, para colocar-se a serviço do Evangelho, relativizando estruturas e deixando de lado interesses institucionais.

O clima salutar para a Igreja é sempre o amplo horizonte descortinado por Cristo em sua última recordação aos discípulos:  "Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a todas as criaturas.. estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mc 16,15 e Mt 28, 20)

O Evangelho tem irresistível destinação universal. Ele não pode ser detido, ele não deve ficar enclausurado. Esta dinâmica inata do Evangelho aparece na própria vida de Jesus, e no caminhar posterior da Igreja. E precisa retomar hoje novo impulso!

Jesus passou por sucessivas superações de limites, que pretendiam impedi-lo de levar adiante sua missão evangelizadora.

Primeiro se libertou das resistências de Nazaré, que impediam o anúncio da mensagem libertadora. "Não há profeta sem honra, exceto em sua pátria e em sua casa... Não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles" (Mt 13,58).

"Deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum" (Mt 4, 13), encruzilhada que permitia acesso a todas as direções da Galiléia. Lá, ele saiu do espaço fechado da sinagoga, para se encontrar com as  multidões. (Cfr Mc1, 29 e ss).

Quando queriam detê-lo em Cafarnaum, levantou de madrugada e se pôs resolutamente a caminho da missão: "Vamos a outros lugares, às aldeias da vizinhança, a fim de pregar também ali, pois foi para isto que eu saí" (Mc 1, 38).

Assim, livre para evangelizar, Jesus empreendeu a grande empreitada de ir rompendo resistências, subvertendo hierarquias, derrubando preconceitos, desmascarando hipocrisias, proclamando a nova ordem do Reino de Deus.

A serviço do Evangelho empenhou por completo sua vida, até o seu testemunho final, colocando para sempre o fundamento da perenidade de sua mensagem, sempre atual e indispensável para a humanidade, " em todos os lugares e em todos os tempos".

São Paulo, o escolhido para levar o Evangelho às Nações, percebeu o lance estratégico que precisava ser feito, para libertar o Evangelho das amarras do judaísmo, para assim ser aceito pelos gentios. Com isto se abriu o caminho para o vasto campo de missão no império romano. A boa semente acolhida no fértil terreno da cultura greco-latina foi produzindo frutos copiosos, que caracterizam até hoje as feições da Igreja de Cristo.

Mas aí está hoje a nova encruzilhada para a Igreja. Ela não pode repetir os condicionamentos de Nazaré, de Cafarnaum e da circuncisão. A cultura ocidental, que soube acolher o Evangelho, não pode agora se tornar uma redoma, que condiciona a expansão do Evangelho para o mundo inteiro.

Enclausurada em suas feições históricas européias, a Igreja perdeu impulso, e se esfacelou por questiúnculas internas, desde a ruptura com os ortodoxos no início do segundo milênio, passando pelo terremoto da reforma protestante, até o atual momento de intensa fragmentação pentecostal.

A Igreja precisa recuperar os ares da missão, para romper as amarras da cultura ocidental em que ela se fechou.

Se São Paulo retomasse hoje os caminhos da missão, não seria mais um "macedônio" que lhe apareceria em sonho, chamando-o para pregar o Evangelho em terras européias.  Seria certamente um tibetano, um chinês, um vietnamita, afinal se levantaria um coro pluriforme de diferentes raças e culturas, ansiosas por acolherem as sementes genuínas do Evangelho de Jesus.

O Evangelho de Cristo está solto, exclama São Paulo. Nenhuma cultura pode aprisioná-lo. Em vista da destinação universal do Evangelho, é preciso relativizar as feições européias da Igreja. É  urgente desocidentalizar o Evangelho, para que ele possa ser acolhido por outras culturas e aí produzir novos frutos para o Reino e novas expressões da Igreja de Cristo.

* Bispo de Jales, São Paulo.

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35523



Escrito por mauricio às 21h04
[] [envie esta mensagem
] []





Continuação do IHU

Oração

Oração do cristão na política

Pai de todos nós,
em vosso Filho Jesus Cristo,
pela graça do Espírito Santo,
já venceste o pecado, a escravidão e a morte.

Queremos fazer da Política,
direito e dever da cidadania,
um serviço à vida e à libertação integral de todos.
Concedei-nos construir um Brasil novo
na convivência fraterna, no respeito às diferenças,
sem exclusão e sem privilégios,
onde se abracem a justiça e a paz.
Que os valores do vosso Reino orientem sempre mais
as decisões e a ação política em nosso Pais.

Ajude-nos a intercessão de Maria,
Nossa Mãe Aparecida,
dos santos e santas companheiros da caminhada.
Vosso Filho Jesus Cristo, cheio de verdade e vida,
nos ilumine na construção
de uma sociedade justa e solidária. Amém. 

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_servicos&Itemid=38&task=detalhes&id=2



Escrito por mauricio às 09h45
[] [envie esta mensagem
] []





LITURGIA DO DIA – 29° DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

Domingo, 19 de outubro de 2008.

 

I Leitura (Isaías 45, 1.4-6) 
 

 
Salmo de Resposta (96/95)

 
REFRÃO: Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!


 
II  Leitura (1º Tessalonicenses 1, 1-5) 
 
 

Evangelho (Mateus 22, 15-21)

 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus:

- Naquele tempo, Reuniram-se então os fariseus para deliberar entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras. Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens. Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César? Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário. Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição? De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

- Palavra da salvação: Glória a vós Senhor!



Escrito por mauricio às 09h42
[] [envie esta mensagem
] []





DO JORNAL DE DEBATES - OI

POLÍCIA vs. POLÍCIA
Imprensa sem rumo na guerra do dia-a-dia

Por Carlos Castilho em 17/10/2008

A batalha campal entre policiais militares e policiais civis em São Paulo, na quinta-feira (16/10), foi tratada pelos principais telejornais do país apenas pelo lado factual. Nem a Bandeirantes e nem a Globo ousaram ir um centímetro além do que todos estavam vendo num episódio que aumentou a sensação de orfandade da população em matéria de segurança pública.

Nenhuma das emissoras procurou contextualizar minimamente os fatos para dar aos seus respectivos públicos condições básica as para entender o que aconteceu. Foi um exemplo de jornalismo de observação asséptica, em que o máximo que o telespectador conseguiu foi conhecer a opinião óbvia do governador José Serra ("foi uma ação eleitoreira da CUT") e as explicações enigmáticas de um dos líderes dos grevistas na polícia civil ("fomos atacados injustificadamente").

O tiroteio e a pancadaria, em São Paulo, entre os agentes da lei e da ordem aconteceu na mesma semana em que os telejornais mostraram cenas de guerra no centro do Rio, com policiais militares atirando a esmo no meio da população. Particularmente chocante foi a cena de um PM carioca, cercado por transeuntes, disparar mais de 20 vezes o seu fuzil automático contra um alvo indefinido, supostamente localizado no alto de um morro a centenas de metros de distância.

Alternativa criativa

Tanto um episódio como o outro, independente de suas motivações e objetivos, mostrou que as forças de segurança deste país se desorientaram na guerra contra o crime organizado e perderam a noção de que seu objetivo é proteger a população. O transeunte passa a ser um estorvo na guerra particular entre policiais e bandidos – na qual, ao que tudo indica, a segurança pública tornou-se um mero pretexto.

Numa conjuntura como esta, a imprensa tem a obrigação de ir além daquilo que todos estamos vendo na tela da TV ou nas fotografias. É preciso buscar o contexto dessa crise por que, senão, para que serve a imprensa? A população está perdida no meio desta guerra e o único recurso que ela tem para reverter o quadro é a informação contextualizada.

Notícias nós já temos aos montes com todos os flashes informativos, helicópteros, unidades móveis, câmeras ocultas, grampos etc., etc. Falta a informação que nos permita identificar os significados das ações que estamos assistindo para, a partir daí, tirar conclusões e definir ações.

Se a imprensa não conseguir cumprir esta missão, muito provavelmente ela será atropelada pelos blogs, porque a criatividade individual acabará encontrando uma alternativa para a busca de informações.

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=507JDB012



Escrito por mauricio às 20h44
[] [envie esta mensagem
] []





DO BISCOITO FINO E A MASSA

Dois links

O pai de todos os jornais conservadores, o Washington Post, endossa Barack Obama num magnífico e revelador editorial. Trata-se daquele tradicional gesto de transparência que a mídia brasileira -- com a exceção da Carta Capital -- continua recusando-se a fazer, o de declarar suas preferências numa eleição. Enquanto mantêm suas escolhas supostamente encobertas, Folhas e Globos escondem cenas como esta:

http://www.youtube.com/watch?v=-gxr8yPLmY0

que certamente estariam sendo exibidas dezenas de vezes por dia na TV e priorizadas nas primeiras páginas dos jornais caso o governador do estado de São Paulo se chamasse Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante.

Dois pesos, duas medidas, sempre. O que falta à mídia brasileira é, sobretudo, transparência. Na contra-corrente da dissimulação, os blogueiros tendem a declarar suas escolhas abertamente. Este blog é, com muito orgulho, membro do coletivo Blogueiros com Marta Suplicy. Se você apóia Marta, pegue lá seu selinho e deixe a autorização para a inclusão do seu blog.

PS: O RS Urgente vem documentando a terrorífica atuação de outra polícia militar, a do Rio Grande do Sul.


  Escrito por Idelber

Escrito por mauricio às 20h37
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

Reflexões sobre o subprime verde-amarelo

por Fernando Blanco

Graças às perdas bilionárias que Sadia, Aracruz e Votorantim tornaram públicas, o espírito piadista brasileiro tratou de cunhar a expressão subprime brasileiro.

A operação é simples: a empresa toma um empréstimo. Junto com ele, vende derivativos que poderão ser exercidos pelo banco (que comprou o derivativo). Como o vendedor do derivativo (a empresa captadora) recebe um prêmio, o custo “all-in” do empréstimo ficava mais baixo. Só que as opções que eram “out-of-the-money” (isto é, quase impossível de serem exercidas), ficaram “in-the-money” (isto é, ficaram no preço para serem exercidas), gerando massivos prejuízos para os clientes dos bancos.

Tecnicamente falando, o drama acima não tem nada a ver com a hecatombe americana. Primeiro porque a extensão e a profundidade das crises são incomparáveis. Depois porque o problema lá é monossetorial (construção civil) e aqui é multissetorial. E também porque lá o lastro é crédito ruim, aqui é derivativo. Nos EUA o beneficiado era um cidadão sem crédito e aqui, uma empresa com crédito de sobra (em tese).

No entanto, pensando fora do “financês”, achei melhor redefinir a expressão subprime: “Estrutura de negócio vendida por agentes excessivamente ambiciosos, cuja meta é gerar receitas no curto-prazo, e que é comprada por clientes pouco esclarecidos. Todos os envolvidos, vendedores e compradores, negligenciam os riscos envolvidos na transação”.

Perfeito: temos então o nosso subprime verde-amarelo! Parabéns para o capitalismo nacional! Ou não…

Vale notar que a criação de uma estrutura financeira exótica não tem nada de excepcional. Elas existem para permitir que empresas e bancos possam se proteger ou se posicionar em determinado mercado. Parece obra de Deus.
Só que as três gigantes acima citadas têm expertise e balanço para fazer o que fizeram. Se correram tais riscos, sabiam o que estavam fazendo.

Agora, e aquele empresário amigo meu, de Avaré, que fatura R$ 20 milhões por ano, cujo gerente financeiro não tem MBA por Harvard ou Princeton? Pois é, ofereceram para ele também. E ofereceram também para um distribuidor de medicamentos local, que não tem um cent de dólar no balanço. Para que usar estruturas com derivativos de dólar?

Enviado por: José Paulo Kupfer

 

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 20h10
[] [envie esta mensagem
] []





DO ENTRELINHAS

Foram a CUT e o PT, governador Serra?

A polícia do governador José Serra (PSDB) fez uma lambança no caso do seqüestro em Santo André. Devolver uma refém ao sequestrador já foi uma temeridade, mas informar que a outra refém havia morrido quando ela permanece viva, embora correndo risco de morte, é um despautério. Alô, governador, o senhor vai dizer que também foi culpa da CUT e do PT, com fins eleitorais, para beneficiar Marta Suplicy? Ou vai tomar a decisão que a sociedade clama e demitir o seu secretário de Segurança, que também na greve da Polícia Civil tem se mostrado aquém do cargo que ocupa?


Escrito por mauricio às 19h55
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO MINO

Serra e a guerra

A guerra paulistana das polícias causa o maior impacto. Entende-se. É a mais implacável e concreta metáfora da nossa insegurança. No quadro, claras as irresponsabilidades. De um lado, autoridades incompetentes até a leviandade, sintonizadas à perfeição com as visões dos privilegiados do Brasil. Do outro, policiais mal preparados e muito mal pagos. Neste episódio, especificamente, avulta o autoritarismo do governador José Serra,  a comprometer a possibilidade de uma negociação o mais possível civilizada. Para quem é candidatíssimo a candidatíssimo à presidência da República, o lance está longe de ser positivo.

 

http://www.blogdomino.com.br/



Escrito por mauricio às 19h15
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA BRASIL DE FATO

Em apoio a grevistas de SP, polícia civil de todo país promete paralisação

por Michelle Amaral da SilvaÚltima modificação 17/10/2008 19:07

O governador José Serra criticou o movimento grevista, dizendo que a manifestação tinha intenções políticas e sindicais, principalmente às vésperas do segundo turno das eleições municipais

O governador José Serra criticou o movimento grevista, dizendo  que a manifestação tinha intenções políticas e sindicais, principalmente às vésperas do segundo turno das eleições municipais
17/10/2008
Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil

 

 A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) vai fazer uma paralisação nacional por duas horas, no próximo dia 29, em apoio à greve dos policiais civis em São Paulo. De acordo com a Adepol, a paralisação terá início às 14 horas.
 
 Ontem, 16, os policiais civis paulistas que estão em greve há mais de um mês, entraram em confronto com policiais militares próximo ao Estádio do Morumbi, na zona sul de São Paulo. A intenção dos policiais civis era fazer uma passeata até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Entretanto, as ruas ao redor do Palácio foram bloqueadas pelos policiais militares, já que a área é considerada de segurança e é proibido fazer manifestações no local. Os manifestantes tentaram furar o bloqueio dos policiais militares e prosseguir com a passeata, mas foram contidos com bombas de gás lacrimogênio. Na confusão, os policiais trocaram tiros com balas de borracha e dezenas de pessoas ficaram feridas.
 
Na tarde de hoje, 17, os policiais civis devem se reunir com as centrais sindicais para discutir sobre os rumos da greve no estado. Ontem, o governador José Serra criticou o movimento grevista, dizendo a uma rede de televisão que a manifestação tinha intenções políticas e sindicais, principalmente às vésperas do segundo turno das eleições municipais. Antes do confronto, o governador já havia reiterado à imprensa que só negociaria o reajuste salarial com os policiais civis quando a greve tivesse fim.
 
 Também ontem, a Força Sindical enviou nota repudiando o posicionamento do governador e dizendo que é “intolerável que um governador eleito democraticamente utilize métodos truculentos contra servidores em luta”. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também criticou o governo afirmando que o “autoritarismo, a falta de diálogo, o desrespeito, a truculência fascista e a irresponsabilidade criminosa” promoveram uma guerra.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/agencia/em-apoio-a-grevistas-de-sp-policia-civil-de-todo-pais-promete-paralisacao



Escrito por mauricio às 19h07
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

DEBATE ABERTO

Serra e a blindagem da TV Globo

O que Perseu Abramo destacou como “padrões de ocultação", fragmentação" e "inversão" foram a tônica de um noticiário mais empenhado em evitar desgaste de Serra na véspera do segundo turno das eleições municipais do que explicar os motivos que levaram a barbárie a tomar as ruas paulistanas.

A cobertura dada pela TV Globo ao confronto entre policiais civis e militares, nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, foi um show de culinária. Não bastasse o silêncio durante a tarde, a edição de 16/10 do Jornal Nacional se esmerou em cozinhar textos de uma só fonte para oferecer um produto pouco informativo, incompleto e sem qualquer rigor na apuração. Entende-se. A correta contextualização dos fatos poderia arranhar a imagem do governador José Serra. E de um modo de governar que tem na incapacidade de negociação o DNA tucano.

O interessante é que não estamos diante de um caso isolado ou de falha provocada por profissionais inexperientes e/ou incompetentes. Muito pelo contrário. Mais uma vez, a emissora da família Marinho, reuniu a nata da casa, para subordinar o exercício do bom jornalismo, e as responsabilidades a ele inerentes, ao projeto eleitoral do consórcio PSDB/DEM.

As imagens de um conflito em que foram utilizadas bombas de gás lacrimogêneo, munição convencional e de borracha foram ao ar acompanhadas do texto que melhor convinha ao "padrão Globo" de divulgação de notícias. Para o telespectador, a intransigência tinha um só lado: policiais, sindicalistas e partidos políticos, com destaque para o PT, é claro. Não havia greve que se arrasta há um mês e muito menos uma categoria que tem a média salarial mais baixa que o piso de 11 estados. A registrar, uma disfuncão, nada mais.

O que Perseu Abramo destacou como “padrões de ocultação", fragmentação" e "inversão" foram a tônica de um noticiário mais empenhado em evitar desgaste de Serra na véspera do segundo turno das eleições municipais do que explicar os motivos que levaram a barbárie a tomar as ruas paulistanas.

Microfones abertos para o principal personagem a ser blindado e sua versão pautou a cobertura. O relato da emissora serviu como narrativa de corroboração

“O governador José Serra disse que o protesto foi feito por uma minoria e que é ilegal. “Essa manifestação reuniu, no máximo, 1.000, 1.200 pessoas. A Polícia Civil tem 35 mil efetivos. Trata-se, portanto, de uma minoria. Muitos dos participantes não são da polícia, são de outros sindicatos, da CUT e da Força Sindical. Há partidos políticos por trás”.

Serra também criticou o uso de armas pelos manifestantes. “Armas são entregues às polícias para defenderem o povo contra os criminosos. Não para servirem a movimentos políticos reivindicatórios. Reivindicação se faz na mesa conversando, não com violência. Isso nós não aceitamos”.

E se tivesse havido diálogo, a crise teria chegado a esse ponto? Confronto entre policiais não aponta para crise institucional? Será isso o que estamos vivendo no Estado mais rico do país? Onde ocorreu embates envolvendo forças de segurança antes? Em Belo Horizonte, há 11 anos. A que partido pertencia o então governador de Minas, Eduardo Azeredo? São questões por demais delicadas para que o jornalismo global possa fazer qualquer aprofundamento.

Mas o "melhor", em matéria de manipulação, estava guardado para o dia seguinte. Na edição de 17/10 do Bom Dia Brasil. Com ar contrito, o jornalista Renato Machado anunciou que "A população de São Paulo assistiu atônita a mais um exemplo da crise que assola a segurança pública no Brasil”.

A nacionalização do conflito esclarece o planejamento da agenda. Como no Brasil? É em São Paulo, e sob as ordens de um governador do PSDB, que polícia atira em polícia. Essa é uma anomia exclusivamente tucana. O ato falho talvez tenha revelado o que a emissora antecipa para 2010.


 

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4007



Escrito por mauricio às 19h05
[] [envie esta mensagem
] []





De Drummond

O medo

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.

Carlos Drummond de Andrade
In A Rosa do Povo



Escrito por mauricio às 20h43
[] [envie esta mensagem
] []





Polícia pra quem precisa de Polícia.....

Lamentável o que aconteceu em São Paulo hoje.

Enquanto as duas policias se degladiavam, a cidade estava desprotegida.

O Sr. Governador do Estado, mostrou seu método administrativo. O pouco caso com que vem tratando a policia Civil é visível.

Na minha opnião os Delegados de Polícia deveriam ter seus vencimentos equiparados aos de juízes e promotores, mas são tratados como funcionários públicos de segunda classe.

Os salários daqui de São Paulo, o Estado mais rico da federação é dos mais baixos do país.

 



Escrito por mauricio às 20h39
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

A corrida para o crédito agrícola

Coluna Econômica - 16/10/2008

A decisão do Banco Central de liberar parte do compulsório dos bancos para o crédito rural poderá significar R$ 5,5 bilhões a mais, R$ 2 bi do Banco do Brasil e R$ 3,5 dos demais bancos. A questão é saber se o dinheiro chegará na ponta.

O vice-presidente de Agronegócios do BB, Luiz Carlos Guedes Pinto, diz que, da parte do banco, o quadro caminha tranqüilo. O ano agrícola vai de 1o de julho a 30 de junho do próximo ano. Até ontem, o BB tinha liberado 8% a mais do que até 30 de outubro do ano passado. No total as liberações chegaram a R$ 9,2 bilhões. Como faltam 15 dias para terminar o mês, Guedes calcula que em outubro será mantido o nível de 36% a mais de financiamento.

***

Somando às pesquisas de campo da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento),a estimativa do BB é de uma safra igual à do ano passado, com variação de 5% para cima ou para baixo.

***

Mas ainda falta ritmo ao governo para suprir a falta de crédito no campo.

Antes de ontem houve reunião com Ministério da Fazenda e da Agricultura. Participou o Banco Central, a quem foi pedido um acompanhamento estreito sobre a aplicação do compulsório dos bancos no financiamento à lavoura.

Há características distintas no crédito agrícola. Enquanto o BB financia diretamente o produtor, o sistema privado normalmente se vale de cooperativas, integradoras (produtores de frango, por exemplo) e fornecedores, que compartilham o risco do crédito..

Fica mais fácil para o BC controlar esses contratos, já que em quantidade menor e concentrados em grandes grupos.

***

Para o próximo ano, Guedes tem uma visão positiva da colheita. Apesar da queda das cotações nas últimas semanas, os preços atuais de commodities são favoráveis ao produtor – se o dólar se mantiver acima de R$ 2,00.

Nos anos anteriores, o produtor comprava insumos com o dólar mais alto que o da colheita, em função da apreciação do real. Desta vez, comprou a R$ 1,60 e, dependendo do comportamento do mercado, poderá vender a R$ 2,00.

***

Apesar das medidas recentes, o BC tem sido exageradamente tímido para combater a crise. As decisões demoram a sair; depois que saem, demorar a ser implementadas. E o BC não parece ter confiança na sua própria força para resistir aos lobbies – com exceção dos lobbies de mercado.

Uma medida relevante seria usar recursos do compulsório dos depósitos a prazo para financiar fornecedores e tradings, principalmente no centro-oeste. No sul e sudeste, o crédito agrícola com taxas controladas responde por 50 a 60% do crédito total ao setor.

No centro-oeste, é de 20% no máximo. Há uma relação histórico do financiamento ser suprido por tradings e fornecedores de insumos. E essa relação foi interrompida por causa da crise do crédito.

Mas o BC acabou rejeitando a proposta, com receio de que houvesse pressões de outros setores por esses recursos.

***

O relevante, agora, é o governo remontar os sistemas de Aquisição do Governo Federal (AGF) e Empréstimos do Governo Federal (EGF) para que o agricultor não tenha que correr da mão para a boca no momento da safra.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/6



Escrito por mauricio às 20h07
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

A articulação dos bagrinhos

Não sei se Lula será reconhecido como um dos maiores presidentes do país ou o homem que perdeu uma oportunidade histórica. O futuro dirá. Mas, garanto que nunca vi um presidente da República que trabalhasse tanto. Talvez Ernesto Geisel. Não tem um dia em que Lula não esteja em algum evento importante, aqui ou em qualquer parte do mundo. Aliás, se alguém puder levantar a agenda dele nos últimos 30 dias e colocar em um post da Comunidade do Blog, seria interessante para conferir.

Ontem estava na Índia.

Segundo matéria de Sérgio Léo, no Valor (clique aqui), acertando a questão da cooperação com os indianos no aprimoramento do rebanho zebuíno. A pedido de Silvio Crestana, presidente da Embrapa, deu um aperto nos indianos, para que liberem o sêmen bovino.

Outro ponto importante foram as discussões com Índia e África do Sul para uma ação coordenada contra a crise mundial:

“Na comparação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é a "revolta dos bagrinhos": na terceira reunião de cúpula de Índia, Brasil e África do Sul os chefes de Estado dos três países decidiram criar o que o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, definiu como "uma estratégia coordenada" para enfrentar a crise financeira mundial. Lula chegou a sugerir o estudo de fórmulas para o comércio entre os países emergentes em moedas nacionais, como o recém-criado por Brasil e Argentina. Os ministros da Fazenda e das Relações Exteriores e os presidentes dos Banco Centrais dos três países vão reunir-se ainda neste ano para discutir a "estratégia coordenada" contra a crise”.

enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 20h03
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

JEITO TUCANO DE GOVERNAR

Repressão a greves e à Marcha dos Sem deixa feridos em SP e no RS

Em São Paulo, ação da Polícia Militar contra policiais civis em greve há um mês abre fosso entre as duas corporações. Governador José Serra (PSDB) diz que não tem responsabilidade no episódio e que não negocia com grevistas. No Rio Grande do Sul , Brigada Militar reprime piquete de bancários em greve e usa bombas e balas de borracha contra integrantes da 13ª Marcha dos Sem. Cerca de 20 pessoas ficaram feridas nestes confrontos.

Bancários, policiais civis e manifestantes da 13ª Marcha dos Sem foram duramente reprimidos, nesta quinta-feira (16) pelas polícias militares dos Estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, ambos governados pelo PSDB. Em SP, o alvo da ação repressiva da PM foram os policiais civis, em greve há um mês, que realizavam uma marcha em direção ao Palácio Bandeirantes, sede do governo.

No RS, a repressão ocorreu em duas etapas. Pela manhã, a Brigada Militar reprimiu com uma violência um piquete de bancários em greve, na frente da agência central do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). À tarde, o alvo da ação da Brigada, comandada pelo coronel Paulo Roberto Mendes, foi a 13ª Marcha dos Sem. O carro do som da manifestação, que se dirigia ao Palácio Piratini, foi bloqueado por um batalhão de choque da Brigada que lançou balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

"A PM veio agredindo os policiais civis"
A guerra das polícias em São Paulo surpreendeu o país pelas cenas de confrontos que, no final da tarde, passaram a ser exibidas nas redes de televisão. Segundo o presidente da Associação dos Funcionários da Polícia Civil do Estado de SP, Hilkias de Oliveria (AFPCESP), o conflito iniciou depois que os policiais civis que estavam na manifestação pediram, por meio de carro de som, que os PMs largassem os escudos e cacetetes para entrar no Palácio dos Bandeirantes para protestar.

"A PM veio agredindo os policias civis. E os policiais civis gritavam através do carro de som que estavam com o mesmo salário arrochado e que eles guardassem os escudos e cacetetes e os acompanhassem no protesto ao governo, porque mais de 100 mil policiais civis e militares estavam passando fome e eles estavam jogando bomba contra os policiais", relatou Oliveira no site da entidade.

Ainda segundo o presidente da associação, o confronto aconteceu atrás do Palácio quando os policiais civis iam começar a subir para ir para a frente do Palácio. O objetivo era protestar em frente ao Palácio. “Evidente que lideranças queriam que governador os recebesse. O tumulto foi criado pelo governo e pela Polícia Militar, porque os PMs estão a serviço do governo".

O policial civil João Batista Rebouças disse à Agência Brasil que cerca de 3 mil policiais caminhavam pacificamente pelo Morumbi quando foram surpreendidos pela Polícia Militar. "Jogaram polícia contra polícia, isso é um absurdo", afirmou. Segundo Rebouças, seis policiais civis estão feridos e um do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) perdeu um dedo. "Atiraram, jogaram bombas de gás lacrimogêneo, pimenta. Não estamos armados e (estamos) sendo tratados com insensatez". Segundo informou o Hospital Albert Einstein, no final da tarde, doze pessoas chegaram feridas do confronto.

Major da PM critica Serra e pede intervenção federal
Em entrevista a TV Record, o major reformado da Polícia Militar de São Paulo, Sérgio Olimpio, criticou duramente o governo José Serra e defendeu a intervenção federal no Estado de São Paulo. Segundo ele, o governo foi absolutamente irresponsável ao não negociar com os policiais em greve, deixando que a situação chegasse ao confronto. “O governo não tem mais qualquer condição de administrar o conflito entre as políticas. Esse conflito é fruto da incompetência e da gestão desastrosa do governo do Estado”, criticou.

O governador José Serra, em entrevista à TV Bandeirantes, eximiu-se de qualquer responsabilidade em relação à guerra entre as polícias e acusou o PT, o PDT, a CUT e a Força Sindical de querer fazer “exploração eleitoral” do episódio. Serra defendeu a ação da Polícia Militar contra os grevistas da Polícia Civil. Além disso, o governador tucano reafirmou que não vai negociar com grevistas.

O presidente do PT em São Paulo, José Américo Dias, respondeu ao governador, dizendo que ele tenta de forma oportunista jogar nas "costas do PT um problema que é dele". " Ele ganhou o governo com perspectiva de melhorar os salários, com essa promessa e ao contrário, o que ele fez foi trair as promessas que fez quando era candidato e agora diante da greve que já dura mais de 30 dias, diante de um movimento, tenta tirar o corpo fora e politizar a questão", afirmou Dias à Agência Estado.

No RS, Brigada Militar reprime greve e Marcha dos Sem
Em Porto Alegre, após reprimir um piquete de bancários em greve pela manhã, a Brigada Militar voltou a entrar em ação à tarde, desta vez, contra a 13ª Marcha dos Sem, em frente ao Palácio Piratini. Os brigadianos trancaram a passagem do carro de som da manifestação e usaram balas de borracha e as chamadas "bombas de efeito moral" para dispersar os manifestantes. As primeiras informações dão conta que cerca de dez pessoas ficaram feridas.

Os deputados Raul Pont, Dionilso Marcon, Ronaldo Zulke, Mariza Formolo, do PT, e Raul Carrion, do PCdoB, saíram da Assembléia e foram conversar com o comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes (conhecido pela linha dura de repressão que vem aplicando contra os movimentos sociais e sindicatos no Estado), que comandava a operação.

Criou-se uma grande confusão e os parlamentares chegaram a ser empurrados por brigadianos. Ronaldo Zulke disse ao coronel Mendes: "O senhor pode falar conosco. Somos parlamentares. Não precisa se esconder atrás dos PMs".

O carro de som dos manifestantes acabou sendo liberado e foi para a frente do Palácio Piratini. Sob o olhar do coronel Mendes que permaneceu na porta da Catedral Metropolitana, cercado por PMs do Batalhão de Operações Especiais (BOE). Foi saudado pelos manifestantes da Marcha que, em côro, o chamaram de "fascista". Até o final da tarde, a governadora Yeda Crusius ainda não havia se manifestado sobre o conflito.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15305



Escrito por mauricio às 19h12
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Gilmar pode ter vazado relatório sigiloso

Do G1

Queiroz sugere que presidência do Supremo vazou relatório sigiloso
Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília

Em depoimento de uma hora, sargento nega grampo e participação na Satiagraha

O chefe da Seção de Operações Especiais da Secretaria de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF), Aílton Carvalho de Queiroz, disse em depoimento à CPI dos Grampos nesta terça-feira (14) que a própria presidência do tribunal pode ter vazado o relatório sigiloso que apontava provável escuta em uma sala utilizada pelo ministro Gilmar Mendes. Esvaziado, o depoimento durou cerca de uma hora.

Questionado sobre o vazamento do relatório, que foi publicado pela revista Veja, Queiroz afirmou que o conteúdo era sigiloso e deixou escapar sua suspeita sobre o vazamento. “Imagino que foi a própria presidência (quem vazou). Eu faço o relatório em duas vias e ele é entregue ao chefe de gabinete da presidência."

A assessoria de imprensa do STF negou que o relatório tenha vazado de qualquer setor do Supremo.

Comentário

A cada dia que passa mais evidências aparecem sobre as ligações de Gilmar Mendes com notícias falsas (ou sigilosas) vazadas para Veja. O relatório em questão não era conclusivo. Falava de suspeitas. Foi vazado para a revista. Ou seja, a mais alta autoridade do Judiciário, presidente do STF, não teria respeitado a confidencialidade do documento. A revista transformou em escândalo que foi desmontado em três tempos pela Blogosfera - graças aos comentaristas especialistas em eletrônica. Aqui mesmo comentaristas aventaram a possibilidade do equipamento do STF ter captado um sinal de TV.

Veja o que diz o depoente:

O chefe da segurança ressalta que não foi possível traduzir o que o sinal encontrado transmitia. “Não foi possível fazer a verificação de onde vinha porque não era possível fazer a demodulação para se poder ouvir o que estava transmitindo no ambiente. A despeito de não ser possível demodular, o equipamento deu alerta máximo, de nível cinco, indicando probabilidade muito grande de um sinal no ambiente”, disse.

Transmissão

Ele afirmou à CPI que não era possível garantir que a transmissão acontecia de dentro da sala do Supremo. “Só podemos dizer que alguma coisa estava sendo transmitida, mas pode ser ao redor, não precisa ser necessariamente dentro da sala”. Queiroz ressaltou que não foi possível localizar o transmissor do sinal. Ele lembrou que durante a varredura havia carros de links de emissoras de televisão, que são utilizados para transmissões ao vivo.

Essa foi a base para mais um dos factóides da Veja.

Gilmar endossou uma conclusão falsa, em cima de um relatório inconclusivo, e uma possível fraude - o caso do suposto grampo preparado pela ABIN. E provavelmente passou para a revista o terceiro mote: o depoimento da desembargadora sobre supostos grampos, que não tinha uma informação conclusiva sequer.

Do Blog de Lauro Jardim, da Veja

CPI DOS GRAMPOS

Depoimento entediante

Em mais de uma hora de depoimento à CPI dos Grampos, o chefe da seção de operações especiais da secretaria de seguranca do Supremo, Ailton Carvalho de Queiroz, não trouxe uma nova informação em relação à suspeita de grampo em uma sala usada pelo presidente do Supremo, Gilmar Mendes. O depoimento se encerrou agora.

Comentário

Como entediante? Dizer que um documento sigiloso foi vazado pelo presidente do STF não é novidade para a Veja, receptadora do relatório. Para o restante da opinião pública, é.

Chamo a atenção dos senhores para um processo inevitável. Depois que os factóides da CPI dos Grampos foram caindo um a um, que todas as manipulações foram sendo desmascaradas pelos fatos, cada sessão nova é um risco para os autores das manipulações midiáticas. Em breve, a CPI será esvaziada.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 23h08
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO ALON

Empreste ao banco, que o governo garante - ATUALIZADO (14/10)

O dinheiro que os bancos emprestam aos clientes não é dinheiro deles, os bancos. É dinheiro emprestado aos bancos pelos clientes. Se ninguém empresta aos bancos eles não têm nada para emprestar. A isso os economistas chamam de falta de liquidez no sistema bancário. Desculpem a redundância, mas foi o jeito que achei para escrever. A estatização maciça do sistema bancário (por meio da compra de ações) serve para dizer aos potenciais emprestadores de dinheiro aos bancos: "podem colocar seu dinheiro aqui, que o governo garante". Lembro de quando havia o slogan "plante, que o governo garante". Se não estou enganado, foi na gestão de Delfim Netto no Ministério da Agricultura, no governo João Figueiredo. Agora é "invista seu dinheiro no banco, que o governo garante". Por que a bomba sobrou nas mãos dos governos em todo o mundo? Porque governos são a única instituição que pode se capitalizar à vontade, ou quase. Ôpa, até eu caí no economês. Capacidade de capitalização é a capacidade de arrumar dinheiro. Governos, especialmente os de boa reputação (como bons pagadores), sempre encontrarão quem se disponha a emprestar dinheiro para eles. E governos ainda têm outro recurso à mão: aumentar ou criar impostos e taxas. Governos de nações muito fortes podem mais ainda: podem até praticar o roubo em outros países, se necessário. Ou se possível. Afinal, sempre é bom unir o útil ao agradável. Daí que os papéis das grandes potências sejam disputados em épocas de crise. Esse é o nosso mundo. O mercado financeiro encostou o cano da arma na têmpora dos políticos e eles tiveram que ceder. O dinheiro dos impostos servirá como garantia dos empréstimos aos bancos. Menos mal que a coisa tenha evoluído para uma solução estatizante, graças à iniciativa do premiê trabalhista britânico, Gordon Brown. Pelo menos os governos vão ficar com ações dos bancos. Assim não será um simples assalto ao bolso do contribuinte. O que a teoria da mão invisível do mercado não resolve fica agora para a mão (bem) visível do estado resolver. Aliás, cadê os críticos do aumento da carga tributária? Cadê os apologetas da responsabilidade fiscal? Por falar nisso, outra idéia que caminha para a aposentadoria inglória é a maluquice de estender a Lei de Responsabilidade Fiscal ao governo federal. Se o governo federal estiver amarrado por limites legais draconianos para endividar-se ele não poderá agir como governo em época de crise. Não terá liberdade para arrumar o dinheiro necessário para salvar o sistema. Mas isso agora é passado. O mercado de idéias anda comprador, e não mais vendedor. E há certas idéias que andam mais baratas do que ações da Aracruz. Mas mesmo nesses preços baixíssimos não mais encontram comprador. Por que será?


http://twitter.com/alonfe

por Alon Feuerwerker @
 


Escrito por mauricio às 22h52
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

JOSÉ SARAMAGO

Onde está a esquerda?

No dia 1° de outubro, o escritor português provocou: "Imaginei, quando há um ano rebentou a burla cancerosa das hipotecas nos Estados Unidos, que a esquerda, onde quer que estivesse, se ainda era viva, iria abrir enfim a boca para dizer o que pensava do caso. Passou-se o que se passou depois, até hoje, e a esquerda, covardemente, continua a não pensar, a não agir, a não arriscar um passo". Segue aguardando resposta.

Texto publicado pelo escritor português em seu site, O Caderno de Saramago, no dia 1° de outubro de 2008.

"Ausento-me deste espaço por vinte e quatro horas, não por necessidade de descanso ou falta de assunto, somente para que a última crónica se mantenha um dia mais no lugar em que está. Não tenho a certeza de que o mereça pela forma como disse o que pretendia, mas para lhe dar um pouco mais de tempo enquanto espero que alguém me informe onde está a esquerda…

Vai para três ou quatro anos, numa entrevista a um jornal sul-americano, creio que argentino, saiu-me na sucessão das perguntas e respostas uma declaração que depois imaginei iria causar agitação, debate, escândalo (a este ponto chegava a minha ingenuidade), começando pelas hostes locais da esquerda e logo, quem sabe, como uma onda que em círculos se expandisse, nos meios internacionais, fossem eles políticos, sindicais ou culturais que da dita esquerda são tributários. Em toda a sua crueza, não recuando perante a própria obscenidade, a frase, pontualmente reproduzida pelo jornal, foi a seguinte: “A esquerda não tem nem uma puta ideia do mundo em que vive”.

À minha intenção, deliberadamente provocadora, a esquerda, assim interpelada, respondeu com o mais gélido dos silêncios. Nenhum partido comunista, por exemplo, a principiar por aquele de que sou membro, saiu à estacada para rebater ou simplesmente argumentar sobre a propriedade ou a falta de propriedade das palavras que proferi. Por maioria de razão, também nenhum dos partidos socialistas que se encontram no governo dos seus respectivos países, penso, sobretudo, nos de Portugal e Espanha, considerou necessário exigir uma aclaração ao atrevido escritor que tinha ousado lançar uma pedra ao putrefacto charco da indiferença.

Nada de nada, silêncio total, como se nos túmulos ideológicos onde se refugiaram nada mais houvesse que pó e aranhas, quando muito um osso arcaico que já nem para relíquia servia. Durante alguns dias senti-me excluído da sociedade humana como se fosse um pestífero, vítima de uma espécie de cirrose mental que já não dissesse coisa com coisa. Cheguei até a pensar que a frase compassiva que andaria circulando entre os que assim calavam seria mais ou menos esta: “Coitado, que se poderia esperar com aquela idade?” Estava claro que não me achavam opinante à altura.

O tempo foi passando, passando, a situação do mundo complicando-se cada vez mais, e a esquerda, impávida, continuava a desempenhar os papéis que, no poder ou na oposição, lhes haviam sido distribuídos. Eu, que entretanto tinha feito outra descoberta, a de que Marx nunca havia tido tanta razão como hoje, imaginei, quando há um ano rebentou a burla cancerosa das hipotecas nos Estados Unidos, que a esquerda, onde quer que estivesse, se ainda era viva, iria abrir enfim a boca para dizer o que pensava do caso.

Já tenho a explicação: a esquerda não pensa, não age, não arrisca um passo. Passou-se o que se passou depois, até hoje, e a esquerda, cobardemente, continua a não pensar, a não agir, a não arriscar um passo. Por isso não se estranhe a insolente pergunta do título: “Onde está a esquerda?” Não dou alvíssaras, já paguei demasiado caras as minhas ilusões.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15298



Escrito por mauricio às 22h46
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO ROVAI

(13/10/2008 13:19)

Por Glauco Faria


É sempre didático, e um indicador importante de quão democrática é de fato uma gestão pública, observar como ela reage diante de uma greve. Colocado em uma situação concreta de embaraço, um governo pode responder com diálogo, com truculência ou repetindo lugares comuns de longa data, que remete ao regime militar.

O governo paulista de José Serra, por exemplo, divulgou nota contra a paralisação dos defensores públicos do estado agendada para esta semana. No tal documento, referiu-se ao movimento como do tipo que “serve somente ao projeto político-ideológico de parcela dos integrantes da Defensoria Pública, e não ao interesse público.” É a tal da “greve política”.

Dever-se-ia cobrar do governador algum tipo de explicação, como uma pergunta elementar: a que “projeto político-ideológico” a paralisação pretende ajudar? E como uma greve pode auxiliar esse projeto? Tentando responder a isso, talvez Serra faça referência à candidatura petista na capital paulista. Ainda assim, repita-se a questão: como essa greve a ajuda, governador? O pior é que esse tipo de alegação ganha títulos e manchetes, obscurecendo a pauta de reivindicações dos grevistas. Talvez, a única intenção desse tipo de argumento seja essa mesma, ganhar destaque na imprensa dita grande que adora reproduzir notas e releases de quem está no poder. Ainda mais se o ocupante do cargo tiver plumagem azul e amarela.

Outra manobra típica é citar a faixa de remuneração de grevistas, jogando-os contra a população que em geral ganha bem menos que as categorias mais organizadas. Isso é feito comumente contra funcionários públicos e, pasme, até contra professores da rede pública, que são chamados a exercer um “sacerdócio” em que a remuneração e as condições de trabalho importam menos que a sua “vocação”. Claro que a mesma lógica não vale para um parlamentar, por exemplo.

Não há dúvida que os salários dos defensores estão acima da média nacional. Mas são justos se comparados a funções equivalentes para profissionais com a mesma formação? Um salário inicial de um defensor equivale a menos de um terço (isso mesmo, um terço) da remuneração de alguém em início de carreira no Ministério Público Estadual ou na magistratura. E é menos da metade de alguém que entra na Procuradoria Geral do Estado. Isso, obviamente, gera desinteresse de profissionais do Direito pela carreira, além de alta rotatividade no órgão. Ou seja, ao contrário do discurso oficial, o governo do estado não parece nem um pouco preocupado com aqueles que precisam de assistência jurídica gratuita.

E tome ladainha contra grevistas! Aliás, creio que deva existir um manual para quem redige as notas em relação a paralisações no estado. E a imprensa dita grande também deve utilizar o mesmo manual. Como recordar é viver, quem quiser acesse o editorial do Estadão a respeito da greve dos professores realizada em junho. De tão favorável e complacente com a posição governista, o texto foi reproduzido no portal do governo do estado. A paralisação é classificada pela assessoria de imprens... ops, pelo jornal, como “política” e visa, olhem só, favorecer Marta Suplicy. Mudam as greves e as reivindicações, mas o tratamento e as justificativas são sempre os mesmos...

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/



Escrito por mauricio às 23h50
[] [envie esta mensagem
] []





DO ESCRIVINHADOR - RODRIGO VIANA

KASSAB CRIADO PELA AVÓ?

A IMPRENSA E A INDIGNAÇÃO SELETIVA!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008 às 18:00

A mim, pouco importa que o Kassab seja homossexual, bi-sexual, pansexual, ou apenas um heterosexual com aquele jeitinho de "garoto criado pela avó".

Ninguém me perguntou nada, mas eu preferia que a Marta mantivesse isso longe da campanha. O princípio republicano deveria imperar: assuntos privados só devem ser trazidos à tona quando envolverem o interesse público. Esse deveria ser o norte de qualquer campanha, e de qualquer cobertura jornalística, na minha humilde opinião.

O sujeito tem amante? Problema dele e da mulher. Mas, se a amante ganhar cargo público, ou fizer lobby no governo, aí a notícia ganha relevância.

O sujeito é gay? Problema dele. Mas, se indicar o parceiro ou o amante para funções públicas, aí já há interesse público em jogo.
O Kassab por acaso tem algum parceiro (a) secreto (a) em função pública?
Tem? Então, eu quero saber

(assim como já sabemos que o Favre tem um papel nas articulações políticas, ao lado de Marta...)
Não tem? Então, deixa pra lá.

Isto posto, é ímpossível não enxergar uma hipocrisia sem tamanho nas reações da imprensa, diante da propaganda de Marta.
Ora, a petista - quando prefeita - não foi azucrinada durante meses por causa da separação do Suplicy? Quanta tinta (e quanta fofoca) nos jornais, pra alimentar o preconceito de "mulher que larga o marido". E que "ainda por cima, casa com um argentino!"

Mas, quando é a Marta pode, certo?

E não só a Marta.
A pulada de cerca do Renan ganhou páginas e páginas de jornais e revistas.
Cobertura extensa nas TVs, rádios.
Ninguém se importou com a filha, exposta pra sempre diante de tantas manchetes! E a mãe jornalista (?) ainda tirou lasquinha, dando (!) entrevistas em tudo que é canal (!).
Ah, mas ali havia interesse público em jogo porque era um lobista (ou suposto lobista) de empreiteira quem ajudava a pagar a pensão da menina.
Ah, então a regra é essa?

E o filho do FHC?
Dizem que a mãe era repórter de uma emissora de TV - ou seja, a mãe trabalhava para uma empresa que tem concessão pública.
E a suposta TV do suposto filho parece ter dado uma mãozinha ao suposto presidente, removendo a moça para um cargo longínquo - mas bem pago - na Europa!
Então, por que o filho de FHC nunca recebeu destaque em lugar nenhum?

Na imprensa elitista brasileira, parece valer a regra:
- se o alvo é do circuito Higienópolis/Leblon, então devemos preservar a vida íntima, e poupar nossos "leitores/telespectadores" desse triste espetáculo;
- se for torneiro mecânico, político do Nordeste, mulher, aí pode esculhambar à vontade, porque "é disso que o povo gosta" (como diria um velho narrador de futebol que, aliás, dizem que também.... Deixa pra lá. Isso não é de interesse público).

Então, vamos combinar: não vale botar vida privada em campanha, nem nas impolutas páginas de nossa imprensa, a não ser que haja "interesse público". É isso?
Então, a regra deve valer pra todo mundo, certo?
Duvido!
A Marta também sabe que isso nunca vai acontecer. Por isso, resolveu equilibrar o jogo usando a ferramenta do horário político.

Não concordo com o que ela fez. Acho feio.
Mas, isso vale pouco...

Até agora falei do que eu acho - em tese!

Agora, vou falar do que está rolando - na real!

Em São Paulo, só se fala dessa propaganda da Marta...
Um taxista hoje me perguntou: "não estou entendendo, o Kassab apareceu com uma garotinha no dia do primeiro turno, não era a filha dele?"
Eu esclareci: "não, era a sobrinha"!
E ele: "sobrinha? Xiiii. Já se entregou..."

A turma de cafajestes da padaria hoje também tava meio murcha. A graça sempre foi sacanear a Marta, chamá-la de "vagab..." e tal.
Hoje, foi dia do chapeiro tirar onda: "não sei se o Kassab é casado... Mas, sei que ele é são -paulino", gritava o rapaz (eleitor da Marta e corinthiano)!

Não sei se a Marta vai ganhar votos com a propaganda. Mas, sei que a turma da GW vai ter trabalho pra tirar de pauta esse assunto.

http://www.rodrigovianna.com.br/



Escrito por mauricio às 23h37
[] [envie esta mensagem
] []





DO VERBO SOLTO

Paul Krugman, Nobel de Economia

Não foi por seus artigos no New York Times que o professor foi premiado, mas bem que merecia. Dele se escreveu neste Observatório, em dezembro de 2003:

De coluna em coluna, Paul Krugman se transformou no mais robusto e bem-fundamentado crítico da política econômica do governo Bush; depois, no mais duro crítico do governo Bush em geral, começando por denunciar o seu acasalamento com os interesses do grande capital e terminando por mostrar os nexos entre a economia e a militarização da política externa dos Estados Unidos, que culminou com a invasão do Iraque, a primeira grande agressão ao direito internacional do novo século. De coluna em coluna, o economista que até então era apenas mais um leitor de elite de jornais e revistas se converteu também em crítico praticante – e nada menos que o melhor – da mídia americana na atualidade.” [Ver íntegra aqui.]

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=3



Escrito por mauricio às 23h34
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

A operação anti-crise

Uma crise inédita paralisando todo o sistema de crédito e o Banco Central continua atuando apenas com a planilha e a caneta: trabalhando nas projeções da Selic e no manejo do compulsório.

A operação da crise será trabalho árduo, complexo e que exigirá conhecimento amplo sobre o funcionamento da economia. Os desafios são da seguinte ordem:

1. De imediato, mapeamento das empresas e bancos que serão vitimados pela crise do subprime brasileiro. Ação conjunta do Banco Central, Fazenda, CVM (Comissão de Valores Mobiliários), BMF&Bovespa, grandes bancos e confederações empresariais. Tem que ser trabalho rápido para limpar o caminho.

2. Definição dos critérios de capitalização não apenas dos bancos mas das empresas que estiverem sob risco de quebra, podendo afetar de modo significativo a economia. Há que se convocar fundos de pensão e de equity para uma ação concatenada. Além de salvar setores da economia, poderão fazer bons negócios com as ações baratas. E os acionistas e gestores das empresas que entraram nesse jogo não serão beneficiados.

3. Montagem de uma estratégia para fazer o crédito chegar nas mãos das empresas. No caso do setor agrícola, há uma estrutura de tradings que facilitará o trabalho. Nos demais casos, tem que haver a montagem de um modelo operacional que destrave o crédito. Não basta apenas colocar dinheiro à disposição dos bancos. Tem que obrigá-los a aplicar o compulsório liberado no crédito. Mas se deixar apenas por conta do mercado, ou os bancos não recorrerão ao compulsório, ou só emprestarão para o cliente prime. Daí a necessidade de algum modelo de minimização de riscos, para que o banco destrave as operações também para pequenas e médias empresas.

4. Há a necessidade de um comando único. O BC de Meirelles não é o mais apropriado. A Fazenda não tem instrumentos de coordenação. O ideal seria a montagem de um super-ministério, ou uma agência com prazo de validade, para poder coordenar os diversos setores, montar sistemas de informação e se reportar diretamente ao presidente da República.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 23h26
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

O Nobel para Krugman: prêmio na hora certa para o homem certo

Paul Krugman acaba de ganhar o Premio Nobel de Economia deste ano. É mais uma demonstração de que o pêndulo, na economia mundial, virou de vez.  Krugman, da Universidade de Princeton, escreve duas vezes por semana uma coluna no New York Times, em cujo portal de internet mantém um blog. O blog tem um nome que não deixa dúvidas sobre suas idéias: “The Conscience of a liberal”.

Krugman é um liberal, do jeito que os americanos classificam um “liberal”: no sentido inverso do que damos aqui à expressão “liberal”, Krugman tem posições progressistas em política e, em economia, não joga toda a responsabilidade nas costas do mercado. É, como diriam alguns aqui no Brasil, em tom pejorativo, um intervencionista.

Nos últimos muitos anos, o Nobel de Economia tem sido concedido a “economistas matemáticos” ou a “economistas psicólogos”. Suas premissas são as de que os mercados, no fim das contas, não falham e suas teorias, dessossadas de preocupações sociais diretas.

Paul Krugman faz parte do outro time. O dos economistas que, embora não defendam uma economia planificada, entendem que o mercado não só precisa ser regulado, mas também, que é incapaz, pelo menos sozinho, de promover o bem-estar social.

Nos tempos perplexos de hoje, em que governos perdem a cerimônia no socorro ao setor financeiro privado, promovendo a  maior intervenção nos mercados de que se tem notícia nos últimos 80 anos e a maior apropriação privada de recursos públicos da História, o Nobel de Economia foi dado ao homem certo na hora certa.

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 23h16
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

Rapidinha

Anedota que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo me contou ontem:

Sabe aquela piada sobre as características que diferenciam os brasileiros dos outros? Sabe aquela que diz que, no Brasil, prostituta goza, gigolô se apaixona e traficante se vicia?

Agora tem mais uma característica: aqui, exportador aposta contra o dólar.

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 23h15
[] [envie esta mensagem
] []





DO IHU

A boda

Na festa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a Igreja nos oferece este texto tão conhecido por muitos de nós, freqüentemente lido nos casamentos.

Sabemos que o evangelho de João está carregado de símbolos, e o texto de hoje é uma mostra disso. Não será possível neste comentário, nos determos em todos os símbolos apresentados.

João inicia o relato da vida pública de Jesus com a narração de uma boda que se realiza em Caná, na qual Ele, sua mãe e seus discípulos estão presentes,.

Lucas coloca o início da vida pública no capítulo 4, por meio do discurso de Jesus na sinagoga que revela o “programa de vida” do Messias. João escolhe o relato atraente de uma boda para comunicar aos seus ouvintes o motivo da vinda de Jesus.

Podemos perguntar-nos: Para que veio Jesus? Para curar alguns doentes? Para ensinar uma doutrina diferente? Para nos salvar?...

Jesus veio para isso e muito mais. Por trás desse casal anônimo e de seus convidados/as, podemos descobrir o povo de Israel e toda a humanidade.

Jesus veio para celebrar a boda definitiva entre Deus e seu povo.

Nos escritos dos profetas, fala-se freqüentemente das bodas de Deus com seu povo. Deus é o esposo, Israel a esposa. Mas nesta história de amor, a esposa é infiel, e Deus se irrita várias vezes, mas o amor a ela é maior e por isso como expressão de um amor novo, os profetas nos falam da promessa de Deus ao seu povo, através do símbolo de um novo matrimônio, de uma nova boda, definitiva.

Escutemos o profeta Oséias: “Eu me casarei com você para sempre, me casarei com você na justiça e no direito, no amor e na ternura. Eu me casarei com você na fidelidade, e você conhecerá Javé”.

Trata-se de uma boda que abre uma nova etapa de amor e fidelidade inquebrantáveis! Dessa maneira, o evangelista quer mostrar que Jesus não quer cortar os vínculos com o passado de Israel, mas para levar à plenitude suas maiores aspirações.

O vinho da Antiga Aliança, simbolizado nos seis potes de pedra, acabou. É necessário um novo vinho, uma nova Aliança para a qual o Filho de Deus se fez homem: “De tal maneira amou Deus ao mundo que lhe deu seu único Filho”.

O vinho da boda da nova Aliança é o sangue de Jesus, derramado na cruz como manifestação. Nem a morte (último inimigo a ser vencido) poderá quebrar a união de Deus com seu povo.

Aqui há de ser notada outra genialidade do quarto evangelista. Tanto no início da vida pública, bodas de Caná, como no seu final na cruz, João coloca a presença de Maria, a mãe.

A boda que começa a celebrar-se em Caná encerra-se na cruz, lembremos que o evangelista une na cruz a morte e ressurreição de Jesus: “de seu lado aberto jorrou sangue e água...”.

Esse sangue, vinho novo é oferecido não só para o povo do Israel como também para todos os povos, e já não será depositado em potes de pedra, mas no coração (Isaias) de todos aqueles/as que queiram participar desta festa de boda.

Na festa de Nossa Senhora Aparecida, deixemos que ela nos ensine o que devemos fazer para que a festa não termine. Ela sabe dos sofrimentos deste povo que se coloca sob sua proteção, e sabe também do Amor de Deus por nós!

Só precisamos nos escutar suas palavras neste momento histórico que estamos vivendo: «Façam o que ele mandar».  Ela quer nos ajudar a viver nossa condição de discípulos/as missionários/as para assim servir a nosso pais, o Brasil.

 
Oração

Maria, mãe de Cristo, mãe da Igreja...
És mestra em ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática...
Mas de modo especial, pensamos em ti
pelo modelo perfeito de ação de graças
que é o hino que cantaste
quando tua prima Isabel, mãe de João Batista,
te proclamou a mais feliz dentre as mulheres.
Não paraste em tua felicidade:
pensaste na humanidade inteira.
pensaste em todos,
mas assumiste uma clara opção pelos pobres,
como teu Filho faria depois.
Que há em ti, em tuas palavras, em tua voz,
que anuncias, no Magnificat,
a deposição dos poderosos e a elevação dos humildes,
o saciamento dos que têm fome
e o esvaziamento dos ricos,
e ninguém ousa julgar-te subversiva
ou olhar-te com suspeição?
Empresta-nos tua voz, canta conosco!
Pede ao teu Filho que em todos nós
e em nossa diocese,
se realizem, plenamente, os planos do Pai.

Dom Helder Câmara.

 

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_servicos&Itemid=38&task=detalhes&id=2



Escrito por mauricio às 09h38
[] [envie esta mensagem
] []





LITURGIA DO DIA – N. Sra. Da Conceição Aparecida (Branco)

 

Domingo, 12 de outubro, 2008.

I Leitura (Ester 5, 1-2; 7, 2-3) 
 

 
Salmo de Resposta (45/44)
 
REFRÃO: Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o rei se encante com vossa beleza!

 
II Leitura (Apocalipse 12, 1.5.13-16) 
 

 
Evangelho (João 2, 1-11)
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João:

- Naquele tempo, Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser. Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima. Tirai agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram. Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora. Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

- Palavra da salvação: Glória a vós, Senhor!



Escrito por mauricio às 09h36
[] [envie esta mensagem
] []





SOBRE NOSSA SENHORA APARECIDA

Nossa Senhora da Conceição Aparecida
12 de outubro

Nossa Senhora da Conceição Aparecida é a Padroeira do Brasil. A imagem foi encontrada em 1717 por uns pescadores, no rio Paraíba, e a devoção popular surgiu espontaneamente, em função dos favores alcançados por intercessão de Maria Santíssima. A primeira capela é de 1745. Em 1904 a imagem foi coroada solenemente. Recebeu a “Rosa de Ouro” do Papa Paulo VI em 1967, e a nova Basílica foi dedicada por João Paulo II em 4 de julho de 1980.

Não bastasse ser um dos maiores países católicos do planeta, o Brasil tem também um dos maiores centros de peregrinação mariana da cristandade do mundo. Trata-se, é claro, do santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, São Paulo. A cidade foi batizada com o nome da Senhora, 'Aparecida' das águas, mas o Brasil inteiro também recebeu sua bênção desde o nascimento, graças aos descobridores e colonizadores que a tinham como advogada junto a Deus nas desventuras das expedições. A fé na Virgem Maria cresceu com os séculos e a confiança não esmoreceu só se fortaleceu.

Em 1717, quando da visita do governador a Guaratinguetá, foi ordenado aos pescadores que recolhessem do rio Paraíba a maior quantidade possível de peixes, para que toda a comitiva pudesse ser alimentada e festejada com uma grande recepção. Todos se lançaram às águas com suas redes. Três deles, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso partiram juntos com suas canoas e juntos também lançaram as redes por horas e horas, sem pegar um único peixe. De repente, na rede de João Alves apareceu o corpo da imagem de uma santa. Outra vez lançada a rede, e a cabeça da imagem vem também para bordo. A partir daí, os três pescaram tanto que quase afundaram por causa da quantidade de peixes.

A pesca, milagrosa, eles atribuíram à imagem da santa. Ao regressarem foram para a casa de Felipe Pedroso e ao limparem a imagem com cuidado, viram se tratava de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de cor escura. Então a cobriram com um manto e a fizeram a colocaram num pequeno altar dentro de casa, onde passaram a fazer suas orações diárias. A novidade se espalhou e todos da vizinhança acorriam para rezar diante Dela. Invocada pelos devotos como 'Aparecida' das águas, durante quinze anos seguidos, a imagem ficou na casa da família daquele pescador.

A devoção foi crescendo no meio do povo e muitas graças foram alcançadas, por todos aqueles que rezavam diante da imagem. Eram tantos os devotos que acorriam ao local, que em 1732, a família de Felipe construiu o primeiro oratório. Mas a fama dos prodigiosos poderes de Nossa Senhora Aparecida foi se espalhando até atingir todos os recantos do Brasil. Assim foi necessário então construir uma pequena capela, em seguida uma sucessão de outras capelas cada vez maiores. Até que o local se tornou a cidade de hoje. Em 1888 houve a benção do primeiro templo que existe até hoje, conhecido como 'Basílica Velha'.

A primeira grande peregrinação de católicos 'de fora', oficial e historicamente registrada, aconteceu em 1900. Eram mil e duzentos peregrinos viajando de trem desde São Paulo, liderados por seu Bispo. Atualmente são milhões de peregrinos vindos, diariamente, de todos os estados do país e de várias outras nações católicas, especialmente das Américas. A atual Catedral-Basílica de Nossa Senhora Aparecida, conhecida como 'Basílica Nova' foi consagrada pessoalmente pelo Papa João Paulo II, em 1980, quando de sua primeira visita ao Brasil.

Quanto ao amor do nosso povo por Maria, em 1904 a imagem foi coroada, simbolizando a elevação da Senhora como eterna 'Rainha do Brasil', com todo o apoio popular. A coroa foi oferecida pela princesa Isabel. Foi também por aclamação popular e a pedido dos Bispos brasileiros, que em 1930 o Papa Pio XI proclamou solenemente Nossa Senhora Aparecida a 'Padroeira Oficial do Brasil'. O dia de sua festa, 12 de outubro.

http://www.portalcatolico.org.br

Escrito por mauricio às 18h13
[] [envie esta mensagem
] []





DO OLEO DO DIABO

Meditações pós-invernais

É... o mundo mudou. Os EUA cogitam estatizar seus principais bancos. A Islândia, referência mundial em qualidade de vida e democracia, já o fez. A Inglaterra também, na prática, ao comprar mais de US$ 800 bilhões em títulos de instituições financeiras, impondo uma série de exigências. Esta crise colocou em questão os dogmas mais caros do capitalismo neo-con e, portanto, pode-se afirmar que ela causou irreparáveis danos ideológicos ao capitalismo em si. Fez-me pensar, então, no valor de uma ideologia. Quanto vale uma ideologia? Um trilhão, dois trilhões, dez trilhões de dólares? Quanto será necessário para a civilização entender que a humanidade não pode ficar à mercê do cassino das bolsas? Que grandes corporações privadas não podem subsitituir o Estado e as organizações internacionais coordenadas entre Estados.

Há tempos que venho observando similitudes entre a realidade contemporânea e a época medieval. Os senhores feudais dominavam o mundo – hoje são grandes corporações. Eles tinham moeda própria – as empresas de hoje têm ações. Os senhores feudais articulavam-se contra a formação do Estado moderno, inclusive ideologicamente. O pensamento corporativo, neocon e direitista de hoje também mobiliza-se, com muito êxito, contra o Estado. Os novos ventos ideológicos que sopravam ao fim da idade média não significaram o fim do capitalismo, assim como as mudanças que se discutem atualmente também não o significarão – ao contrário, a revolução francesa representou a verdadeira fundação do capitalismo moderno, baseado em leis igualitárias que salvaguardavam não apenas a propriedade mas sobretudo o direito universal dos homens à liberdade e à dignidade. Está certo que nem tudo que está no papel corresponde à prática, mas seria desonesto negar o tremendo avanço que as constituições pós-revolucionárias trouxeram para o mundo moderno. Elas trouxeram, em primeiro lugar, a própria modernidade.

A história não se move com passinhos curtos. Analisando-a atentamente, observamos que a civilização humana, desde seus primórdios, evolui através de fatos grandiosos: guerras monstruosas; impérios erguidos quase que subitamente, e que depois desabam também de forma brusca; pestes devastadoras que dizimam milhões; e crises econômicas. Aliás, as crises econômicas, de longe, sempre foram os principais motores da história. Todas as ideologias foram concebidas e desenvolvidas a partir de reflexões, ponderadas ou desesperadas, sobre crises econômicas.

Creio que esta crise que vivemos é a que poderá ser enfrentada com mais sabedoria pela humanidade, pois as novas tecnologias permitem uma articulação entre países e entre diversos segmentos econômicos que nunca existiu antes. Mais: hoje existe uma interação informacional com as massas. A internet produziu uma grande rede, que é como um grande cérebro mundial, ainda não acostumado a pensar, ainda caótico, mas que pensa, articula, reage e influencia as decisões globais.

O Brasil, nesse contexto, é um país altamente privilegiado. A crise financeira tem levado desespero a países que, efetivamente, viviam de crédito, como os EUA. Em outras palavras, viviam de ostentação, de riquezas que não mais possuíam. Agora terão que mudar seus hábitos, simplificarem suas vidas. Andar mais de bicicleta, por exemplo. Comer menos. Talvez seja bom para a saúde. Já o Brasil... tem uma produção industrial e agrícola pujante e crescente, uma economia literalmente baseado no ferro, no aço, nos alimentos e, agora, no petróleo, ou seja, uma economia real que só tem a ganhar com o estouro das bolhas financeiras, que geram otimismo falso para economias decadentes.

http://oleododiabo.blogspot.com/



Escrito por mauricio às 17h22
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Meirelles e Franco, os funcionários-padrão

Quando o BC estimulou os swaps reversos, imaginava que os grandes tomadores fossem os bancos internacionais, que estavam trazendo muitos dólares para o país.

Na prática ocorreu um efeito contrário, que acabou jogando o mico sobre as empresas exportadoras brasileiras.

Desde o início do ano, o ACC começou a encarecer, por contra da crise internacional. Para manter a mesma taxa anterior, as empresas foram obrigadas a aceitar essas operações dos bancos.

Muitas foram além.

Esse é o ponto fora da curva, que não tinha sido previsto pelas autoridades da Fazenda. No fundo toda essa loucura do swap reverso visou apenas criar um terreno confortável para que todos os atores influentes – mercado e grandes grupos – passassem a apostar na apreciação cambial. O que as empresas exportadoras perdiam na sua operação normal, ganhavam na sua Tesouraria.

Lula caiu na armadilha do funcionário que não traz problemas – tipo que já quebrou muita empresa. O sujeito que diz que está tudo sob controle e vai varrendo os problemas para baixo do tapete. Até a bomba explodir, é a alegria dos chefes. FHC adorava Gustavo Franco; Lula a Henrique Meirelles, porque ambos nunca trouxeram problemas.

Quando chega a hora da verdade, dá nisso: uma bolha especulativa enorme estimulada e dissimulada pelo BC.

enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 21h15
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

A manipulação do grampo

Por Luciano Prado

A fraude do grampo entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres deve ter fim melancólico para as pretensões dos que chafurdaram na lama.

"Folha de São Paulo

Painel

RENATA LO PRETE

Não encontrado 1. O inquérito da Polícia Federal sobre o telefonema grampeado entre o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) deverá concluir que a interceptação, "se existiu", não partiu nem da Polícia Federal, nem da Abin.

Não encontrado 2. Com conclusão prevista para a primeira quinzena de novembro, o relatório colocará em dúvida a própria realização do grampo, dada a divulgação apenas da transcrição da conversa, sem o áudio. Suas conclusões devem abrir caminho para o retorno de Paulo Lacerda à direção-geral da Abin."

Para os que chafurdaram na lama das páginas de VEJA, o resultado das investigações importa pouco diante dos objetivos inicialmente alcançados. Ou seja, importava mesmo macular a honra de servidores públicos e desacreditar instituições em benefício da quadrilha de Daniel Dantas e dos argumentos de Gilmar Mendes para livrar o banqueiro criminoso da prisão.

Comentário

A partir dessas conclusões, se confirmadas, não haverá como a revista não ser denunciada pela falsificação, com todos os desdobramentos institucionais dessa manipulação.

Por Rosan de Sousa Amaral

Nassif,

a coluna Painel da Folha de S Paulo de hoje (10/10) informa que a PF está terminando o inquérito do suposto grampo no Min. Gilmar Mendes e que tem 03 conclusões: um, que não ficou provado o grampo; dois, se houve grampo não foi realizado pela Abin; três, se houve grampo também não foi realizado pela PF. Acho que a PGR deveria requerer o início de indiciamentos.

Por C. Brayton

Na Operação Avalanche, da PF, divulgado hoje, tem um indicio interessante de uma esquema muito parecida ao assassinato de bons nomes que discutimos aqui de quando em vez com respeito a atuação de pistoleiros supostamente jornalísticos.

Do release da PF:

"O terceiro grupo foi identificado no momento em que uma empresa que havia sido autuada pela Receita Estadual em mais de R$ 100 milhões, utilizou-se, como tática de defesa, da desmoralização dos fiscais responsáveis pela autuação através da instauração de Inquérito Policial com base em fatos inverídicos. Paralelamente, os fatos imputados aos fiscais foram amplamente noticiados pela imprensa de Santos e em coluna de repercussão nacional."

Parece que agentes federais corruptos, presos na operação, tiveram a ver com o tal inquérito supostamente espúrio.

Seria interessante saber qual a empresa acusada de tal conduto? (Santos Brasil S.A., de Dantas? Cargill? Outra operadora de terminais?) Qual os orgãos de imprensa? Qual a coluna de repercussão nacional?

Interessante, não é, num momento no qual o Paulo Lacerdo foi, de repente, de Elliot Ness para Laurentiy Beria, por exemplo, como aponta o Sempre Arguto Nassif?

Se alguem te chamar de corrupto, junte vinte amigos e deixe todos eles chamarem o denunciante de mais corrupto ainda! No xadrez, conhecido como a defesa Dantas.

Comentário

O mesmo padrão utilizado por Dantas na Veja, com Diogo Mainardi, e na Folha, com Janaína Leite. Segundo matéria da Folha, de 2005, o caso envolve a Santos-Brasil, de Dantas (clique aqui).

enviada por Luis Nassif



Escrito por mauricio às 21h12
[] [envie esta mensagem
] []





DO NONSENSE

Caos financeiro e vida mansa

Do jornalista Clóvis Rossi, em sua coluna da Folha de hoje (para assinantes): “Sabe a AIG, a maior seguradora norte-americana, aquela que o governo teve de socorrer com uma pilha de US$ 85 bilhões (R$ 187 bilhões) para evitar a quebra? Pois é, apenas seis dias depois desse socorro, a empresa gastou US$ 443 mil (suficientes para pagar 2.130 salários mínimos) em uma festa para seus executivos em um dos mais luxuosos “resorts” da sofisticada Califórnia.”

O barco afunda, mas eles tomam champagne e dançam de colete salva-vida.

Publicado por Luiz Antonio Ryff

http://www.laryff.com.br/



Escrito por mauricio às 21h08
[] [envie esta mensagem
] []





Onde estão todos?

Meses passados, a Imprensa brasileira e defensores do neoliberalismo e do mercado, levantaram-se contra a compra da Nossa Caixa- Nosso Banco pelo Banco do Brasil. Os argumentos foram vários, defendendo a iniciativa privada. Onde estão eles hoje? Por que se calam? Ninguém berra contra a estatização dos bancos pelo mundo afora, principalmente na Inglaterra e nos EUA.

Onde estão todos?



Escrito por mauricio às 20h57
[] [envie esta mensagem
] []





Itinerário para a contemplação orante do crucifixo de São Damião

Ordem dos Frades Menores

Um dia, Francisco anda perto da igreja de São Damião, que estava quase em ruínas e abandonada por todos. Conduzindo-o o Espírito, ao entrar nela para rezar prosternando-se suplicante e devoto diante do Crucificado... a imagem do Cristo crucificado, movendo os lábios da pintura, fala-lhe, chamando-o pelo nome: "Francisco, vai e restaura a minha casa que, como vês, está toda em ruínas".
(2Cel 10)

Celebrando os 800 anos de fundação da Ordem dos Frades Menores, queremos refletir sobre a experiência que marcou o início da conversão de Francisco e, com ele, olhar para o Crucifixo de São Damião.

Entregando-lhe esse Crucifixo, desejamos oferecer-lhe uma ajuda para a oração. Como Clara e Francisco, diante dele muitas irmãs e irmãos sentiram-se acolhidos e chamados a seguí-lo. Assim, hoje, ele se dirige também a você, para fazer-lhe ouvir sua voz.

Ponha-se a seus pés, olhe-o com seus olhos, contemple-o com o coração, una-se a Ele com a vontade, receba-o nos seus sonhos, imite-o em sua vida.

Coloque-se onde seja possível encontrá-lo, ouça-o, "olhe-o, considere-o, contemple-o, desejando imitá-lo"; ponha em Suas mãos tudo o que Ele sugerir e lhe fizer intuir; colabore com Ele.

A pergunta de Francisco seja também a sua: "Senhor, que queres que eu faça?"

O "método" aqui sugerido não deve aprisionar sua contemplação: o Senhor há de guiar sua caminhada e despertar a novidade de sua vida!

Itinerário
O breve itinerário proposto poderá ser utilizado na oração pessoal, em fraternidade ou em grupo, e sugere-se utilizá-lo de forma criativa, levando em consideração as diversas culturas.

Além disso, para dar fruto, o "método" precisa ser aplicado com abertura de coração, paciência e perseverança.

Cada momento do itinerário espiritual pede que se saiba parar, sem pressa nem preocupações, vivendo esse tempo na gratuidade da comunhão com o Amado.

1. Disponha-se à contemplação
- Disponha-se à contemplação através do silêncio, do recolhimento interior e da pacificação do coração.
- Invoque a ajuda do Espírito para que "o purifique, o ilumine e o acenda interiormente".

2. Reze com São Francisco
- "Altíssimo, glorioso Deus, iluminai as trevas do meu coração...".

3. Contemple o Crucifixo
- Contemple-o por um bom tempo.
- Permita que o olhar do Crucificado chegue ao seu coração.
- Identifique-se com um dos personagens.

4. "Iluminai as trevas do meu coração"
Deixe-se questionar pelo Senhor:
- Quais são suas "trevas"?
- Quem está no centro de seus desejos?
- Você vive "uma fé reta, uma esperança certa e uma caridade perfeita"?
- Que obediência você presta ao "santo e veraz mandamento"?

5. Retribua ao Senhor
- Conclua o tempo de comunhão retomando e personalizando a oração diante do Crucifixo.
- Assuma o compromisso de traduzir e encarnar a oração na vida diária.

Oração diante do Crucifixo
Altíssimo, glorioso Deus,
iluminai as trevas do meu coração,
dai-me uma fé reta,
uma esperança certa
e uma caridade perfeita;
sensibilidade e conhecimento, Senhor, a fim de que eu cumpra
o vosso santo e veraz mandamento. Amém.

http://www.franciscanos.org.br/v3/vidacrista/celebracoes/saodamiao.php



Escrito por mauricio às 20h32
[] [envie esta mensagem
] []





Francisco de Assis

São Francisco e sua forma de vida continuam a ser atuais

            São Francisco não é certamente o santo mais popular, mas é com certeza o santo mais universal e atual. De sua universalidade dão testemunho os milhares de seguidores espalhados por todo o mundo, não só na Igreja católica, mas também em outras Igrejas irmãs. São Francisco não é patrimônio exclusivo dos franciscanos ou dos católicos; na realidade, é um santo para todos os homens e mulheres de boa vontade. De sua atualidade falava-nos João Paulo II em sua mensagem ao Capítulo de Pentecostes de 2003: “A atração de São Francisco é muito grande”. Com razão foi eleito o homem do II milênio.

            Diante dessa constatação, é lógico que também nós lhe perguntemos: “Por que a ti? Por que a ti?”. Pessoalmente, fiz-me essa pergunta muitas vezes e a resposta que encontro é sempre a mesma: o segredo do fascínio que Francisco continua a despertar após 800 anos está em sua “inatualidade”. Francisco, como todo o profeta, é “inatual”, vai sempre além, antecipa o futuro, não se deixa aprisionar pelo presente.

            É a sorte das sentinelas (cf. Is 21,11-12) e de quem se sente realmente “peregrino e forasteiro neste mundo” (1Pd 2,11; cf. RB 6,2); é a condição do homo viator ou in statu viae, do crente em busca constante, do seguidor de Jesus e de quem, como Francisco, faz do Evangelho sua regra e vida (cf. RB 1,1); é o destino do todo o peregrino que faz sua esta lei: “hospedar-se sob teto alheio, ansiar pela pátria, andar pacificamente”.

            O que é presente, passa; mas o Evangelho, como forma de vida, não passa: “Jesus Cristo [evangelho do Pai à humanidade] é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8). Como não sai de moda quem, como o Poverello, assume o Evangelho como regra e vida, como exigência de totalidade.

____________________________________________________
1. João Paulo II, Mensagem ao Capítulo geral, n. 5.

2. LM, VII,2,5.


Trecho do Relatório do Ministro Geral Frei José Rodríguez Carballo, OFM, “Com Lucidez e Audácia, em tempos de refundação”

http://www.franciscanos.org.br/v3/vidacrista/especiais/2008/saofrancisco_011008/sfrancisco.php



Escrito por mauricio às 20h30
[] [envie esta mensagem
] []





Testamento

Manuel Bandeira


O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

(29 de janeiro de 1943)


Poesia extraída do livro "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 2001, pág. 126.

http://www.releituras.com/mbandeira_testa.asp



Escrito por mauricio às 20h21
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando

 Esper

 

 Vingadores do Espaço

 

 Robo Gigante



Escrito por mauricio às 20h18
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando:

 Capitão Aza

 

 Vila Sézamo

 

 Sitio do Pica-pau Amarelo (a primeira turma, e sem dúvidas a melhor)

  Topo Gigio

 

 



Escrito por mauricio às 20h16
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando:

A Turma da Marvel:

Capitão America

 
 
O Incrivel Hulk
 
 
 
O Homem de Ferro
 
 
 
Namor, o Pricipe Submarino
 
 
 
 
Thor, o Deus do Trovão
 
 
 


Escrito por mauricio às 20h12
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando:

 

 

 

 

 

 

 

 

Manda-Chuva e sua turma. 

 

 

 

 

 

A Corrida Maluca.



Escrito por mauricio às 20h09
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

 

A ação anti-crise

Coluna Econômica - -09/10/2008

As peças se encaixam e agora ficou mais claro entender as razões do Banco Central, ao convence o governo a soltar a Medida Provisória 442 – que autoriza o BC a adquirir a carteira de bancos.

Pensava-se inicialmente que visasse apenas abrir uma porta para bancos menores com problemas de liquidez.

O que significa isso? O banco captou dinheiro de curto prazo; emprestou para financiamentos de longo prazo. Os pagamentos virão ao longo de todo o prazo de financiamento. O banco fica com problemas de falta de recursos mas tem lastro, as prestações que irão vencer. Então ele vende essa carteira de contratos para outro banco e recebe os recursos.

Acontece que os grandes bancos, mesmo com recursos do compulsório liberados, não quiseram adquirir as carteiras. Em parte, para pressionar os bancos menores a venderem a preço de banana. Aí entra a MP que autorizará o BC a comprar carteiras.

Era isso o que se imaginava no início.

***

Nos últimos dias, tinha informado – através do meu Blog – sobre a existência de um volume expressivo de operações especulativas que os bancos acabaram oferecendo a grandes empresas. Sadia e Aracruz eram apenas a ponta do iceberg.

O mercado estima que o rombo das demais empresas podem chegar a R$ 35 bilhões – é dinheiro para Inglaterra nenhuma botar defeito. É o nosso subprime.

***

Esse jogo decorreu de uma sucessão de distorções promovidas pelo Banco Central, ao permitir a apreciação irresponsável do real. As pequenas e médias ficaram ao Deus-dará. Para calar a reclamação das grandes, o BC estimulou operações casadas nos mercados futuro de câmbio e taxas de juros. As grandes exportadoras conseguiam recuperar, com operações financeiras, o que perdiam nas suas exportações.

***

Com a reversão do câmbio, todos os que especulavam com a moeda foram apanhados no contrapé.

A Sadia e a Aracruz foram mais rápidas, resolveram reconhecer o prejuízo quando o dólar chegou a R$ 1,90.. Outras empresas decidiram marcar tempo, na esperança do dólar voltar aos patamares anteriores.

Nesse jogo, a outra ponta (os investidores que apostaram na desvalorização do real) começaram a pressionar o mercado, buscando elevar ao máximo possível o valor do dólar.

É esse jogo especulativo que explica essas saltos extraordinários do real.

***

Agora, o BC ficou em uma sinuca de bico. Se utilizar as reservas para tentar derrubar o dólar, arrisca-se a enxugar gelo e jogar fora um trunfo brasileiro. Se não fizer nada, haverá uma sucessão de empresas quebradas.

Daí a decisão de apelar para a MP 442.

***

Ontem, o presidente do BC Henrique Meirelles declarou que bancos eventualmente auxiliados, não terão seus nomes revelados, pois esse sigilo faz parte “das boas técnicas bancárias”. É uma tolice monumental. O BC não é o BankBoston e o momento exigirá grande transparência.

Para acalmar de vez o mercado, caberá ao BC levantar rapidamente a relação de empresas que especulou com o câmbio, dos bancos que se encalacraram com empréstimos a essas empresas e limpar o mercado dos títulos podres criados pelo próprio estímulo do BC.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/6



Escrito por mauricio às 21h35
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

O Rubicão de Lula

Não fora poucas as vezes que alertei aqui que o câmbio seria a desgraça do governo Lula, como foi no de FHC.
Lembro-me dois anos atrás, na reunião de fechamento do ano do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), Lula se dirigindo aos grandes empresários presentes e ironizando. Dizia que eles reclamavam dos lucros dos bancos, mas as empresas do setor industrial tinham tido lucros até maiores. Não havia mais porque reclamar.

Parte dos lucros decorria do início do ciclo de alta das commodities. Mas parte relevante de operações artificiais, bancadas pelo Tesouro a um custo altíssimo. Só no ano passado o Banco Central transferiu mais de US$ 10 bilhões às grandes empresas através dessa imoralidade chamada “swap reverso”.

E parte devido a uma explosão mundial da liquidez, que permitia o crescimento exponencial do crédito e os IPOs no mercado.

Criou-se um mundo do faz-de-conta, em que o contribuinte pagava a conta de várias maneiras. O modelo exigia juros altos, para derrubar o câmbio. Pagava-se uma conta aí, na forma de cortes em gastos essenciais para bancar os juros. Depois, no câmbio apreciado, permitindo a invasão chinesa e tirando empregos. Criou-se um período de falsa bonança com a oferta global de crédito, que ajudou a driblar a crise – mas a conta veio agora. Finalmente no custo direto do tal “swap reverso”.

Na outra ponta, uma mídia com críticas preconceituosas, macartistas contra o governo, mas deixando passar em branco o grande erro que era cometido na política monetária, dando espaço a economistas incapazes de enxergar uma linha além da planilha que trouxeram pronta de seus cursos de graduação.

O problema eram os gastos públicos, a Bolsa Família, a Previdência Social, não essa esbórnia que sangrava o Tesouro sem apontar para nenhum ponto no futuro: a não ser ampliar a crise, que já estava a caminho.
Nos últimos dias, Raul Velloso ganhou todos os espaços possíveis para alertar que a crise exigia redução dos gastos públicos. Lembro-me de uma exposição dele no Conselho de Economia da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Analisou o orçamento público, falou de Previdência, gastos sociais, gastos com pessoal. Eu ali, na primeira fila, mal podendo me conter na cadeira. Ele percebeu meu desconforto e disse:

- Eu sei que o Nassif está querendo que eu fale de juros. Mas meu trabalho se limitou a analisar apenas as despesas correntes.

Claro! Esse é seu trabalho.

Enquanto os parcos R$ 10 bilhões da Bolsa Família ajudam a incluir famílias, a colocar crianças nas escolas, a criar um mercado de consumo popular, essa dinheirama sem tamanho ajudou apenas a criar uma baita crise.

enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 21h32
[] [envie esta mensagem
] []





DO BOG DO LUIS NASSIF

Para entender o noticiário

Para entender um pouco a barafunda do noticiário:

1. A decisão dos Bancos Centrais do mundo de reduzir os juros de forma sincronizada só foi relevante pela sincronização, não pela redução dos juros. O problema do sistema bancário mundial não é de liquidez, é de solvência. Reduzir os juros ajuda bancos com dificuldade momentânea de caixa, não bancos quebrados.

2. A notícia relevante foi a decisão do Banco da Inglaterra de nacionalizar o sistema bancário inglês, adquirindo ações dos bancos e recapitalizando-os. Este é o caminho. A ação conjunta dos BCs facilitará quando tiverem que enveredar por esse caminho.

3. A decisão do BC de ampliar a liberação do compulsório não visa melhorar o crédito coisa nenhum. Visa reforçar o caixa dos bancos para enfrentar a inadimplência dos grandes clientes que entraram nessas operações de swap reverso, especialmente no mercado de opções. Quando o dólar aumenta, essas empresas são obrigadas a depositar diariamente a diferença. Os bancos garantiam esse depósito e faziam o acerto mensal ou trimestralmente. Com esse estouro vai haver empresas que não conseguirão pagar; e outras que contestarão judicialmente a cobrança, visando ganhar tempo.

4. Graças à irresponsabilidade do BC e da CVM, essas operações não eram registradas adequadamente nos balanços das empresas. Se for aguardar uma surpresa a cada divulgação de balanço, o mercado pega fogo. Por isso mesmo, fariam bem o BC e a CVM em providenciar o levantamento mais rápido possível dos pepinos que virão pela frente e agir de forma clara para preservar as empresas através de sua recapitalização – melhor maneira de punir os controladores que abusaram da boa fé.

5. Não entendam a recapitalização como operação-hospital ou benefício indevido aos controladores. Nessas operações, eles serão obrigados a vender ações da empresa por cotações depreciadas, para salvar a própria empresa. É um bom momento para os gestores de fundos, fundos de pensão e outros investidores ajudarem a pagar o incêndio e, ao mesmo tempo, fazerem bons negócios.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 21h30
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

Água na fervura

Pela primeira vez desde fevereiro de 2003, o Banco Central vendeu dólares das reservas cambiais para tentar acalmar o mercado. A atitude mostra que, na avaliação do governo, a disparada da moeda americana nas últimas semanas chegou a um nível crítico.

Há três semanas, o BC anunciou que retomaria a venda de dólar, mas por meio de um mecanismo que não implicava desembolso do dinheiro das reservas. A idéia era vender a moeda com compromisso de recompra em algum momento no futuro. No mercado, teve gente que chegou a chamar a operação de empréstimo.

O instrumento não funcionou como se esperava e o BC acabou apelando para os velhos leilões de swap cambial – usados à exaustão quando a moeda americana bateu nos R$ 3, R$ 4, às vésperas da eleição de Lula, em 2002. Também não funcionou e a saída foi fazer uma transfusão na veia.  Aparentemente ou pelo menos no primeiro minuto, a medida surtiu algum efeito. Hoje, quarta-feira, o dólar caiu 1,4%, para R$ 2,28.

Tudo indica que, desta vez, a disparada da moeda americana não se deve exclusivamente a uma corrida de investidores. Existem ao menos outros dois fatores que explicam a alta, que chegou a 48% entre a mínima cotação do ano, no início de agosto, e terça-feira (R$ 2,31 no fechamento).

O primeiro deles é a escassez de moeda, em decorrência da falta de renovação de linhas externas de financiamento a empresas e bancos brasileiros. Com o já conhecido empoçamento de liquidez lá fora, as instituições financeiras estrangeiras fecharam quase inteiramente as torneiras do crédito, inclusive para outros países. 

O fator mais preocupante, porém, é outro. Está relacionado às operações de empresas brasileiras no mercado de derivativos. Muitas têm corrido ao mercado à vista para comprar moeda e, assim, cumprir os compromissos de entregar os dólares negociados lá atrás.

Há também empresas que, correndo o risco de uma aposta insensata numa eterna valorização do real, abandonaram as práticas de hedge (proteção) e precisam agora cobrir posições. Mesmo que realizadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), transações envolvendo papéis cambiais têm impacto sobre o preço da moeda americana.

O BC, ao que parece, demorou a enxergar isso – ou talvez tenha negligenciado seu potencial e devastador efeito nas cotações. O fato é que dólar a R$ 2,31 (ou R$ 2,45, como chegou na manhã de hoje, quarta) assusta todo mundo e vira tema de conversa preocupada até na barraca de verduras na feira livre.

Pelo andar da carruagem, a transferência de recursos públicos, acumulados não sem custos pelo governo, para o setor privado vai continuar. Agora, não tem mesmo outro jeito.

* * *
Errar é a regra nesse Banco Central brasileiro

1) Tudo bem que é uma espécie de engenharia de obra feita, mas a ata da reunião do Copom, realizada em 9 e 10 de setembro, quando por maioria decidiu-se elevar a taxa básica de juros em 0,75%, é simplesmente ridícula. É incrível que, poucos dias antes da eclosão de uma crise com as proporções da atual, os diretores do BC continuassem com a ladainha do excesso de demanda e dos riscos de descontrole da inflação.

2) Não é possível saber o que aconteceria com o dólar se ele não estivesse tão desvalorizado frente ao real quanto estava e há tanto tempo, por força de uma política monetária totalmente fora do eixo. Mas difícil imaginar um estrago tão grande quanto parece que agora haverá.

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 21h24
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO ALE PORTO

FT': Para economistas, Brasil deve sair 'relativamente ileso' de crise


Apesar de uma semana marcada pela desvalorização do real em relação ao dólar e por quedas na Bovespa, "muitos economistas ainda acreditam que o Brasil vá sair relativamente ileso da crise financeira global", segundo o "Financial Times".

O site do jornal traz, nesta quinta-feira, uma reportagem sobre os leilões realizados pelo Banco Central na quarta-feira para conter a desvalorização do real em meio ao que o "Financial Times" chama de "em décadas, a onda mais forte de venda provocada por pânico" no Brasil.

Segundo o jornal, até esta semana, grande parte da queda nos ativos brasileiros vinha sendo causada pela retirada de dinheiro do Brasil por investidores estrangeiros tentando cobrir perdas em outros mercados, mas, nos últimos dias, os investidores locais também se juntaram ao "êxodo".

O "Financial Times" diz, no entanto, que os bancos brasileiros não estão tão vulneráveis quanto os americanos ou europeus.

"O setor bancário (do Brasil) passou por uma reestruturação promovida pelo governo nos anos 90 e tem pouco da exposição a ativos de risco afetando os bancos americanos e europeus", diz o "Financial Times", acrescentando que apenas cerca de 10% do crédito bancário no país é levantado fora do Brasil.

As medidas do Banco Central brasileiro e as quedas registradas pela Bovespa ganharam espaço também no jornal argentino "Página 12". Em uma reportagem intitulada 'Um real imaginário', o jornal afirma que o Banco Central conseguiu, com uma "intervenção direta oportuna", frear a tendência de queda.

O jornal traz a notícia de que o índice da Bovespa terminou, na quarta-feira, cotado em 38.593 pontos básicos, e lembra que quando o Brasil alcançou a nota de grau de investimento das agências de classificação de risco, em maio, o índice se encontrava em 72 mil pontos.

Segundo o jornal, na conversa que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira, o presidente americano, George W. Bush, "tentou tranqüilizar o presidente brasileiro, garantindo que o pacote de resgate de US$ 700 bilhões de dólares terá efeito em 20 dias."


POSTADO POR ALEXANDRE PORTO

 

http://www.aleporto.com.br/index.php



Escrito por mauricio às 21h10
[] [envie esta mensagem
] []





BOA FRASE:

"Será necessário um movimento de desconstrução do capitalismo desgovernado, e isto não vai ser resolvido pela razão econômica".
(Luiz Gonzaga Belluzzo)


Escrito por mauricio às 21h07
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA BRASIL DE FATO

Justiça paulista declara coronel Ustra torturador

por Michelle Amaral da SilvaÚltima modificação 09/10/2008 18:42

“Julgo procedente. Houve relação jurídica entre os autores e o réu. E este causou danos morais por ato decorrente de tortura”, proferiu o juiz Santini

“Julgo procedente. Houve relação jurídica entre os autores e o réu. E este causou danos morais por ato decorrente de tortura”, proferiu o juiz Santini

09/10/2008

publicado às 13h


Tatiana Merlino

da Redação


Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército, foi responsável pela tortura dos integrantes da família Teles, durante a ditadura civil militar (1964-1985). Assim entende o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que hoje (9), expediu sentença em que julga procedente o pedido de declaração de responsabilidade de Ustra pela tortura dos ex-presos políticos Maria Amélia de Almeida ustraTeles, César Augusto Teles e Criméia Schmidt de Almeida, que sofreram os abusos no DOI-Codi paulista, nos anos 1970, na época, sob o comando do coronel.


"Julgo procedente. Houve relação jurídica entre os autores e o réu. E este causou danos morais por ato decorrente de tortura", proferiu o juiz Gustavo Santini, da 23ª Vara Civil. A ação civil declaratória era movida, também, pelos filhos de César e Maria Amélia, Janaína e Edson Teles. No entanto, o juiz julgou improcedente o pedido deles. À defesa, cabe recurso. 


Gostaria muito que meu sofrimento fosse reconhecido, mas, diante de todas as dificuldades que temos em relação a esse tema, e, por essa decisão ser inédita, me sinto vitoriosa. Essa decisão significa um grande avanço", afirma Janaína. “Chegamos ao nosso objetivo, que era declará-lo torturador. Ele [Ustra] torturou nossa família, e a justiça reconheceu isso”, disse ela. “Essa decisão ajuda a recuperar a verdade, e as pessoas vão passar a se questionar mais sobre isso. Sinto um misto de satisfação e alívio”, disse, emocionada.


Janaína, que é historiadora, acredita que a decisão pode abrir um precedente para que se questione a interpretação da lei de anistia, que protegeria agentes do Estado responsáveis por tortura.


Para Aníbal Castro de Souza, que, juntamente com o jurista Fábio Konder Comparato representa os Teles, a decisão do TJ representa uma grande esperança e uma grande vitória para a democracia. “O Brasil, por intermédio do Poder Judiciário reconheceu o direito à verdade acerca do ocorreu efetivamente nos “anos de chumbo”. Com isto, consolida a democracia para que todos saibam que ninguém pode agir à margem da lei. A lei de anistia não pode ser um escudo contra impunidade daqueles que desonraram as Forças Armadas”, afirmou.


Castro comemora a decisão inédita da Justiça brasileira. "Pela primeira vez na história do país, houve o reconhecimento judicial e, portanto, oficial, do Estado brasileiro de que um militar de alta patente teve participação efetiva em torturas contra civis. "Já houve outras decisões reconhecendo indenizações a pessoas torturadas, mas todas eram contra a União Federal enquanto ente jurídico”, afirma.


Com o nome de guerra de Major Tibiriçá, Ustra reestruturou e comandou, entre setembro de 1970 e janeiro de 1974, a unidade paulista do DOI-Codi, onde, conforme levantamentos de entidades de direitos humanos, foram torturados 502 presos políticos, 40 dos quais morreram em decorrência dos abusos.


Ao acatar a ação, Santini afastou o argumento dos advogados do coronel reformado de que o processo não poderia seguir em razão da Lei da Anistia.


Uma ação da mesma natureza- ação civil declaratória- foi extinta, dia 23 de setembro, pelo TJ-SP. O processo movido pela família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto aos 23 anos pela repressão, foi anulado por motivos técnicos, segundo os desembargadores, que não entraram no mérito do caso.


O desembargador Hamilton Elliot Akel, votou pela extinção do processo, alegando que uma ação declaratória não é adequada para o tipo de responsabilização que a família de Merlino quer. “O meio processual eleito não é adequado”, disse.


O processo contra Ustra é movido pela irmã do jornalista, Regina Merlino Dias de Almeida, e pela sua ex-companheira, Angela Mendes de Almeida. Os advogados da família, os mesmos que representam os Teles, irão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio de recurso.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/justica-paulista-declara-coronel-ustra-torturador



Escrito por mauricio às 21h06
[] [envie esta mensagem
] []





DO AMAI-VOS

O louvor de Francisco de Assis a Nossa Senhora

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br


Em 04 de outubro, celebramos a festa de São Francisco de Assis, o santo dos pobres, dos animais e uma das personalidades mais contundentes da história humana, capaz de influenciar e transformar muitas vidas ainda hoje.
Francisco escreveu uma oração à Nossa Senhora, dileta intercessora e mãe amorosa, a quem muitos santos e santas da Igreja tinham especial devoção. Por ocasião da celebração de sua festa, reunamos em nossas orações essas duas grandes pessoas, gente como nós, que souberam fazer de suas vidas um constante louvor a Deus Pai.

Salve,
ó Senhora santa,
Rainha santíssima, Mãe de Deus,
ó Maria, que sois Virgem perpétua,
eleita pelo santíssimo Pai Celestial,
que vos consagrou por seu santíssimo
e dileto Filho e Espírito Paráclito!
Em vós residiu e reside toda a plenitude
da graça e todo bem.
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas,
ó santas virtudes derramadas,
pela graça e iluminação do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis,
transformando-os de infiéis
em servos fiéis de Deus!

http://amaivos.uol.com.br/



Escrito por mauricio às 21h14
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO MINO

São Paulo e a redenção dos fundões

O bom resultado do prefeito Kassab nas eleições de domingo passado não me surpreendeu. São Paulo não é somente uma das cinco metrópoles mais inseguras do mundo, mas também uma das mais conservadoras. As vitórias de Luiza Erundina e Marta Suplicy foram exceções. Erundina ganhou com pouco mais de 30% dos votos quando o pleito se dava em um turno só. Marta levou sobre a terra arrasada por Maluf e Celso Pitta. Kassab segue pela linha das tradições bandeirantes. Nestas eleições, os resultados que representam o avanço vêm do Nordeste. Em outros tempos, os donos do poder apostavam nas urnas dos fundões. Mudou a meteorologia, os senhores feudais amargam a derrota, quando não são varridos de vez do cenário político. Os exemplos mais gritantes chegam de Fortaleza e Salvador. E ainda do Recife e do Maranhão.

http://www.blogdomino.com.br/



Escrito por mauricio às 21h11
[] [envie esta mensagem
] []





DO VI O MUNDO

A ISLÂNDIA FALIU. PREPAREM O PRÓXIMO

Atualizado em 08 de outubro de 2008 às 18:56 | Publicado em 08 de outubro de 2008 às 18:54

A Islândia está falida. Levou o pires à Rússia, em busca de uma injeção de 5 bilhões de dólares. Também pediu ajuda à Suécia.

Embora seja um mercado pequeno, é simbólico do entrelaçamento dos mercados: um dos bancos da Islândia tinha 300 mil clientes britânicos na internet. O banco quebrou e os internautas britânicos serão salvos pela Rainha.

Nas últimas horas a Rainha injetou dinheiro em bancos britânicos. E o governo da Espanha injetou dinheiro nos bancos do país. Trata-se de uma nacionalização disfarçada.

Para todos os efeitos cumpre-se a previsão que primeiro ouvi do professor Luis Gonzaga Belluzzo: o sistema bancário será estatizado para evitar uma quebradeira nos moldes de 1929. Bateu o desespero.

http://www.viomundo.com.br/opiniao/a-islandia-faliu-preparem-o-proximo/



Escrito por mauricio às 21h09
[] [envie esta mensagem
] []





DO JORNAL DE DEBATES - OI

SIP MIGRA PARA A ESPANHA
O Senhor Mercado não manda mais

Por Alberto Dines em 7/10/2008

"Acabo de regressar da Europa. Lá como cá, os jornais investem pesado na tentativa de fidelizar leitores etc. etc." Este é o arrebatador início da maçaroca quinzenal assinada pelo guru da mídia, Carlos Alberto Di Franco [O Globo (pág. 7) e O Estado de S.Paulo, (pág. 2) de segunda-feira (6/10)].

Não é preciso ir à Europa, à Espanha ou mais precisamente a Navarra para saber o que está acontecendo na mídia impressa no Novo e no Velho Mundo. Ela não está se reinventando. Está desabando.

Basta ler El País, um dos melhores jornais da atualidade, escrito num idioma capaz de ser entendido pela maioria dos brasileiros de nível superior e que pode ser entregue na porta junto com os jornalões locais. É caro, custa 8 reais, mas a leitura da edição de sábado e/ou domingo é suficiente para satisfazer as necessidades daqueles que precisam entender a conjuntura mundial em qualquer esfera.

Pois o denso e fascinante El País começou a publicar no sábado (4/10) a cobertura preliminar da 64ª Assembléia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), que congrega 1.300 publicações das Américas e Europa e que pela primeira vez se reúne em Madri.

Aqui surge o primeiro mistério: por que razão o evento madrileno está sendo praticamente ignorado pela mídia impressa brasileira reunida em torno da Associação Nacional de Jornais (ANJ)?

Se a entidade brasileira sempre foi o braço local da SIP, como explicar o súbito silêncio em torno do evento anual da entidade? Alguma ruptura entre os grandes? Alguma birra ideológica entre a turma de Miami (à qual a ANJ sempre esteve ligada) e o grupo Prisa (que edita o diário espanhol), à sua esquerda, anfitrião desta cúpula?

Matriz das distorções

Convém registrar que, depois do México, os EUA são o segundo país hispanófono do mundo – e em 2050 serão certamente o primeiro. A investida do El País em cima da SIP é um lance político de alta significação, além de brilhante jogada de marketing global. Daí o empenho do governo espanhol em prestigiar a Assembléia com a presença do rei Juan Carlos, do chefe do executivo José Luis Zapatero, do ex-premier Felipe González, e de diretores dos grandes jornais liberais ou progressistas como The Washington Post e Le Monde.

Alguns jornalistas brasileiros estiveram presentes à Cumbre del Periodismo (Cúpula de Jornalismo) na capital espanhola e certamente devem explicar o que efetivamente aconteceu na mídiaesfera ibero-americana. Este Observatório da Imprensa está à disposição.

Por ora interessa a surpreendente notícia publicada pelo tablóide espanhol em sua edição de sábado (4/10), na página dedicada à cobertura da Cúpula de Jornalismo (ver aqui): o presidente francês Nicolas Sarkozy, um dos mais extremados defensores das leis de mercado, produziu um documento sobre a sobrevivência da mídia impressa francesa que está sendo bem avaliado por todos os setores.

Os desdobramentos dessa agenda serão coordenados por um socialista, Bernard Spitz, e englobam questões de grande relevância e urgência:

** O futuro das profissões jornalísticas;

** O processo industrial da imprensa;

** A imprensa digital;

** As relações da imprensa com a sociedade.

O dado novo é que alguns dos relatórios serão produzidos pelos jornalistas franceses aos quais foi dado o prazo de dois meses para elaborar propostas destinadas a melhorar a qualidade e a competitividade da imprensa francesa. Nada de consultorias ou pressões corporativas, Sarkô quer jornalistas cuidando do futuro do seu ofício.

No mesmo documento, o presidente francês vai sugerir modificações na lei que proíbe a concentração da mídia. É desconhecido até agora o teor das modificações que Sarkozy vai propor. Mas a questão é central, matriz das distorções que relativizam o projeto sempre sonhado e raramente alcançado de uma imprensa livre, responsável e isenta.

Perigo no ar

A Cúpula de Madri ocorre num momento de grande perigo. A crise financeira internacional vai certamente forçar uma desconcentração dos meios de comunicação. Impossível gerir mastodontes empresariais no exato momento em que ficou transparente a responsabilidade dos executivos de grandes conglomerados financeiros no crash mundial.

A recessão e/ou a queda acentuada do ritmo de crescimento na maioria dos países, associadas às dificuldades de crédito, vão produzir inevitavelmente um desmembramento dos grandes grupos jornalísticos. As empresas terão que ser enxugadas – sobretudo as gigantes, responsáveis por mais desperdício e mais redundâncias.

A montagem de grandes operações digitais paralelas exigirá investimentos proibitivos que certamente afetarão as atividades-fim. A implantação de empresas multimeios terá que ser adiada sob pena de apressar a quebradeira geral no setor.

O meteorito que vai acabar com os dinossauros da indústria jornalística foi o mesmo que liquidou instituições financeiras seculares: uma bolha, a bolha hipotecária americana. Nosso amigo foi à Europa e não viu a cena mais importante do mais empolgante romance escrito pela dialética: o Senhor Mercado não manda mais.

***

Em tempo, às 14h10 de 7/10: A grande imprensa brasileira segue ignorando completamente a 64ª Assembléia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Na edição desta terça, dia 8, nenhuma linha sobre o assunto na Folha, uma notícia secundária no Estadão.

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=506JDB001



Escrito por mauricio às 21h04
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

O subprime brasileiro

As peças se encaixaram finalmente.

Dias atrás relatei aqui - com exclusividade - as operações de opções de dólar com CDI, oferecidas por muitos bancos a empresas brasileiras. Segundo informações que colhi no mercado, as empresas haviam incorrido em duas opções de venda de dólar: a R$ 1,80 e a R$ 2,00.

Significava que, enquanto o dólar ficasse abaixo desse valor, elas ganhariam diariamente a diferença. Acima, teriam que pagar.

Quando o dólar passou os R$ 1,80 e encostou nos R$ 2,00, estimava-se uma perda de R$ 25 bilhões para os vendidos; quando passou de R$ 2,00, as estimativas de perda passaram para R$ 35 bilhões (clique aqui).

Hoje, o "Valor" adianta mais detalhes da operação (clique aqui). E, juntando as peças, explica a razão do governo ter editado a Medida Provisória conferindo plenos poderes ao Banco Central.

1. A operação se chama "target forward". Nela, a empresa aposta duas vezes na valorização do real.

2. No primeiro passo, ela vende o dólar para o banco através de um instrumento chamado de "forward", o correspondente ao "non-deliverable forward" no exterior. É o que chamamos de venda a termo. Na operação, a empresa se compromete a entregar o dólar em um dia qualquer do futuro, por uma cotação pré-fixada. O jornal montou um exemplo de uma empresa que vendeu US$ 10 milhões ao banco no dia 10 de julho para entrega em 30 de agosto a R$ 1,6040.

3. Para as empresas conservadoras, não há risco. Na outra ponta ela tem dólares a receber de uma exportação efetuada. Se o dólar explodir, ela perde na venda a termo mas ganha as exportações, ficando empatada. É o hedge clássico. Suponha que o dólar vá para R$ 1,70. A empresa recebe R$ 1,70 x US$ 10 milhões por seu contrato de exportação e paga a mesma quantia ao banco.

4. As operações da Sadia e Aracruz continham um componente adicional. Vende uma segunda vez os dólares ao banco através de uma opção de compra. Através dela, o banco paga um valor à empresa para ter o direito de comprar o dólar no futuro pela cotação pré-estabelecida.

5. No exemplo do Valor, o banco passava a ter o direito de comprar US$ 10 milhões a R$ 1,73 no dia 30 de agosto de 2008. Se, nesse dia, o dólar estivesse valendo menos, o banco não exerceria o direito de compra. Perde o que pagou à empresa e a operação se encerra. A opção "virá pó", no jargão do mercado.

6. Mas se o dólar batesse em R$ 2,00, a empresa teria que adquirir por esse valor no mercado, para entregar ao banco por R$ 1,73. Sua perda seria de 13,5% ou R$ 2,7 milhões. A empresa perde entregando os dólares a termo por esse valor e perde comprando dólares no mercado para pagar as opções.

O Valor conseguiu levantar algumas das propostas dos bancos às empresas, que batem com aquela divulgada aqui dias atrás.

Além das exportadoras, possivelmente empresas médicas, bancos e construtoras entraram nesse jogo.

Ponto importante:

"É importante notar que nos raros contratos feitos entre as partes com ajuste diário as perdas de caixa são da empresa. Mas, se os contratos não têm ajuste diário - são mensais, trimestrais ou com pagamento só no final -, são os bancos que atuaram como contraparte das empresas que precisam ir à BM&FBovespa depositar ajustes diários e mais margens de garantia toda a vez que o dólar sobe. O movimento tem contribuído para o aperto de liquidez".

Ou seja, na maior parte dos contratos, os bancos acertaram com as empresas ajustes mensais ou trimestrais e pagamento só no final. Então, à medida que o dólar aumenta, os bancos precisam depositar a margem na BMF e ficam com um enorme pepino para descascar.

Isso explica o pacote do Banco Central. Há o risco de que adquira esses ativos podres dos bancos. Ou - conforme informa o Valor - jogue as reservas cambiais para derrubar o dólar reduzindo os prejuízos futuros dos bancos.

É um problema muito grande, mas que não poderá ser resolvido de forma sorrateira pelo BC. Tem que levantar os dados, trazer as informações ao público e, de forma alguma, privilegiar os jogadores e bancos que cometeram essas barbaridades. Qualquer tipo de ajuda tem que ser calçada em ativos sólidos - até em ações das instituições e empresas, se for o caso.

Mais análises, clique aqui.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 20h57
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Recapitalização e nacionalização

Essas operações de liquidez, proporcionadas pelos Bancos Centrais, não irão adiantar. A cada dia que passa fica mais claro que se trata de um problema patrimonial: o sistema financeiro mundial quebrou.

As autoridades do FED e dos BCs europeus demoraram para perceber o problema da crise. Quando o incêndio lavrou, pensaram que era um problema de liquidez. Entraram tarde, mas o buraco é mais embaixo.

A questão é que a recapitalização, especialmente dos bancos europeus, envolve quantias tão fabulosas que não haverá condições de meramente trocar dívidas por ações.

Segundo artigo de Martin Wolff, cada um ponto de capitalização dos bancos ingleses equivale a 4 pontos de PIB. 5% de capitalização = 20% do PIB inglês.

A única saída será a nacionalização do sistema bancário e sua posterior devolução para o setor privado.

Na aba de Economia, um artigo do Martin Wolff sobre a recapitalização dos bancos ingleses.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 20h52
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

O mito do colapso americano

Apesar da violência desta crise financeira, não deverá haver um vácuo nem uma 'sucessão' na liderança política e militar do sistema mundial. E, do ponto de vista econômico, o mais provável é que ocorra uma fusão financeira cada maior entre a China e os Estados Unidos.

“Como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar”.
N. Maquiavel, O Príncipe, 1513

Na segunda feira, 6 de outubro de 2008, a crise financeira americana desembarcou na Europa, e repercutiu em todo mundo, de forma violenta. As principais Bolsas de Valor do mundo tiveram quedas expressivas, e governos e Bancos Centrais tiveram que intervir para manter a liquidez e o crédito de seus sistemas bancários. Neste momento, não cabem mais dúvidas: a crise financeira que começou pelo mercado imobiliário de alto risco dos EUA já se transformou numa crise profunda e global, destruiu uma quantidade fabulosa de riqueza, e deverá atingir de forma mais ou menos extensa, desigual e prolongada, a economia real dos EUA, e de todos os países do mundo.

Muitos bancos e empresas seguirão quebrando, nascerão rapidamente novas regras e instituições, e haverá nos próximos meses, uma gigantesca centralização do capital financeiro, sobretudo nos EUA e na Europa. Os bancos e organismos multinacionais seguem paralisados e impotentes e se aprofunda, por todo lado, a tendência à estatização de empresas, à regulação dos mercados, e ao aumento do protecionismo e do nacionalismo econômico.

De todos os pontos de vista, acabou a “era Tatcher/Reagan”, e foi para o balaio da história, o “modelo neo-liberal” anglo-americano, junto com as idéias econômicas hegemônicas, nos últimos 30 anos. Como contrapartida, mesmo sem fazer proselitismo explícito, deverá ganhar pontos, nos próximos meses e anos, em todas as latitudes, o “modelo chinês” nacional-estatista, centralizante e planejador.

No meio do tiroteio, é difícil de pensar. Talvez por isto, multiplicam-se, imprensa e na academia, os adjetivos, as exclamações e as profecias apocalípticas, anunciando o fim da supremacia mundial do dólar e do poder global dos EUA, ou, do próprio capitalismo americano.. Na mesma hora em que os governos e investidores de todo mundo estão se refugiando no próprio dólar, e nos títulos do Tesouro americano, apesar de sua baixíssima rentabilidade, e apesar de que o epicentro da crise esteja nos EUA. E o que é mais interessante, é que são os governos dos estados que estariam ameaçando a supremacia americana, os primeiros a se refugiarem na moeda e nos títulos americanos. Para explicar este comportamento aparentemente paradoxal, é preciso deixar de lado as teorias econômicas convencionais sobre o “padrão ouro”e o “padrão-dólar”, e também, as teorias políticas convencionais sobre as crises e “sucessões hegemônicas”, dentro do sistema mundial.

Comecemos pelo paradoxo da “fuga para o dólar”, em resposta à crise do próprio dólar. Aqui é preciso entender algumas característcas específicas e fundamentais do sistema “dólar-flexível”. Desde a década de 1970, os EUA se transformaram no “mercado financeiro do mundo”, e o seu Banco Central (FED), passou a emitir uma moeda nacional de circulação internacional, sem base metálica, administrada através das taxas de juros do próprio FED, e dos títulos emitidos pelo Tesouro americano, que atuam em todo mundo, como lastro do sistema “dólar-flexível”.

Por isto “a quase totalidade dos passivos externos americanos é denominada em dólares e praticamente todas as importações de bens e serviços dos EUA são pagas exclusivamente em dólar. Uma situação única que gera enorme assimetria entre o ajuste externo dos EUA e dos demais países [...]. Por isto, também, a remuneração em dólares dos passivos externos financeiros americanos que são todos denominados em dólar, seguem de perto a trajetória das taxas de juros determinadas pela própria política monetária americana, configurando um caso único em que um país devedor determina a taxa de juros de sua própria “dívida externa” (1). Uma mágica poderosa e uma circularidade imbatível, porque se sustenta de forma exclusiva, no poder político e econômico norte-americano.

Agora mesmo, por exemplo, para enfrentar a crise, o Tesouro americano emitirá novos títulos que serão comprados, pelos governos e investidores de todo mundo, como justifica o influente economista chinês, Yuan Gangming, ao garantir que “é bom para a China investir muito nos EUA; porque não há muitas outras opções para suas reservas internacionais de quase US$ 2 trilhões, e as economias da China e dos EUA são interdependentes”. (FSP, 24/11).

Mas além disto, do ponto de vista da hierarquia mundial, se esta crise for administrada de forma estratégica, pelo governo americano, ela poderá reforçar em vez de enfraquecer a posição futura dos EUA, dentro do sistema mundial. Para entender este segundo paradoxo, entretanto, é necessário ir um pouco além da economia e das finanças, e analisar com cuidado a origem e os desdobramentos das crises e da competição entre os estados nacionais.

Em primeiro lugar, quase todas as grandes crises do sistema mundial foram provocadas até hoje, pela própria potência hegemônica. Em segundo lugar, estas crises são provocadas quase sempre pela expansão vitoriosa (e não pelo declínio) das potências capazes de atropelar as regras e instituições que eles mesmos criaram, num momento anterior, e que depois se transformam num obstáculo no caminho da sua própria expansão. Em terceiro lugar, o sucesso econômico e a expansão do poder da potencia líder é um elemento fundamental para o fortalecimento de todos os demais estados e economias que se proponham concorrer ou “substituir” a potencia hegemônica. Por isto, finalmente, as crises provocadas pela “exuberância expansiva” da potência líder, afetam, em geral, de forma mais perversa e destrutiva aos “concorrentes” do que ao próprio hegemon, que costuma se recuperar de forma mais rápida e poderosa do que os demais.

Resumindo: “apesar da violência desta crise financeira, não deverá haver um vácuo nem uma 'sucessão' na liderança política e militar do sistema mundial. E, do ponto de vista econômico, o mais provável é que ocorra uma fusão financeira cada maior entre a China e os Estados Unidos” (2).

(1) Serrano, F. (2008) “A economia Americana, o padrão 'dólar-flexível' e a expansão mundial nos anos 2000”, in J.L Fiori, F. Serrano e C. Medeiros, O MITO DO COLAPSO AMERICANO,Editora Record, Rio de Janeiro, P : 83 (Prelo)

(2) Fiori, J.L. (2008) “O sistema mundial, no início do século XXI”, in J.L Fiori, F. Serrano e C. Medeiros, O MITO DO COLAPSO AMERICANO, Editora Record, Rio de janeiro, p: 65 ( NO PRELO).

* Artigo publicado originalmente no jornal Valor Econômico (08/10/2008)


José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3994



Escrito por mauricio às 20h27
[] [envie esta mensagem
] []





Por falar nele:

Ouvi entrevista do FHC, dizendo que o governo atual é uma Poliana, que ele não ia permitir que o Brasil afundasse na crise: porque ele permitiu das outras vezes, nas crises durante os seu governo? Se Ele sabe como, aprendeu hoje, ou se já sabia naquelas crises, porque não fez nada????    

Escrito por mauricio às 20h25
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO EMIR SADER

As cassandras neoliberais

A esquerda costuma ser acusada de catastrofista. Mas agora é a direita que, sem propostas, aposta no quanto pior melhor, para ver se consegue voltar ao governo, desesperada diante dos 80% de popularidade do governo Lula.

Primeiro apostavam na inflação, que ia tornar-se descontrolada e levaria o país à recessão pelas medidas que, no receituário deles, costumam ser tomadas. Seguiam o editorial do The Economist que esperava que o governo de Fernando Lugo fosse o último governo progressista na América Latina porque, dizem eles, chegam tempos de recessão e nisso a direita é craque. Propõem explorar temas dolorosos e que lhe são caros, como enfermeiros da recessão e dos sofrimentos para o povo: inflação e violência. Centram-se na exploração desses temas.

Se esquece a revista não apenas que o continente é outro hoje, mas que em El Salvador Mauricio Funes, candidato da FMLN é amplamente favorito para ampliar a lista de presidentes progressistas na América Latina. E que a capacidade de resistência desses governos diante da crise é maior do que durante aqueles dos seus fracassados queridinhos – FHC, Menem, Carlos Andres Peres, Sanchez de Losada, entre tantos outros.

FHC, apostolo do caos, aposta na crise, na recessão. Ele, que conhece bem isso. Afinal, nos seus oito anos de governo – recordar que ele comprou votos para mudar a Constituição durante seu mandato, para ter um segundo mandato -, quebrou o Brasil três vezes, teve que ir ao FMI três vezes para assinar novas Cartas-compromisso. Escondeu a crise durante a campanha eleitoral de 1998, fez tudo – ajudado amplamente pela mesma imprensa privada que agora aposta no caos – para ganhar no primeiro turno, porque o país estava de novo quebrado e Pedro Malan negociava novo acordo de capitulação com o FMI.

Não deu outra, veio a crise, os juros foram elevados para 49% (sic) e a economia entrou na prolongada recessão que acompanhou todo o governo FHC e fez com que os tucanos fossem amplamente derrotados em 2002 e FHC seja o político com pior desempenho na opinião do povo brasileiro. E foi uma crise provocada e sofrida aqui, não como conseqüência de uma crise internacional.

Agora a direita aposta na crise, que é a crise da sua doutrina, das suas pregações sobre as virtudes do mercado. Fariseus, tentam esconder que são discursos como os seus que levaram à farra especulativa dos EUA – meca do neoliberalismo – e cujos efeitos o governo tem que enfrentar. Governassem os tucanos, imaginem o que seria a economia do Brasil se Alckmin tivesse ganho - como queria a imprensa privada -, com o grau de fragilidade que teríamos, com a continuidade da abertura econômica que os tucanos pregam.

Lula precisaria fracassar, porque se o douto, o sábio, o ilustrado, o queridinho dos grandes empresários e da imprensa privada, FHC, fracassou – na política econômica, na política social, na política educacional, na política cultural, na política externa -, fracassou, como um torneiro mecânico, nordestino, que perdeu um dedo nas máquinas, do PT, pode triunfar.

É o fracasso das teorias que pregam que as elites sabem mais, podem mais, fazem melhor as coisas. A mesma teoria que fracassa na Bolívia, onde o índio Evo Morales dá certo, onde o gringo Sanchez de Losada fracassou. Na Venezuela, onde o mulato Hugo Chavez dá certo, quando a elite branca de Carlos Andres Peres, de Rafael Caldera, fracassaram.

As economias dos países que participam dos processos de integração regional, porque privilegiam os intercâmbios entre seus países, porque diversificaram seus mercados internacionais – com o da China ocupando lugar de destaque -, porque desenvolvem os mercados internos de consumo popular, dependendo menos das exportações, porque vão dispondo cada vez mais de recursos próprios de financiamento – que o Banco do Sul vai incrementar -, sofrem menos as conseqüências da maior crise do capitalismo desde 1929. Recordar que como efeito desta, caíram 16 governos latino-americanos. Agora, nenhum deve cair e sofrem mais os que mais se atrelaram à economia estadunidense e mais seguiram aferrados ao neoliberalismo – de que o México é o caso mais grave.

FHC, e todas suas viúvas na imprensa privada, podem chorar, podem pedir pelo pior, podem esperar sentados o fracasso dos novos governos latino-americanos. Seu tempo já passou, o funeral de Wall Street é o seu funeral, o da apologia dos mercados, do Estado mínimo, do reino da especulação. Que descansem em paz, que o povo brasileiro tem mais o que fazer, tem que se ocupar do seu destino, essas cassandras neoliberais que ele derrotou e segue derrotando.

Postado por Emir Sader às 07:23

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=213



Escrito por mauricio às 20h22
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

O fim da festa do crédito

Coluna Econômica - 06/10/2008

A grande ferramenta da comunicação moderna – o Blog – tem permitido discussões das mais relevantes sobre os desdobramentos da crise econômica mundial.

Recomendo uma leitura do meu Blog (www.luisnassif.com.br), especialmente as contribuições de leitores para entender o momento atual.

Passo ao relato do leitor Ruben, autor de algumas das análises mais precisas sobre o momento atual:

***

“Parece haver uma grande incompreensão sobre o significado profundo da falência do Lehman Brothers. Morto o mito do "grande demais para falir", da noite para o dia, uma legião de poupadores, direta ou indiretamente, viu-se de posse de trilhões em dívida que estava incorretamente precificada”, escreveu ele.

“Do dia para a noite, parece que todos os grandes emissores de dívida americana, a saber, Wall Street, os grandes conglomerados bancários, GE (que no fundo é uma gigantesca empresa financeira), GM, Ford (bem, estes já eram), os bancos regionais, não eram lá muito confiáveis”.

***

Os americanos viram ruir os três pilares de seu patrimônio: as casas, as ações e os títulos de dívida das grandes empresas. É algo tão cataclísmico que é absolutamente impossível antever suas implicações. Não é uma mera crise de liquidez: é uma destruição grotesca da avaliação do valor do estoque de poupança existente na economia. Esta perda foi realizada e ponto final: com pacote, sem pacote, a perda é real, e de alguns trilhões de dólares”.

***

Mais do que isso, a quebra da Lehman expôs a precariedade das inter-relações contratuais na moderna tecnologia financeira. Perderam os detentores de dívidas e os depositantes. Mais o prejuízo foi além, acertando os ativos custodiados na Lehman Europe e mais um conjunto enorme de operações.

***

Segundo ele, não se deve perder tempo discutindo se haverá ou não impactos severos na economia brasileira. “Isto está dado! É tão certo quanto o sol se levantar amanhã”, diz ele. “Devíamos estar perdendo tempo tentando antever os meios pelos quais a praga vai ser propagada, tentando antecipar suas conseqüências e na medida do possível evitá-las”.

***

A bonança dos últimos 12 meses foi considerada fruto do trabalho continuado de estabilidade econômica e não – como de fato foi – decorrência da fulminante explosão de liquidez financeira do segundo semestre de 2006 ao 3o trimestre de 2007, que perdurou, ainda, sob algumas formas específicas até o 2o trimestre de 2008.

Aí mora o perigo. Lembra Ruben que as decisões de investimento que estão sendo implementadas hoje, foram tomadas em cima daquele referencial. “Investimento, é bom lembrar, implica em continuada demanda por capital: depois de instalada a máquina, a empresa vai precisar de capital de giro, etc e tal. E este capital não existe mais. A farra de imprimir dinheiro via compra de reservas acabou. Estamos no início do processo de retração de liquidez na economia Brasileira, e vai ser doloroso”.



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/6



Escrito por mauricio às 22h10
[] [envie esta mensagem
] []





dO BLOG DO LUIS NASSIF

O cheque em branco ao BC

Tudo muito bom, não se pode permitir o contágio da crise. Há que se amparar bancos pequenos em dificuldades com o menor alarde possível.

Mas o pacote de socorro aos bancos, anunciado ontem pelo governo, precisa ser melhor explicado. O BC vai adquirir carteiras de bancos aqui, poderá adquirir ativos no exterior para suprir a falta de interesse dos bancos comerciais. Se houver inadimplência, segundo as primeiras notícias, a responsabilidade será do banco emissor.

Pergunto: quais os critérios para a aquisição desses ativos? Quais as garantias que serão dadas? Por que os bancos gdes se recusaram a adquirí-los, apesar do aceno da redução do compulsório?

À primeira vista me parece que o nosso BC está querendo poderes ainda maiores do que os que foram concedidos ao Secretário do Tesouro norte-americano.

Meirelles declarou que “a boa prática bancária recomenda que isso (o socorro aos bancos) deve ser objeto de sigilo bancário para não haver especulações desnecessárias”.

Duas coisas:

1. Especulação ocorre onde não há plena informação.

2. As boas práticas de gestão de recursos públicos não recomenda esse poder absoluto de escolher a quem socorrer e não prestar contas.

Há que se encontrar um meio termo que não coloque esse poder absoluto nas mãos do BC. Uma coisa foi queimar dinheiro público com essas taxas estratosféricas e com as operações de swap reverso, sem responder a nenhuma instância. Outro é o auxílio a instituições individuais.

Tem que haver mais clareza sobre esse movimento.

A transparência americana

Artigo de Delfim Netto no Valor (clique aqui) mostrando como a crise do subprime já estava delineada desde o ano passado e houve uma tentativa dos bancos de investimento americanos de driblarem a crise. E como a falta de transparência do processo minou a confiança do Congresso em Henry Paulson, o Secretário do Tesouro.

Por aqui, ainda falta um balanço adequado do pesado processo especulativo no câmbio e as diversas formas encontradas pelo mercado par trazer dólares, Essas informações serao relevantes, inclusive, para legitimar qualquer ação que o BC brasileiro pretenda tomar.

Comentário

Alguém conseguiria a íntegra da MP 442?



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 22h07
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando

 

A família Walton

 

vovô e vovó Walton



Escrito por mauricio às 23h20
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando

 

 

Capitão Marvel e a Poderosa Isis



Escrito por mauricio às 23h17
[] [envie esta mensagem
] []





Relembrando

 

 

 

Holly, Will,  Rick

Enik

Pakunis



Escrito por mauricio às 23h14
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA ADITAL

Quando começou nosso erro?

Leonardo Boff *

Adital -
Sentimos hoje a urgência de estabelecermos uma paz perene com a Terra. Há séculos estamos em guerra contra ela. Enfrentamo-la de mil formas no intento de dominar suas forças e de aproveitar ao máximo seus serviços. Temos conseguido vitórias, mas a um preço tão alto que agora a Terra parece se voltar contra nós. Não temos nenhuma chance de ganhar dela. Ao contrário, os sinais nos dizem que devemos mudar senão ela poderá continuar sob a luz benfazeja do sol, mas sem a nossa presença.
 
É tempo de fazermos um balanço e nos perguntarmos: quando começou o nosso erro? A maioria dos analistas diz que tudo começou há cerca de dez mil anos com a revolução do neolítico, quando os seres humanos se tornaram sedentários, projetaram vilas e cidades, inventaram a agricultura, começaram com as irrigações e a domesticação dos animais. Isso lhes permitiu sair da situação de penúria de, dia após dia, garantir a alimentação necessária através da caça e da recoleção de frutos. Agora, com a nova forma de produção, criou-se o estoque de alimentos que serviu de base para montar exércitos, fazer guerras e criar impérios. Mas se desarticulou a relação de equilíbrio entre natureza e ser humano. Começou o processo de conquista do planeta que culminou em nossos tempos com a tecnificação e artificialização de praticamente todas as nossas relações com o meio-ambiente.
 
Estimo, entretanto, que esse processo começou muito antes, no seio mesmo da antropogênese. Desde os seus albores, cabe distinguir três etapas na relação de ser humano com a natureza. A primeira era de interação. O ser humano interagia com o meio, sem interferir nele, aproveitando de tudo o que ele abundantemente lhe oferecia. Prevalecia grande equilíbrio entre ambos. A segunda etapa era a da intervenção. Corresponde à época em que surgiu há cerca de 2,4 milhões de anos, o homo habilis. Este nosso ancestral começou a intervir na natureza ao usar instrumentos rudimentares como um pedaço de pau ou uma pedra para melhor se defender e se assenhorear das coisas ao seu redor. Inicia-se o rompimento do equilíbrio original. O ser humano se sobrepõe à natureza. Esse processo se complexifica até surgir a terceira etapa que é a da agressão. Coincide com a revolução do neolítico da qual nos referimos anteriormente. Aqui se abre um caminho de alta aceleração na conquista da natureza. Após a revolução do neolítico sucederam-se as várias revoluções, a industrial, a nuclear, a biotecnológica, a da informática, da automação e a da nanotecnologia. Sofisticaram-se cada vez mais os instrumentos de agressão, até penetrar nas partículas subatômicas (topquarks, hadrions) e no código genético dos seres vivos.
 
Em todo esse processo se operou um profundo deslocamento na relação. De ser inserido na natureza como parte dela, o ser humano transformou-se num ser fora e acima da natureza. Seu propósito é domina-la e trata-la, na expressão de Francis Bacon, o formulador do método científico, como o inquisidor trata o seu inquirido: torturá-la até que entregue todos os seus segredos. Esse método é vastamente imperante nas universidades e nos laboratórios.
 
Entretanto, a Terra é um planeta pequeno, velho e com limitados recursos. Sozinha não consegue mais se auto-regular. O estresse pode se generalizar e assumir formas catastróficas. Temos que reconhecer nosso erro: o de nos termos afastado dela, esquecendo que somos Terra, que ela é o único lar que possuímos e que nossa missão é cuidar dela. Devemos faze-lo com a tecnologia que desenvolvemos, mas assimilada dentro de um paradigma de sinergia e de benevolência, base da paz perpétua tão sonhada por Kant.
* Teólogo e professor emérito de

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35363



Escrito por mauricio às 21h53
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

O futuro político de São Paulo

A derrota de Geraldo Alckmin, em São Paulo, o desempenho de Marta Suplicy no primeiro turno, lançam questões relevantes sobre o futuro político de São Paulo na cena nacional.

O estado tem um único nome com dimensão nacional, José Serra. Mas é o último dos moicanos em seu partido. O partido que mais governou o país, após a redemocratização, não cuidou de desenvolver novas lideranças capazes de carregar seu bastão.

Parte dessa conta se deve à pequena política de Geraldo Alckmin, que se torna figura menor no partido. Alckmin foi candidato a presidente da República pelo PSDB por absoluta falta de vontade de José Serra de encarar os ventos favoráveis a Lula. Foi para o segundo turno exclusivamente devido ao escândalo dos “aloprados”. Sempre que seguiu sua intuição – como na postura mais agressiva do segundo turno das eleições presidenciais ou agora, para a prefeitura – piorou sua votação.

A lógica do PSDB paulista matou completamente o aparecimento de novos quadros. Longe se vão os tempos em que o grande Franco Montoro preparou toda uma geração de quadros públicos que, nos anos seguintes, garantiriam a vitalidade do PSDB; Serra, Covas, Fernando Henrique, João Sayad e tantos outros.

Talvez por receio de aparecimento de novas lideranças, nas diversas eleições majoritárias, o partido só apostou em figurões, como Miguel Reali Jr, em empresários, como Pedro Piva. Não cuidou de descobrir um nome sequer de dimensão nacional ou mesmo estadual.

Com Alckmin foi a consagração da mediocridade. Os dois únicos nomes ligados a ele – o ex-Secretário de Educação Gabriel Chalita e o da Segurança Saulo de Castro Abreu – foram os responsáveis pelos dois maiores desastres administrativos do Estado nas últimas décadas.

O governo Serra, embora mais criterioso na definição de seu Secretariado, também não apostou em um nome sequer.

Assim fica difícil. Quem será o candidato do PSDB ao governo de São Paulo nas próximas eleições? Geraldo Alckmin? Qual foi o nome forte que nasceu no seio do PSDB paulista nas últimas décadas?

Dos quadros do partido, quem resta? José Anibal soçobrou nessa divisão do partido; Walter Feldman não parece ter fôlego para aspirar uma candidatura majoritária. Do governo Serra não nascerá nenhuma semente de futuras lideranças.

Gilberto Kassab é o grande nome que aparece dessas eleições, mas é um candidato do DEM – não do PSDB. Aliás, o único nome do DEM com projeção nacional.

Na outra ponta, a crise política do primeiro governo Lula sepultou a maioria dos nomes mais fortes do PT, como José Dirceu, José Genoíno, o próprio Aloisio Mercadante.

O estado mais avançado do país se fossilizou. Deu os dois partidos que dominaram a cena política pós-redemocratização.  Nenhum deles logrou desenvolver quadros. Continuaram dependendo exclusivamente do carisma dos fundadores.

Por Ricardo Martini

O PSDB teve um problema grave: a eleição de FHC para a presidência. O partido "institucionalizou-se" antes do que deveria, com pouco mais de 5 anos de formado. Conclusão: o partido ficou dominado pelos antigos MDBistas da fundação. Basta ver o secretariado de Serra: até o Pinotti, que tinha ficando no PMDB debaixo da asa de Quércia, faz parte.

Os 8 anos de governo FHC serviram para eternizar no partido as lideranças antigas, enquanto os novos que surgiram eram de outra cepa: Alckmin é claramente um fenômeno do interior do estado de São Paulo, com lideranças municipais que surgem para "renovar" a política, mas que apenas operam uma troca de guarda dentro da elite. Vasculhem a história política dos municípios paulistas e verão inúmeros prefeitos eleitos nos anos 70-80 com 20-30 anos de idade, com características modernizantes, e que hoje representam as elites dominantes tendo que enfrentar os novos que logo irão surgir, mas que por sua vez não vão mudar nada substancialmente.

Já o PT é vítima de um impasse: em SP, é um partido calcado no tripé sindicalismo-universidade-funcionalismo público, ao passo que em outros estados, com exceção do RS, faz parte do populismo clássico (basta ver como na Bahia em breve o PT vai virar a nova "dinastia" política em substituição ao Carlismo). Sua renovação só vai ocorrer se conseguir conciliar suas duas vertentes - o que parece menos provável a cada dia, dado o pendor de Lula para o populismo tradicional.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 21h45
[] [envie esta mensagem
] []





DO ENTRELINHAS

PT e Kassab são os vitoriosos do 1° turno

Fechadas as urnas e conhecidos os resultados, é hora de analisar o recado do povo brasileiro na eleição municipal. Um balanço preliminar das capitais indica o seguinte:

O PT saiu fortalecido porque já faturou 6 capitais (contra 2 do PMDB, 2 do PSDB, 2 do PSB, 1 do PCdoB, 1 do PV e 1 do PP) e foi para o segundo turno em três praças importantes (Salvador, Porto Alegre e São Paulo). O partido de Lula tem boas chances de levar Porto Alegre e terá disputas duras em Salvador e na capital paulista. Dificilmente, porém, deixará de ser o partido com mais governantes nas capitais, pois ainda que perca as três, só o PMDB pode alcançá-lo, se vencer em 5 das 6 cidades em que disputa o segundo turno. Nenhum outro partido pode desbancar o PT.

Gilberto Kassab (DEM) conseguiu o que muita gente julgava impossível e terminou à frente de Marta Suplicy. O Democratas não conseguiu eleger ninguém no primeiro turno nas capitais e só passou para a segunda etapa em São Paulo, portanto não se pode dizer que a eleição tenha sido lá muito positiva para o partido. Kassab, porém, não é propriamente um democrata "de raiz", como está na moda dizer. Apoiado pelo governador José Serra (PSDB), a quem sucedeu na prefeitura, Kassab tem um pouco de verniz tucano e luz própria. Criou projetos que Serra não teria criado (o Cidade Limpa, por exemplo) e conseguiu costurar uma aliança que lhe garantiu o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita. É uma liderança em emergência no partido e defende ardorosamente a aliança com o PSDB, agora e sempre. Ainda que perca de Marta Suplicy (PT) no segundo turno, ganhou estatura para pleitear o governo do Estado em 2010, o que pode ser uma bela dor de cabeça no ninho tucano.

O PMDB, por fim, não fez feio nesta eleição. Com 2 prefeitos eleitos no primeiro turno (Goiânia e Campo Grande), vai disputar mais seis eleições no segundo turno, o que não é pouca coisa. Sai na frente no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Florianópolis, está quase empatado em Belo Horizonte e ainda está na briga em Belém. São cidades importantes e a depender do número de vitórias, conseguirá até desbancar a liderança do PT neste ranking. Se isto ocorrer, aumenta consideravelmente o seu cacife para negociar um apoio a qualquer candidato à presidência em 2010, caso decida não lançar candidatura própria.

O PSDB sai desta eleição como o grande derrotado. Rachou em São Paulo, não apresentou candidato em Belo Horizonte, elegeu apenas os prefeitos de Curitiba e Teresina. Pode vencer em Cuiabá e São Luís no segundo turno e ainda que consiga essas quatro capitais, o saldo não é, digamos assim, animador para um partido que pretende polarizar com o PT nacionalmente. É certo que o DEM pode terminar com apenas um prefeito de capital, mas neste caso qualquer analista sério ponderaria que o peso de São Paulo é muito maior do que as quatro capitais tucanas somadas...


Escrito por mauricio às 21h31
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

BALANÇO DAS URNAS

PT e PMDB crescem. PSDB e DEM diminuem de tamanho

Principais partidos da base do governo Lula têm expressiva vitória no país. PT foi o partido que mais elegeu prefeitos nas 79 maiores cidades e, dependendo dos resultados do segundo turno, pode ser sigla com maior número de eleitores do país. No lado da oposição, PSDB perdeu 87 prefeituras e DEM perdeu 295 municípios.

SÃO PAULO - Os números das eleições municipais deste domingo mostram que o PT e o PMDB foram os partidos que mais cresceram no país. Já no lado da oposição ao governo Lula, o PSDB e o DEM diminuíram expressivamente de tamanho. O PMDB foi o partido que mais elegeu prefeitos no país (1.200 contra 1.054 em 2004). Já o PT elegeu 546 (contra 413 em 2004, um crescimento de 133 prefeituras). Nessa estatística não estão computadas as cidades que terá segundo turno.

No campo da oposição ao governo federal, o PSDB perdeu 87 prefeituras (venceu em 784 cidades, contra 871 em 2004) e o DEM teve uma redução ainda mais expressiva, perdendo 295 municípios (497 contra 792 em 2004).

No país, o PT foi o partido que mais elegeu prefeitos nas 79 maiores cidades. Foram 13 vitórias no primeiro turno e em outras 15 cidades o partido está disputando o segundo turno, podendo chegar a um máximo de 28. Em segundo lugar, vem PMDB e PSDB com 9 vitórias no primeiro turno e 11 disputas no segundo.

Eleitores de 11 capitais do país voltarão às urnas no próximo dia 26 de outubro, no segundo turno das eleições municipais, para escolher os prefeitos de suas cidades.

Segundo os dados consolidados do Tribunal Superior Eleitoral haverá segundo turno nas seguintes capitais: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA), Cuiabá (MT), Belém (PA), São Luís (MA), Manaus (AM) e Macapá (AP)

Em São Paulo, disputam o segundo turno os candidatos do DEM, Gilberto Kassab, e do PT, Marta Suplicy; no Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PMDB, e Fernando Gabeira, do PV; em Belo Horizonte, Leonardo Quintão, do PMDB, e Márcio Lacerda, do PSB; em Porto Alegre, José Fogaça, do PMDB, e Maria do Rosário, do PT; na cidade de Florianópolis, Dário, do PMDB, e Esperidião Amin, do PP; em Salvador, João Henrique, do PMDB, e Walter Pinheiro, do PT; em Cuiabá, Wilson Santos, do PSDB, e Mauro Mendes, do PR; em Belém, Duciomar Costa, do PTB, e o segundo colocado ainda indefinido; em São Luís, João Castelo, do PSDB, e Flávio Dino, do PC do B; em Manaus, Amazonino Mendes, do PTB, e Serafim Corrêa, do PSB; e na capital Macapá, Camilo Capeberibe, do PSB, e Roberto Góes, do PDT.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15270



Escrito por mauricio às 20h50
[] [envie esta mensagem
] []





DO IHU

 cuidado da vinha

O evangelho de hoje faz parte do bloco compacto e estilizado (capítulos 21 a 25), que Mateus compõe para mostrar a tensão crescente entre Jesus e as autoridades judaicas.

Além disso, não podemos esquecer as fortes tensões entre judaísmo e cristianismo que existem na época de composição do evangelho, o que influencia na sua redação, acentuando o tom e os detalhes polêmicos.

A parábola que Jesus narra inicia evocando o canto à vinha do profeta Isaías, que, sem dúvida, seus ouvintes conheciam: “Cantarei em nome do meu amigo um canto de amor para a sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha em fértil colina. Capinou a terra, tirou as pedras e plantou nela videiras de uvas vermelhas. No meio, construiu uma guarita e fez um tanque de pisar uvas” (5, 1-7).
 
A vinha é a casa de Israel, o povo escolhido por Deus, cuidado amorosamente por Ele, como o proprietário cuida e protege a sua vinha.  Nesse cântico de amor, o profeta mostra também a ingratidão do povo por seu Deus: “Esperava que produzisse uvas boas, mas ela produziu uvas azedas” (5,8).

Na sua parábola Jesus não acusa a vinha por não dar frutos, mas os vinicultores, aqueles que o dono da vinha contratou para cuidar dela: “Depois arrendou a vinha para alguns agricultores”.
Eles são os que maltratam os empregados e matam o próprio filho do dono da vinha, o herdeiro.

Sem dúvida, nesta parábola Mateus está narrando a história de Jesus, enviado ao povo de Israel, mas foi rejeitado e jogado fora da vinha (o Calvário fica fora dos muros de Jerusalém) e morto: “Então agarraram o filho, o jogaram para fora da vinha, e o mataram”. 

Mateus mostra com clareza o confronto de Jesus com as autoridades judaicas, o que é também um incentivo para a comunidade cristã de seu tempo que sofre a incompreensão dos judeus.

Deixando claro que a última palavra é Deus quem a da, e tendo em conta outra vez a escritura, o evangelista coloca nos lábios de Jesus um anúncio da sua ressurreição: “A pedra que os construtores deixaram de lado tornou-se a pedra mais importante; isso foi feito pelo Senhor”.

Isso não tem que nos levar a uma leitura triunfalista do evangelho, mas a um convite para cuidar da vinha de Deus. Jesus mostra que ela se estende a todos os povos e a toda a criação, sabendo que, embora o trabalho seja duro e difícil, Deus está conosco.

Sem esquecer que, como afirmam José González Faus e Francisco Fernández Buey, um teólogo (crente) e um filosofo espanhol (não-crente),  o mundo está nas mãos dos seres humanos.

Há séculos, o salmista intuía isso, rezando: “O céu pertence ao Senhor, mas a terra ele a deu para os homens” (Sl 115, 16). E compartilhamos também a máxima da tradição teresiana: “Deus não tem outras mãos senão as nossas”, embora o crente possa acrescentar que as nossas mãos não tenham nem mais habilidade nem mais força que as de Deus.

Então podemos nos perguntar o que estamos fazendo com a vinha de Deus, com o mundo que Ele colocou sob nossos cuidados.

Diante desta pergunta, é assustadora a notícia da organização não-governamental canadense Global Footprint Network ,segundo a qual o dia 23 de setembro foi o dia em que a humanidade exauriu os recursos da Terra.

Isso significa que, entre o dia 1º de janeiro e 23 de setembro, a humanidade consumiu os recursos que a natureza pode produzir para um ano. A partir de 24 de setembro, e até o final do ano, a humanidade vive de alguma maneira abaixo de seus recursos. Para continuar a beber, comer, se aquecer, se deslocar, ela sobrecarrega o meio ambiente e compromete sua capacidade de regeneração. Portanto, ela consome o seu capital.

Novamente surge a pergunta: o que estamos fazendo com a vinha do Senhor, com a família humana, com nossa mãe Terra?

Podemos hoje escutar seus gemidos, junto com o de tantos homens e mulheres que sofrem as conseqüências dos fenômenos naturais, da fome e da má distribuição da riqueza...

Urge então que. sensíveis diante desta situação e movidos/as pelo evangelho de Jesus. atuemos conduzidos/a por uma ética da justiça e do cuidado.

Para isso, é necessário segundo Leonardo Boff, três virtudes cardeais: a busca do bem comum, a autolimitação e a justa medida, todas elas expressões da cultura do cuidado e da responsabilidade, para garantir um futuro comum da Terra e da humanidade. 

 
Oração

Abraçar cada ser, fazer-se irmã e irmão,
 Ouvir a cantiga do pássaro na rama,
 Auscultar em tudo um coração
Que pulsa na pedra e até na lama,
Saber que tudo vale e nada é em vão
E que se pode amar mesmo quem não ama,
Encher-se de ternura e compaixão
Pelo bichinho que por ajuda clama,
   
Conversar até com o fero lobo
E conviver e beijar o leproso
E, para alegrar, fazer-se de joão-bobo,
Sentir-se da  pobreza o esposo
E derramar afeto por todo o globo:
Eis o amor franciscano: oh supremo gozo!

Leonardo Boff

Referências

BOFF, Leonardo. Ética e moral a busca de fundamentos. Petrópolis: Vozes, 2003.

 

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_servicos&Itemid=38&task=detalhes&id=2



Escrito por mauricio às 08h59
[] [envie esta mensagem
] []





LITURGIA DO DIA – 27° DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

Domingo, 05 de outubro de 2008.

 

I Leitura (Isaías 5, 1-7) 
 
 
Salmo de Resposta (80/79)
 
REFRÃO: A vinha do Senhor é a casa de Israel.


 
II Leitura (Filipenses 4, 6-9 )
 

 
Evangelho (Mateus 21, 33-43)
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus:

- Naquele tempo, Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país. Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha. Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho. Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança! Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram. Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores? Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo. Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que fôra rejeitada pelos que edificavam, tornou-se cabeça do ângulo? Pelo Senhor foi feito isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele.

- Palavra da salvação: Glória a vós, Senhor!



Escrito por mauricio às 08h58
[] [envie esta mensagem
] []





DO AMAI-VOS

SANTO DO DIA

4 de Outubro de 2002
São Francisco de Assis (1182-1226)
Francisco Bernardone era filho de um rico comerciante da cidade italiana de Assis.  Durante os primeiros anos de sua juventude, soube aproveitar dos prazeres que o dinheiro oferece.  Porém, aos poucos começou a despertar para as diferenças sociais que a riqueza impõe, observando pequenos fatos dentro de sua própria casa e nas batalhas que participava. 
Um dia, orando na Capela de São Damião, semi-destruída, em um momento de profunda contemplação, ouviu uma voz que parecia saída do crucifixo e que dizia "Vai e reconstrói minha casa!".  A partir daí, abraçou a vida religiosa, despojando-se de tudo o que o mundo lhe oferecia, inclusive dos bens materiais de sua família e sua roupa, a qual despiu em praça pública. 
Começou, então, a realizar viagens missionárias, pregando os valores evangélicos da caridade e da humildade.  Cuidava dos pobres e doentes, sobretudo leprosos, com tal zelo, que não apenas curava-lhes as feridas, mas beijava.  Seu amor pela natureza era tal, que chamava a todas as criaturas de "irmãos e irmãs". 
O grupo que se reuniu junto a Francisco e que também abraçou seus ideias, formou o primeiro Núcleo dos Frades Menores, ordem aprovada pelo Papa Inocêncio III e que até hoje encanta milhares de pessoas também movidas pelo desejo de paz e bem.
Francisco morreu pobremente, aos 44 anos, mas, até hoje é cultuado e amado pela pureza de sua alma e pelo encantamento que a humildade em que viveu desperta nos homens e mulheres de todo o mundo.
 
Santificando minha vida:  Vou experimentar, pelo menos por hoje, rezar a Oração de São Francisco, com o profundo desejo de conseguir tornar-me um ser humano melhor.
 
Oração de São Francisco
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais
consolar que ser consolado,
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Porque é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive, para a vida eterna.
http://amaivos.uol.com.br/

Escrito por mauricio às 19h39
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA ADITAL

Sínodos e Concílio

Dom Demétrio Valentini *

Adital -
Neste domingo começa em Roma mais um sínodo. É a décima segunda assembléia geral do sínodo, desde que esta instância da Igreja foi instituída pelo Papa Paulo VI, no final do Concílio Ecumênico Vaticano Segundo, no ano de 1965.

Para compreender sua finalidade e seu alcance, o sínodo precisa ser colocado em referência ao Concílio. Pois na verdade ele foi instituído por Paulo VI em vista do término do Concílio Vaticano II, com a intenção de continuar o processo conciliar. O concílio estava terminando, e Paulo VI queria dotar a Igreja de um instrumento ágil, que permitisse retomar o clima conciliar sem alterar a normalidade da Igreja. Esta a intenção de Paulo VI.

Os estatutos que configuraram esta iniciativa permanecem os mesmos, na sua essência, desde o primeiro sínodo realizado em 1967, pouco tempo depois de concluído o Concílio. Fundamentalmente, a assembléia sinodal é composta por representantes eleitos pelas Conferências Episcopais, podendo o Papa acrescentar outros, através de convites pessoais feitos a bispos ou a peritos.

Para se ter uma idéia, a CNBB tem uma quota de quatro representantes a serem eleitos, dentro de um universo de quatrocentos bispos brasileiros, pois para o sínodo podem também ser eleitos os bispos eméritos. Nestes casos, a representação das grandes conferências fica prejudicada. A Conferência episcopal do Uruguai, por exemplo, com menos de dez dioceses, tem um representante garantido no Sínodo.

Mas o que mais importa num sínodo nem é a representação proporcional dos seus membros.  Ele pretende desencadear um processo participativo que envolva toda a Igreja em torno de um assunto relevante. Desta vez, por exemplo, a incidência da Sagrada Escritura na vida da Igreja, a partir do documento conciliar sobre o mesmo assunto.

Os sínodos têm a ver com a dinâmica conciliar. A Igreja precisa, permanentemente, ir conferindo sua caminhada ao longo da história, a partir dos diferentes lugares onde ela procura cumprir a missão recebida de Cristo. E para isto ela necessita partilhar a diversidade de vivências, que contribuem para perceber melhor as respostas que o Espírito lhe sugere. Se para captar "o que o Espírito quer dizer às Igrejas", na expressão do Apocalipse, ela se limita a um lugar só, a Igreja acaba empobrecendo suas referências, não dando conta da riqueza do Evangelho, capaz de suscitar respostas adequadas a cada situação diferente que a Igreja vai vivendo.

Foi o que motivou Paulo VI a instituir a atual forma de representação episcopal, concretizada nos sínodos que foram se realizando a partir do último concílio. Ele queria contar, no governo da Igreja, com a ajuda mais direta e mais diversificada do episcopado mundial. Portanto, sínodos para ajudar o Papa a governar a Igreja.

Aí mora o limite maior da atual fórmula de sínodos. Eles não deliberam. Eles só apresentam sugestões ao Papa, em forma de "proposições", entregues ao Papa no final de cada sínodo, junto com a escolha, por voto secreto, de um "conselho pós-sinodal", para ajudar a discernir as proposições e transformá-las num documento com gênero literário próprio, identificado como "exortação pós-sinodal".

Foram muitas as vozes que sugeriram dar mais consistência aos sínodos, conferindo-lhes a incumbência de tomar decisões estratégicas, junto com o Papa, no momento em que se realiza a assembléia sinodal. Com certeza, os sínodos passariam a ter uma incidência muito maior na Igreja, e desencadeariam um processo participativo muito mais intenso. Eles teriam a missão de captar, de maneira viva e atual, as demandas trazidas pelos representantes eleitos pelas Conferências Episcopais, traduzindo estas demandas em compromissos a serem assumidos por todas as Igrejas, como procurou fazer Aparecida.

O processo conciliar faz parte da dinâmica da Igreja. Ele precisa acontecer em cada Igreja local. Quanto mais ele for acionado, mais a Igreja poderá dar conta dos apelos que a realidade lhe apresenta.

* Bispo de Jales, São Paulo.

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35325



Escrito por mauricio às 19h37
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

A Folha e os grampos

A Folha traz ampla reportagem sobre Fernando Sarney, filho de José Sarney (clique aqui).

Características da matéria:

1. Baseou-se integralmente em um inquérito da Polícia Federal.

2. Há a reprodução de uma profusão de grampos.

3. Os acusados alegam não terem tido acesso às provas do inquérito.

Longe de mim defender os Sarney. Anos atrás soltei um conjunto de matérias sobre a vergonhosa venda da Cemar, em que ficava patente a influência dos Sarney na Eletrobrás.

O que chama a atenção é que a matéria contem todos os ingredientes da Operação Satiagraha, que levou a Folha a produzir vários editoriais “denunciando” o clima policialesco supostamente implantado no país.

A matéria sobre os Sarney deixa claro duas coisas. Primeiro, que esse clima é decorrente da aliança entre policiais e jornalistas. Se há desrespeito aos direitos individuais, a imprensa é peça chave.

A segunda coisa é comprovar de matéria clara que o problema da Operação Satiagraha não foram os métodos adotados: foram os alvos escolhidos.


enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 19h17
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO KUPFER

Em busca de explicações para a alta do dólar

Estamos, eu e o Leandro Modé, reunindo as explicações sobre a alta do dólar no Brasil. Ontem, quando a cotação da moeda americana passou dos R$ 2, coisa que parecia sepultada no passado recente, sugeri que ele colocasse em letras o que argumentou comigo. Vai aí:

* * *

Pela primeira vez desde agosto do ano passado, a cotação do dólar no fechamento passou de R$ 2. Analistas do mercado financeiro juram de pé junto que, desta vez, a disparada da moeda americana não é explicada por uma corrida de investidores em busca de segurança. Deve-se, garantem eles, à escassez de linhas de financiamento.

Segundo esse argumento, instituições financeiras internacionais não estariam renovando – ou cobrando muito caro para renovar – linhas de crédito a exportadores e importadores do Brasil. Resultado: a maioria das empresas não rola o empréstimo e tem de ir ao mercado comprar dólar, o que pressiona a cotação.

Essa explicação, porém, não convence a todos. Luiz Sérgio Guimarães, do Valor, atribui a alta de 30% do dólar de agosto para cá à especulação. Segundo ele, prova disso é que o fluxo cambial no Brasil estava positivo em US$ 2,75 bilhões em setembro (até o dia 26). Ou seja, está entrando mais dólar do que saindo.

O problema é que esse argumento é incompleto, pois especulação existe para os dois lados. Assim como tem gente que aposta na queda da moeda brasileira, tem gente que aposta na alta. Os fatos normalmente desmentem aqueles que acusam os especuladores por determinados movimentos de mercado. Sem dúvida, eles botam mais lenha na fogueira, mas não são os principais responsáveis por uma forte alta ou baixa de preços e cotações.  

É inegável que a desvalorização do real nos últimos 60 dias foi expressiva. Ainda assim, talvez seja o caso de lembrar que as perspectivas para o comércio exterior brasileiro não são das melhores. O respeitado economista José Roberto Mendonça de Barros disse ao Valor que é grande a probabilidade de o saldo comercial cair para zero em 2009, o que aprofundaria o déficit em conta corrente.

Talvez o mercado esteja se antecipando a isso, ainda que com um certo exagero. Não custa lembrar que a crise atual é provavelmente a pior desde a Grande Depressão. Culpar a especulação parece simplório. Passado o fogaréu, a cotação do dólar vai se acomodar, e provavelmente em nível superior ao que estava antes da crise. Aí vamos ver se o câmbio flutuante aqui no Brasil flutua também para cima.

Comentários à margem do texto do Leandro:

Ainda não estou convencido de que a crise atual é “a pior desde a Grande Depressão”. Esse tem sido um mantra do momento, mas falta a confirmação da realidade.  Pode ser que venha a ser, mas, por enquanto, a conclusão é precipitada. Parece haver uma sofreguidão para antecipar o que vai acontecer. Os futurólogos da economia, depois do fiasco dos seus sistemas de previsão, deveriam acalmar o facho.

Outro comentário: “ a inflação aleija, mas o câmbio mata”. Quando o câmbio valorizado começou a derrubar os saldos comerciais e a reverter os saldos em conta corrente, houve, mais ou menos recentemente, quem contestasse a famosa constatação de falecido ministro Mário Henrique Simonsen. Olhaí o que está acontecendo.

Conclusão: encarar déficits em conta corrente apenas como atração de poupança externa é mais uma das irresponsabilidades que os neoliberais na economia querem fazer passar como sofisticação enganosa no uso da teoria.

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 22h23
[] [envie esta mensagem
] []





DO ENTRELINHAS

José Serra falou

Em uma raríssima declaração pública sobre algum fato relevante, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), favorito à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falou sobre a crise financeira internacional, conforme se pode ler abaixo, na versão da Agência Estado. Traduzindo o trololó do governador, temos o seguinte:

1. Se ele fosse presidente, acabaria com a política de aumentos reais do salário mínimo e do funcionalismo público. Bem, in the humble opinion deste blog, trata-se de uma das melhores coisas do atual governo, que garante o fortalecimento do mercado interno e protege os trabalhadores.

2. Se José Serra estivesse no comando, não teríamos câmbio flutuante no país. A julgar pela declaração de ontem, no Recife, Serra deixaria a moeda nacional desvalorizar e a manteria em um patamar bem diferente do atual. Ele falou em "hipervalorização", o que leva o blog a acreditar que na mão de Serra o dólar já estaria valendo no mínimo o dobro da atual cotação. Quer dólar a R$5? Chama o Serra...

3. O governador também parece ter o dom da profecia. Disse que o governo vai continuar subindo a taxa de juros e está "queimando as reservas". Até agora, dos R$ 207 bi de reservas acumuladas, o Banco Central vendeu R$ 500 milhões. Sobre juros, o mercado já avalia que o BC deve diminuir a alta ou mesmo parar de subir a taxa. Apenas conjecturando, se por acaso Meirelles realmente parar de aumentar a Selic e se o BC mantiver as reservas do jeito que estão, virá o governador José Serra a público elogiar seu correligionário que comanda o Banco Central do Brasil? Claro que não, Serra gosta mesmo é de um bom trololó...

A seguir, as declarações do eminente líder oposicionista:

Serra critica ação do governo federal na crise financeira

"Não somos uma ilha de tranqüilidade num mar de turbulência." A declaração foi feita nesta terça-feira (30) pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ao destacar que o Brasil tende a ser atingido pela crise internacional, e contradiz a avaliação feita nos últimos dias pelo governo federal. "Não sabemos em que proporção, mas o Brasil tem duas vulnerabilidades, o déficit em conta corrente ascendente e a expansão exagerada dos gastos correntes", afirmou ele, no Recife. "Para dar conta dos aumentos que se estão dando agora e se programando para o futuro, a receita real tributária no Brasil teria que crescer 9% ao ano, real", afirmou. "O quadro fiscal é complexo, não tem Lei de Responsabilidade Fiscal na esfera federal."

De acordo com o governador paulista, estas fragilidades da economia se destacam quando comparadas com outros países emergentes.
Nesta terça, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à imprensa, que a crise financeira é "muito séria" e pode ter impacto no País. "Poderemos correr riscos porque é uma recessão em caráter mundial e pode trazer prejuízos para todos nós." Mesmo assim, o presidente disse que o Brasil está "precavido".

Segundo o governador de São Paulo, o governo federal está começando a gastar reservas para manter o valor do real "claramente sobrevalorizado, diria hipervalorizado". Na sua avaliação, foi até agora "um equívoco" da gestão econômica do governo Lula ter promovido desnecessariamente uma sobrevalorização exagerada, que "neste momento, evidentemente, cobra seu preço".


Para ele, a tendência é desvalorizar e o governo deverá ficar subindo juros mais ainda para poder segurar o dólar, "como se fosse um objetivo em si", enquanto começa a queimar reservas. "A China, aliás, os países em geral não estão torrando suas reservas, o Brasil começou a fazer isso, espero que não continue", afirmou Serra.


Escrito por mauricio às 22h21
[] [envie esta mensagem
] []





DA AGENCIA CARTA MAIOR

2010 DÁ A LARGADA EM SP

Mídia dá tratamento negativo a Alckmin e reduz exposição de Marta

Relatório do Observatório Brasileiro de Mídia sobre a cobertura das eleições paulistas aponta diminuição das reportagens sobre campanha de Marta Suplicy (PT) e um predomínio de reportagens negativas sobre a de Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo o "O Globo", já está marcada para segunda-feira uma reunião pró-Kassab sob a liderança do governador José Serra, do ex-presidente FHC e da cúpula do DEM.

SÃO PAULO - As principais características da cobertura das eleições paulistanas pelos cinco principais jornais da capital entre os dias 20/09 e 26/09 foram a diminuição do número de reportagens dedicadas à campanha da petista Marta Suplicy e o predomínio de reportagens negativas na cobertura da campanha de Geraldo Alckmin, informa o quinto relatório do Observatório Brasileiro de Mídia.

Desde o início da campanha este foi o período em que a candidata do PT teve a menor exposição em relação aos seus dois principais adversários. Foram 40 reportagens sobre a candidatura Marta, contra 62 dedicadas a Kassab e 58 a Alckmin.

Enquanto predominaram por ligeira margem as reportagens favoráveis, tanto em relação a Marta quanto a Kassab, a candidatura Alckmin foi noticiada com viés francamente desfavorável, com apenas 3,4% de reportagens classificadas como favoráveis pelos critérios do OBM contra 48,3% de desfavoráveis.

A vinda do presidente Lula para participar de comício na zona norte, foi o acontecimento em torno da candidatura Marta que influenciou o tom da cobertura, embora os jornais tenham repercutido menos a vinda do presidente agora do que no final de agosto quando Lula e Marta desfilaram em carro aberto na zona leste.

O jornal Folha de São Paulo não publicou nenhuma reportagem sobre a candidata que lidera as pesquisas de intenção de voto na edição do dia 22/09 e o diário Agora São Paulo, nos dias 22/09 e 24/09. O Diário de São Paulo não publicou nenhuma reportagem sobre a petista nas edições dos dias 20/09, 22/09, 23/09 e 25/09.

O candidato Gilberto Kassab continuou a ter a candidatura mais noticiada, 62 reportagens ou 30,7% do total das reportagens sobre a eleição municipal, trataram da candidatura do DEM. Destas, 33,9% foram favoráveis e 27,3% desfavoráveis.

O candidato tucano Geraldo Alckmin continuou a ter sua campanha noticiada em ambiente de crise, o que fez aumentar o percentual de reportagens desfavoráveis, 48,3% e ambíguas, 20,7% e cair o percentual de favoráveis, 3,4%. Estes percentuais foram respectivamente de 47,8%, 13,4% e 13,4% na semana passada.

A defesa pública de lideranças do PSDB à candidatura Kassab desgastou ainda mais o candidato tucano nos jornais, pois as investidas de Alckmin contra Kassab sempre foram noticiadas com a reação do prefeito, lideranças do DEM e lideranças tucanas inclusive o governador José Serra e pessoas a ele ligadas. Esse cenário só aprofundou a percepção de crise na candidatura do PSDB.

Alckmin teve a cobertura com viés desfavorável pela 7ª semana consecutiva. O fato presente em todo esse período e que tem provocado desgaste na cobertura da campanha tucana é o apoio de tucanos à candidatura Kassab que vem se explicitando em tom crescente no período.

Segundo matéria publicada nesta sexta-feira, no jornal O Globo, já está marcada para segunda-feira uma reunião pró-Kassab sob a liderança do governador José Serra, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da cúpula do DEM, com o ex-senador Jorge Bornhausen à frente. A cúpula tucuna, definitivamente, está deixando Alckmin a ver navios.


Metodologia da pesquisa
Observação metodológica: as reportagens costumam tratar as candidaturas separadamente ou em conjunto. Classificamos o foco com o qual os candidatos são tratados nos textos jornalísticos em principal, secundário ou citação. Os textos são qualificados em favorável, desfavorável, ambíguo e equilibrado, de acordo com a capacidade que os mesmos têm de influenciar o voto nos candidatos aos quais se relacionam.

O relatório analisa reportagens dos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário de S. Paulo, Agora São Paulo e Jornal da Tarde sobre a cobertura dos candidatos Marta Suplicy, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Paulo Maluf, Soninha Francine e Ivan Valente.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15261



Escrito por mauricio às 22h06
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG do KUPFER

Um mundo menos rico e talvez mais sensato

Com uma série de medidas populares, sob medida para adoçar o bico dos contribuintes, como bem definiu o “The New York Times” em seu site, o Senado americano aprovou na noite desta quarta-feira o pacotão de resgate do mercado financeiro. Na essência, o torpedeado “Plano Paulson”, que prevê a possibilidade de utilização de US$ 700 bilhões em recursos públicos para a compra de papéis podres privados pelo governo, passou incólume e segue agora para a Câmara dos Representantes. Depois da rebelião dos parlamentares, que desacataram um acordo de lideranças partidárias para a aprovação do plano, é muito improvável que ocorra uma nova rejeição, na votação prevista para sexta-feira.

Para fazer passar o pacote, os senadores tiveram de aprovar diversas medidas paralelas. Para se ter uma idéia de quanto a negociação foi exaustiva e penosa, do plano original enviado pelo governo ao Congresso, com apenas três páginas, resultou um conjunto de medidas que ocupam 450 páginas.

Entre as principais medidas aprovadas à margem da autorização para o governo usar US$ 700 bilhões no salvamento de instituições financeiras, há uma redução de impostos da ordem de US$ 150 bilhões. Também foi elevado o limite de garantia para os depositantes nos bancos associados à Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), de US$ 100 mil para US$ 250 mil. Há ainda, entre as medidas, como esperado, restrições aos bônus pagos a executivos das instituições que vieram a ser socorridas.
Até uma legislação específica, que obriga planos de saúde e seguradoras a cobrir o tratamento de doenças mentais com as mesmas condições oferecidas aos demais tratamentos médicos, entrou no pacote aprovado. Depois das loucuras financeiras dos últimos anos e do enlouquecimento geral dos últimos dias, isso faz o maior sentido…

A virtual aprovação final do “Plano Paulson” deve ajudar a acalmar os mercados financeiros e assegurar alguma racionalidade à sua inevitável reestruturação, já em curso, aliás, com a o resgate privado ou a venda de ativos entre instituições financeiras. Mas, mesmo com a potente injeção de liquidez, a desconfiança generalizada na robustez das instituições financeiras demorará a ser superada.

Sem falar nos problemas próprios enfrentados, agora mais abertamente, pelo setor financeiro europeu. Nesta quarta-feira, a França chegou a propor a criação de um fundo em euros equivalentes a US$ 420 bilhões. Mas a idéia foi prontamente rejeitada pela Alemanha. É muito possível, de todo modo, que os europeus acabem seguindo o exemplo americano e negociem algum tipo de socorro institucional ao seu sistema financeiro.

Isso significa, entre outras conseqüências menos bem definidas no momento, que o crédito, pelo menos num largo período de tempo, será curto e seletivo. Menos, em muitos casos, por restrições efetivas do que por um “efeito demonstração”, ao redor do mundo.

Mesmo no Brasil, onde o financiamento do mercado interno é fundamentalmente suprido por fontes domésticas, já se verifica, em paralelo a uma redução da oferta de dinheiro e uma elevação nas taxas de juros, aumento nas exigências de garantias aos tomadores – aí incluídas as modalidades de crédito ao consumidor, que atendem à chamada classe C emergente.

Repetindo o que já escrevi sobre os impactos da crise financeira na economia brasileira, apostando na inevitável aprovação de um socorro do governo americano ao seu sistema financeiro: o melhor já passou, mas não dá para enxergar o pior no horizonte.

Para resumir, com a agora quase certa aprovação do “Plano Paulson”, o mundo, como era óbvio, não vai acabar. Vai passar por dores e cólicas e,  por um novo ciclo, ficará menos rico. Mas, em compensação, talvez fique mais sensato.

Enviado por: José Paulo Kupfer

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/



Escrito por mauricio às 22h26
[] [envie esta mensagem
] []





DO BLOG DO LUIS NASSIF

Sobre o exercício da hipocrisia

Há alguns tempo publiquei um tratado sobre a hipocrisia na política. Mostrava que era impossível a qualquer governo atuar sem recorrer à hipocrisia. Mais ainda no Brasil, onde a precariedade institucional elevada.

Mas duas hipocrisias chocam pelo excesso.

A primeira, a maneira como estão fritando o Geraldo Alckmin agora, comparada ao jogo hipócrita das últimas eleições, em que se tentava vendê-lo como o grande gerente. Experimentei na pele a dificuldade que era dizer o óbvio: que Alckmin era um administrador sofrível. Agora, virou a própria Geny, nos mesmos veículos que o incensavam.

A segunda, o mea culpa dos intelectuais que foram na onda do neocon e do anti-lulismo exacerbado. O oportunismo de atender à demanda de anti-lulismo da mídia, recorrendo a um pensamento preconceituoso e radical, já foi vergonhoso. Voltar atrás agora, que o efeito manada vai em outra direção, é duplamente vergonhoso. Só estão faltando beijar o Lula na boca.

Nunca foi tão presente aquele artigo do Luiz Fernando Veríssimo, um clássico, em que dizia da péssima companhia em que ficaria, se entrasse na onda.

Outro dia, um comentarista – não me lembro se o João Vergílio – falou do refluxo desse neo-conservadorismo na USP. Passou a onda, ficou o cheiro. Intelectuais respeitáveis, da USP e da Unicamp, carregarão pelo resto da vida, na sua biografia, o fato de que, um dia, ficaram lado a lado com o pior esgoto que o jornalismo brasileiro produziu em muitas e muitas décadas.

Agora, esse jogo ficou reduzido a meia dúzia de pessoas que compõem o Clube da Auto-Ajuda: "eu te chamo de gênio, você me chama de gênio, e mandemos os escrúpulos e o ridículo às favas".



enviada por Luis Nassif

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5



Escrito por mauricio às 22h20
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]